domingo, 25 de julho de 2004

Santo Ignácio de Loyola



"É sempre muito gratificante observar como a providência divina suscita o remédio oportuno para cada situação que sofre o corpo do Senhor que é a Igreja. O veículo e instrumento de acção terapêutica preferido por nosso Deus é o próprio homem. É admirável o que Deus faz através de nós. No século XVI a Igreja enfrentou, como sempre o faz, tremendos desafios. Teve que se adequar à perda do poder temporal na nova ordem política que vai se estabelecendo na Europa, combater as heresias que arrastavam boa parte do rebanho desatento e, sobretudo, ocupar os novos espaços abertos pelos descobrimentos, obedecendo ao comando divino de proclamar o Evangelho a toda criatura. A Sabedoria escolheu o coração de um jovem soldado, que ferido em batalha, padecia longo e doloroso tratamento para recuperar sua perna, para, a partir de lá, promover uma maravilhosa reação salutífera para toda a Igreja. Este soldado foi Iñigo Lopez de Loyola que tinha trinta anos quando foi ferido ao participar na defesa do castelo de Pamplona, sitiado por Francisco I da França. Caçula de doze irmãos, o jovem fidalgo espanhol, havia sido pajem do nobre cavaleiro João Velasques de Cuellar antes de tornar-se oficial do Duque de Nájera, vice-rei de Navarra. Iñigo que depois tomará o nome de Ignácio, era um jovem muito brioso, valentão, com a cabeça cheia dos ideais de honras, glória e conquista que alimentava lendo os romances de cavalaria tão difundidos no seu meio. É impressionante como esta literatura "fazia a cabeça" da juventude da corte espanhola, Santa Teresa dirá o quanto estas leituras obscureceram na sua juventude a religiosidade que tivera na infância. O mundo tem hoje meios mais poderosos de persuasão para semear seus enganos. O pai da mentira se torna mais ativo na medida em que se lhe esgota o tempo, mas onde abundou o mal superabundou a graça, glória a nosso Deus invencível nas batalhas. Era ano de 1521, o jovem capitão sempre tão ativo tem que passar longos dias e noites quase imóvel, para ajudar a passar as horas ele pede que lhe tragam alguma leitura. Sua cunhada traz os únicos livros que a providência dispôs que ali houvessem: A vida de Jesus e Florilégio dos Santos. Não havendo outros livros é com estes que Ignácio passa o tempo sem suspeitar que lhe era chegada a misteriosa hora da graça. Lendo e relendo aquelas páginas, dia após dia, Ignácio vai se enamorando, seu coração sucumbe lentamente fascinado e atraído por aquela estranha vida amorosamente descrita naqueles livros. O seu amigo Luís Gonçalves que recolheu as confidências destes primeiros encontros assim testemunha: "... ao ler a vida de Cristo, nosso Senhor, e dos santos, punha-se a pensar e consigo mesmo dizia: 'E se eu fizesse mesmo que fez são Francisco? E o que fez São Domingos? Assim refletia muito. Permanecia muito nestes pensamentos. Em seguida, sobrevinham outras cogitações vazias e mudanças que se prolongavam por várias horas...". Mas Ignácio era apaixonado pelas façanhas e honrarias do mundo e havia empenhado o tempo de sua juventude se adestrando com sucesso nas artes que permitissem realizar com brilho os ideais da cavalaria. Que aspiração é esta que se oculta no coração do homem capaz de fazê-lo renunciar a tudo que possui e que sonhou quando vislumbra uma mínima chance de realizá-la? Se ele tivesse optado desde cedo pela carreira religiosa seria mais fácil, mas ele tinha escolhido a carreira militar onde progredira bem e tinha um futuro promissor. Não bastavam aqueles relatos cativantes, era necessário uma percepção nova do mistério da própria vida que só o Espírito Santo nos dá. Era preciso que Ignácio soubesse que aquela grandeza divina, a vida em Deus era também destinada para ele. Esta visão nova, esta iluminação sobrenatural, veio para ele na forma da experiência da alegria, esse fruto tão saboroso do Espírito. Como ouvimos do testemunho do seu amigo, Ignácio passava os dias alternando seu olhar; hora para a face do mundo, hora para a face de Deus, e, conforme narra o mesmo amigo Luís Gonçalves: "...Nestas considerações acontecia, porém, uma diferença: quando se voltava para as coisas mundanas, sentia grandíssimo prazer; mas, ao deixá-las por cansaço, via-se descontente e árido. Ao contrário, quando pensava na vida rigorosa que notava nos santos, não só no momento em que as resolvia no pensamento, se enchia de gozo, mas quando o abandonava, encontrava-se alegre. Mas não percebia nem avaliava esta diferença até que, aberto um dia os olhos da mente, começou a admirar-se