sábado, 29 de maio de 2004

...partiu há 22 anos...










sexta-feira, 28 de maio de 2004

Ternuras... de um comandante...ancoradas em gavetas...do até ao fim...escritos à mão e pensamento...em telegrama...

NÃO SE FAZ MUNDO STOP USA-SE MUNDO


F.F.



-Esparregado -

Cozer as ervas
Escorrê-las
Passar com a varinha com um pouco de leite e farinha
Passar por manteiga

Tempero: 1 dente de alho
q.b. noz moscada
q.b. pimenta
q.b. sal


Marinada para o coelho

Cebola às rodelas
Cenoura às rodelas
Alho esmagado
Louro
Orégãos
Coentros ou salsa
Piripiri
Vinho tinto a cobrir
Fio de azeite

- Passa-se o coelho por manteiga polvilhado de farinha até alourar

- Junta-se as verduras em lume muito brando e vai-se cobrindo
com o vinho aquecido


Amêijoa ou berbigão-

Fundo de azeite com alho N.B.: NÃO DEIXAR QUEIMAR o ALHO

- Juntar o marisco até cobrir

- Coentros

- Pimenta

- Sal

- Vinho branco para engrossar o molho

(F.F.)


P.S. ...estejas onde quer que seja...deito uma flor para ti ao mar...ela te irá fazer uma festinha no rosto...que vai sorrir...eu sei...

Paul McCartney

Yesterday
All My Troubles Seemed So Far Away
Now It Looks As Though They're Here To Stay
Oh I Believe
In Yesterday

Suddenly
I'm Not Half The Man I Used To Be
There's A Shadow Hanging Over Me
Oh Yesterday
Came Suddenly

Why She
Had To Go I Don't Know
She Wouldn't Say
I Said
Something Wrong Now I Long
For Yesterday

Yesterday
Love Was Such An Easy Game To Play
Now I Need A Place To Hide Away
Oh I Believe
In Yesterday

Why She
Had To Go I Don't Know
She Wouldn't Say
I Said
Something Wrong Now I Long
For Yesterday Hey Hey Hey

Yesterday
Love Was Such An Easy Game To Play
Now I Need A Place To Hide Away
Oh I Believe
In Yesterday
Hum Hum Hum Hum Hum Hum Hum...

Autores: John Lennon/Paul McCartney

...yesterday...

Letra de "Yesterday" foi escrita em Portugal

A letra de "Yesterday", uma das mais emblemáticas canções de Paul McCartney e dos Beatles, foi escrita em Portugal, dentro de um carro, no trajecto de cinco horas, por estradas más, na altura, entre Lisboa e Faro.

Foi o próprio McCartney que o confessou no livro "Yesterday And Today", editado em 1995 nos 30 anos da canção.

Com mais de 2.500 versões diferentes, um recorde do "Guinness", e mais de sete milhões de passagens na rádio norte-americana, outro recorde sem precedentes, "Yesterday", que tem apenas dois minutos de duração, foi composto (melodia) a dormir.

Num dia de 1963, no início da carreira dos Beatles, Paul McCartney, 21 anos, acordou de manhã com a melodia na cabeça e sentou-se imediatamente ao piano a tocá-la, dando-lhe o título provisório, mas pouco romântico, de "Scrambled Eggs (Oh My Baby How I Love Your Legs)".

"Quando trauteava a canção com que tinha sonhado, a mãe de Jane entrou na sala e perguntou se alguém queria ovos mexidos ("scrambled eggs").

"A melodia saiu-me tão bem que julguei que estava a copiar alguém, a fazer algum plágio inadvertido. Andei meses a ver se alguém conhecia a canção", conta Paul McCartney.

Com muitas dúvidas e receios, Paul McCartney tocou a canção pela primeira vez a George Martin em Janeiro de 1964, no Hotel George V, em Paris. O produtor dos Beatles ficou entusiasmado e incentivou McCartney a gravá-la.

"Nessa altura, Paul disse-me que queria apenas um nome para a canção, talvez "Yesterday", mas que achava o título 'piroso'. Aconselhei-o no entanto a ir para a frente", lembra George Martin.

O título da canção foi definitivamente fixado em Portugal, a 27 de Maio de 1965, quando Paul McCartney veio duas semanas de férias, com Jane Asher, para casa de Bruce Welch, dos Shadows, em Albufeira (Algarve).

Nesse dia, Paul McCartney voou de Londres para Lisboa (Faro, no Algarve, não tinha ainda aeroporto) e no carro alugado com motorista, a caminho de Albufeira, escreveu a letra de "Yesterday" ao passar pelo rio Mira.

"Sempre detestei perder tempo e a viagem era muito longa", justifica assim Paul McCartney a inspiração para a letra.

Nos anos 60, Albufeira era ainda uma pacata aldeia piscatória onde estrelas pop como Cliff Richard, Frank Ifield e Bruce Welch, entre outros, tinham casas. Acima de tudo podiam deleitar-se sem ser reconhecidos. Foram aliás os britânicos - e sobretudo os músicos pop - que deram a conhecer Albufeira ao Mundo.

Ao chegar a Albufeira, a casa de Bruce Welch, guitarra-ritmo dos Shadows, onde permaneceria de férias, McCartney pediu de urgência uma guitarra.

"Já estava a fazer as malas para me ir embora de Portugal quando Paul me perguntou se eu não tinha uma guitarra", conta Bruce Welch.

Bruce emprestou-lhe uma Martin 0018, de 1959, e McCartney dedilhou, com a guitarra virada ao contrário por ser canhoto, e cantou pela primeira vez "Yesterday", com a letra escrita no carro e que se conhece hoje.

Entusiasmado com a inspiração portuguesa, Paul McCartney e Jane Asher viriam a antecipar o fim das férias em Albufeira (onde, mais tarde, no início de 1969, Paul, já com Linda, viria a compôr "Penina" para os Jotta Herre) para gravar imediatamente "Yesterday" em Abbey Road.

A gravação de "Yesterday" decorreu apenas em dois dias, 14 e 17 de Junho de 1965, depois das 19h00, no famoso estúdio 2 de Abbey Road, em Londres.

No primeiro dia gravou-se a voz e a guitarra acústica de Paul McCartney, no segundo, o quarteto de cordas.

Foi a primeira vez na carreira dos Beatles e na música pop/rock que se gravavam cordas numa canção, o que provocou estupefacção.

Os executantes anónimos (não estão creditados no disco) foram Tony Gilbert (primeiro violino), Sidney Sax (segundo violino), Francisco Gabarro (violoncelo) e Kenneth Essex (viola), nomes que só foram tornados públicos, pela primeira vez, em 1988, 23 anos depois da gravação.

Os restantes três Beatles, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr, não participaram na gravação, o que também sucedia pela primeira vez. Isso provocou comentários na impresa, sugerindo uma separação do grupo.

A verdade é que os três Beatles assistiram às gravações no estúdio, sendo as suas vozes audíveis na bobina original do primeiro "take", gravado em mono.

Uma das curiosidades da gravação de "Yesterday", canção ao estilo erudito, é que se seguiu à gravação de uma das canções mais "rock" dos Beatles, "I'm Down", também cantada por Paul McCartney, o que prova a riqueza e a diversidade de estilos dos Beatles.

Outra das curiosidades reside no facto de, ao contrário do que se possa parecer na audição da canção, não existe uma dupla gravação da voz de Paul McCartney.

"O que aconteceu - explica George Martin - é que como não usámos auscultadores, o som do primeiro 'take' entrou pelo microfone do segundo 'take', tendo dado a ilusão de ´double tracking', que não existiu".

Os arranjos clássicos da canção são da autoria de Paul McCartney e de George Martin, o qual diz, porém, que a "melhor parte" é da responsabilidade de McCartney. "Quem me dera a mim tê-los feito eu!", afirma.

"Yesterday" nunca foi editado em single na Grã-Bretanha durante a carreira dos Beatles, porque o quarteto de Liverpool nunca acreditou que fosse uma canção "suficientemente forte" para o top.

Foi apenas incluída no álbum "Help", editado a 6 de Agosto de 1965, mas nem sequer consta da banda sonora do filme com o mesmo título.

Embora John Lennon tenha dito uma vez que nunca teria composto uma canção como "Yesterday", admitiu no entanto que se tratava de uma canção "bonita" e com uma letra "boa", mas "inconclusiva".

A grande ironia de "Yesterday", inteiramente da autoria e da responsabilidade de Paul McCartney, é que sempre que o ex-Beatle a canta tem de pagar uma libra simbólica a Michael Jackson, detentor, com a Sony, dos direitos de quase todas as canções dos Beatles.