dela; por experiência entendeu que de um gênero de pensamentos lhe vinha descontentamento; o outro lhe deixava alegria...". Parece ser sempre assim, não bastam palavras converter as pessoas, elas precisam ter uma experiência pessoal e direta, onde, como que vem e apalpam o Verbo da vida. Tendo nosso Senhor Jesus galgado as alturas celestes, de junto do Pai nos enviou o Espírito Paráclito. Sendo sutil como a brisa leve, o Espírito facilmente passa desapercebido, embora cubra a terra assim como as águas cobrem o fundo do mar. Às vezes só quando saboreamos um de seus frutos, podemos apreender esta doce presença de nosso Deus e, mesmo isto, ainda só por graça do Amor. Depois, é preciso nos desvencilharmos dos laços que herdamos e f azemos com o mundo para sermos como o vento que sopra e não se sabe de onde vem nem para onde vai. Assim, nascidos do Espírito, espalhamos o agradável odor de Cristo sem resistir ao seu jugo tão suave. Esta ruptura com o mundo é uma páscoa, um processo de morte e ressurreição que parece durar toda a vida. Ignácio embarca nesta travessia de luzes e sombras que simultaneamente vai-se sufocando os vícios e cultivando as virtudes com a resolução necessária de ir todo e ir com tudo em busca do Deus que se deixa encontrar. Ele abraça uma rigorosa vida penitente, deixa casa e roupas finas, dorme nos albergues, veste um saco de penitência; faz sete horas de oração por dia, fica sete dias em completo jejum, faz um vigília, passando toda a noite de pé sob uma imagem de Nossa Senhora de Monserrate. No último período deste tempo intenso de reforma, Ignácio passa por um ano retirado em Manresa onde a graça de Deus o leva a um grande aprofundamento da vida no espírito. As anotações que Ignácio faz destas suas experiências irem compor Os Exercícios Espirituais, livro que condensa a sua espiritualidade. "Pedi ao Pai que me desse um conhecimento íntimo das muitas dádivas que recebi para que cheio de gratidão por tudo, eu possa amar e servir a Divina Majestade em todas as coisas". Após este retiro ele realiza uma peregrinação à Terra Santa descalço. Retornando da Palestina, é em Barcelona que Ignácio compreende que devia estudar por causa do apostolado e assim, abraça, em 1524, a vida de estudante: começou estudando gramática latina juntamente com alunos de 11 anos, foi para Alcalá, depois Salamanca e, finalmente, para Paris onde conseguiu o título de Professor de Filosofia. É em Paris que as moções do Espírito que constróem em Ignácio o ideal de lutar para maior glória de Deus começam a tomar forma quando ele encontra com outros estudantes que são atraídos pelo mesmo chamado. Ignácio, Pedro Favro, Francisco Xavier, Laínez, Salmerón, Simão Rodrigues e Bobadilha, a 15 de agosto de 1534, fazem o primeiro juramento de compromisso, inaugurando a "Companhia de Jesus". Eles queriam dedicar-se às missões entre os muçulmanos entre os muçulmanos da Palestina. Três anos mais tarde, o grupo, aumentado para dez pessoas, percebendo a impossibilidade da viagem à Palestina por causa da guerra, reunido em Veneza, decide oferecer seus serviços ao papa. Ignácio, Favro e Laínez foram ao papa Paulo III, fizeram voto de pobreza, castidade e obediência absoluta, e declararam-se prontos para ir para toda parte onde o Pai da cristandade quisesse enviá-los. O Santo Padre não pôde resistir a votos tão firmes e tão sinceros, e aprovou a "Companhia de Jesus" que oficialmente estabelecida em 1540, com um limite inicial de no máximo sessenta pessoas. Todavia, os primeiros resultados dos seus trabalhos fizeram logo com que o papa levantasse esta restrição. E os seus sucessores concederam-lhe grandes privilégios. Santo Ignácio irá governar estes "Soldados de Cristo" sempre dispostos a ir onde Deus os chamar, os jesuítas, até sua morte em Roma, em 1556. Consagrados "Para a Maior Glória de Deus", trabalham: para salvação do próximo pela pregação, pelas missões, pelos catecismos, pela controvérsia contra os hereges, pela confissão e, sobretudo, pela instrução da mocidade; para sua própria salvação, pela oração interior, o exame de consciência, a leitura de livros ascéticos, especialmente os "Exercícios Espirituais", e a comunhão freqüente. Neste período eles chegam a mais de mil membros espalhados por toda a Europa e além-mar, organizados em 13 províncias e dirigindo 100 colégios. Santo Ignácio pode falar como São Paulo que combateu o bom combate e guardou a fé, não somente para si, mas para muitos."

in: www.e-biografias.net

quarta-feira, 21 de julho de 2004

...para ser o girassol que você é...

Se cada flor tem o seu tempo,
Eu aceito florescer
No apropriado momento.


Imagine em uma semente de girassol que tivesse uma mente capaz de percepção. Ela sabe que é um girassol, mas é capaz de observar as outras plantas enquanto segue o seu curso de crescimento.

Fascinada com o que vê, fica interessada nos fenômenos que observa. Olha uma margarida ao lado, e pensa ?puxa, até que seria legal ser uma margarida?. Então, passa a se esforçar por ser margarida. Como é uma semente de girassol, jamais será uma margarida, Mas gasta tempo e atenção querendo ser uma. Depois, vê um pássaro e se encanta. E passa muito tempo querendo imitar um pássaro - o que obviamente é impossível.

Essa semente aloprada é a nossa mente. Somos seres com características únicas e específicas, somos, cada um perfeitos ao nosso modo. Mas a nossa mente pensante se distrai constantemente, procurando ser outras coisas que não nós.

É aí que entra o papel da disciplina. Ela é que irá garantir que cheguemos ao nosso destino correto: sermos o que somos em perfeição. E essa é a nossa mais profunda prática diária - buscarmos ser o que somos.

Nessa altura, muitos podem se questionar, por acreditarem que não sabem quem são. Mas será que a semente de girassol precisa saber que é girassol? Ou ela só tem que se preocupar em crescer e, posteriormente, florescer?

Não precisamos saber o que somos para sê-lo totalmente. E só chegaremos a esse conhecimento se colocarmos todo nosso esforço em nosso crescimento pessoal. Precisamos nos disciplinar para aceitar nossas práticas diárias, para regarmos nossa alma diariamente, para alimentarmos nosso espírito constantemente.

E a sugestão da prática de hoje é centrada nesse aspecto: em formarmos um hábito de disciplina.

Prática

Escolha uma atividade que você acredite que irá ajudar no seu crescimento espiritual. Lembre-se, entretanto, de ser compassivo consigo mesmo. Escolha algo simples, que possa ser cumprido ? não exija muito de si, pois muitas vezes nos perdemos por exigir demais. A bondade começa em casa: seja bondoso consigo, escolhendo algo simples e que lhe dê prazer. Algumas sugestões:

Durante pelo menos 40 dias, pratique pelo menos 10 minutos de silêncio e imobilidade. Sentada/o em uma posição confortável, observe sua respiração ou pensamentos que passam por sua mente. Se escolher observar a respiração, apenas observe como acontece -não queira respirar devagar ou corretamente. Se preferir a prática de aquietar os pensamentos, não tente forçar-se a não pensar, apenas observe seus pensamentos, deixando que venham e passem.

Comprometa-se a, conscientemente, só fazer comentários que envolvam pessoas depois de refletir sobre o que irá dizer. Pare para pensar antes de falar. Evite conversas que girem em torno de pessoas. Lembre-se -os tolos falam sobre pessoas, os sábios falam sobre idéias e ideais, os santos não falam-. Seja ao menos um sábio.

Diariamente dedique alguns minutos à revisão de seu dia. Analise o que fez, como agiu, o que quer melhorar. Anote suas constatações.

Caminhe diariamente, em silêncio. Caminhar é uma prática espiritual importante.

Comprometa-se com a sua mãe, a Terra. Lembre-se que você só existe porque o planeta que você habita lhe deu, literalmente, o seu corpo, que é feito, todo ele, de componentes químicos deste planeta. Adote alguma prática benéfica para o planeta. Podem ser coisas simples:

Usar menos água quando toma banho, desligar a torneira enquanto lava a roupa e escova os dentes.

Separar direitinho o lixo reciclável do lixo orgânico.

Comprar produtos que não agridam o meio ambiente.

Adotar uma alimentação baseada em produtos orgânicos.

Lembre-se, seu dia-a-dia é sua maior prática. Você se torna aquilo que mais pratica. Pratique consciência e bondade nos pequenos gestos, e será alguém paciente e bondoso. Pratique paz, e será pacífico. Alimente o mundo com aquilo que gostaria de ser alimentado.

Agora, como um girassol que quer crescer, regue o seu jardim. Pratique. Todos os dias. De maneira sistemática. Durante muito tempo. Lembre-se de uma verdade óbvia: a única coisa que há em comum entre todos os santos, sábios, líderes da humanidade é isso: todos foram extremamente disciplinados. Você verá que, aos poucos, irá percebendo com maior clareza o que você é, o que deve fazer. As respostas virão naturalmente, e como um rio que corre para o mar você caminhará, sem perceber, para o seu eu mais profundo.


aula divina...e selvagem com sabor a carla...doce...


...foi o paulinho que disse que a carla era doce e tinha olhos bonitos...o paulo hoje está contente e também sorri com o seu olhar maroto...o joão...veio enfim...à aula...julgava...que tinha desistido..falta o nosso amigo ...boinha...e a aula continua...sem fios...com um pouco de calor à mistura...mais o futuro sem fios...ouço lá ao longe...

domingo, 18 de julho de 2004

penacho


...emblema do que é predominante num ser, sobre a cabeça, sobre  o  elmo, o penacho poderá representar a alma, o amor, a personalidade. manifesta o esforço de um ser para se elevar ao ponto mais alto da sua condição....

sábado, 10 de julho de 2004

Pensamentos Escolhidos

Quando se nos depara o estilo natural ficamos admirados e encantados porque esperávamos encontrar um autor e encontramos um homem.


O poder das moscas; ganham batalhas, impedem a nossa alma de agir, devoram-nos o corpo.



Pascal

sexta-feira, 2 de julho de 2004

"É o teu rosto ainda que eu procuro
Através do terror e da distância
Para a reconstrução de um mundo puro."


Sofia




quinta-feira, 1 de julho de 2004

COISAS ADORMECIDAS

Mais do que o olhar a mão que quer
e consente querendo
entre linhas ininterruptas de silêncio
e a água sempre

depois da mão a transparência
e a luz branca que a ilumina de dentro
porosa, óleo sobre lua vegetal
a carícia é o sentido da superfície olhada
e a que está ao lado da forma
rebenta em minúsculos peixes
que são a miniatura da criação

se a mão se afasta em cada poro
uma pétala de atenção se perde
inventamos a carne da palavra
espelhos pobres imagens sem fadiga
que não redimem.

rosa alice branco

pensamentos

Geometria,finura. _ A verdadeira eloquência zomba da eloquência,a verdadeira moral zomba da moral, quer dizer que a moral do gosto, que não tem regras, zomba da moral do intelecto.
Porque é ao gosto que pertence o sentimento, como as ciências pertencem ao intelecto.
Zombar da filosofia é verdadeiramente filosofar.

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Não é bom ser demasiado livre. Não é bom ter todas as servidões.

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A Sabedoria manda-nos regressar à infância: Nisi efficiamini sicut parvuli.

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Pascal

...o amor é silêncio...

...tudo é quietude, nesta... vagarosa madrugada...o caminho poeirento, as árvores do bosque, as espadanas largas que vicejam na margem do arroio, e ar ambiente ... tudo parece possuído por uma doce calma absorta....dizem...que todas as manhãs, quando o sol nasce, o vento detém a sua correria, as folhas das árvores deixam de se abanicar, emudece a natureza, prisioneira de um silêncio expectante....talvez...o silêncio é clima propicio das obras divinas...os homens imaginam que a palavra é decisiva, os conferencistas e os conversadores de dicção fácil...e não é assim; no idioma das almas, a palavra nunca é definitiva...necessitamos de vocábulos para comunicar com os outros, para lhes patentear o tesoiro dos nossos sentimentos íntimos...e, todavia a palavra é superior e imperfeita...jamais poderá conter o latejo profundo da alma....quanto mais superficial é uma vida...quanto menos profundos os sentimentos que moram no coração...mais abundante palavreado oco, mais ostensivas manifestações externas.......no amor...primeiro é a palavra....depois os monossílabos...as expressões entrecortadas...e por fim o silêncio...atingiu-se a máxima comunicação das almas...os corações falam sem palavras...pelo olhar...nos olhos que se cruzam palpita a alma...dispensa intermediários...por isso os que se amam andam sós ...procuram lugares retirados do bulício do mundo...a massa asfixia o amor como o asfalto escaldante da estrada ondulada dificulta a respiração...