Em 2000, Paul McCartney solicitou à viúva de Lennon, Yoko Ono, que autorizasse uma alteração na ordem de precedência autoral nos créditos de "Yesterday" - McCartney/Lennon em vez de Lennon/McCartney -, mas a "viúva negra" recusou a ideia.

A revelação foi feita pelo próprio Paul McCartney numa entrevista à página britânica da Amazon na Internet (www.amazon.co.uk), a propósito da edição de "Anthology".

"Não quero tirar Lennon dos créditos, mas a verdade é que fui eu o único Beatle que compôs a canção e que a gravou sozinho", explica McCartney.

"Pedi a Yoko, como um favor a mim próprio, que após 30 anos de John figurar à frente, ela não se importaria de trocar os nomes só para esta canção. Não quero tirar Lennon dos créditos. Estou mesmo em crer que John não se importaria com isso, mas Yoko importou-se. Esta é uma das razões por que nós não nos damos bem", esclareceu McCartney.

Quando começaram a compôr no início da década de 60, John Lennon e Paul McCartney, em homenagem às famosas duplas de compositores norte-americanos, como Leiber/Stoller ou Goffin/King, decidiram assinar Lennon/McCartney, independentemente de quem fazia o quê, embora os três primeiros singles ("Love Me Do", "Please Please Me" e "From Me To You") sejam ainda McCartney/Lennon, só se optando depois pela ordem alfabética.

"Yesterday" é dedicada à Mãe, falecida, vítima de cancro, quando Paul McCartney tinha apenas 14 anos.

Luís Pinheiro de Almeida

quinta-feira, 27 de maio de 2004

...cauri

..a sua forma, mais ainda do que a de qualquer outra concha, evoca o sexo feminino. Daí a sua simbólica, associando as ideias de fecundidade, de riqueza e bem-estar. Desde a Malásia, de onde é originário, o cauri, foi durante séculos objecto dum comércio muito activo, primeiro no extremo Oriente, depois na África negra,onde foi largamente utilizado como moeda. Mas a arte, a magia propiciatória e múltiplas modas inspiraram-se no cauri, principalmente em África, onde continua a ser utilizado quer como ornamento corporal, quer como amuleto.
A sua utilização na arte não conhece limites: máscaras, adornos de danças, colares, cabeleiras são enfiados com cauris...Tal como o dinheiro, faz despertar todas as paixões...(MVEA, 63_).

...lembrei-me dela...e não vou dizer...porquê...






Romy Schneider (September 23, 1938 - May 29, 1982) was an Austrian actress. She was born in Vienna into a family of actors consisting of her paternal grandmother Rosa Albach-Retty, her father Wolf Albach-Retty, and her mother Magda Schneider. After her divorce in 1945, Magda Schneider took care of Romy and eventually also supervised her career, often appearing alongside her daughter, who had made her film debut already in 1953, aged 15.
In the film Mädchenjahre einer Königin (Ernst Marischka, 1954) Romy Schneider for the first time portrayed a royal. Interestingly, this Austrian movie is about the early years of Queen Victoria, in particular her first encounter with Prince Albert. Her breakthrough, however, came with her portrayal of Princess Elisabeth of Bavaria -- then to become Empress Elisabeth of Austria -- in the romantic biopic Sissi (1955) and its two sequels (1956 and 1957).

Fed up with the saccharine image these movies had bestowed upon her, Schneider leapt at the chance of starring in the much more sombre Christine (1958), a remake of Max Ophüls's 1933 film Liebelei (which itself is based upon a play by Arthur Schnitzler). It was during the filming of Christine that she fell in love with French actor Alain Delon, who co-starred in the movie. Schneider became engaged to him in 1959, and the couple moved to Paris.

This meant the beginning of her international film career, which also brought her to Hollywood (Good Neighbor Sam, a 1964 comedy with Jack Lemmon, and the 1965 movie What's New, Pussycat with Woody Allen). Mainly, however, she stayed in France, working with film directors such as Orson Welles (Le Procès of 1963, based upon Franz Kafka's The Trial) and Luchino Visconti (Ludwig, a 1972 film about the life of King Ludwig II of Bavaria in which she played a much maturer Elisabeth of Austria again).

Schneider's private life was rather turbulent. Dumped by Delon in 1963, she married (1966) and divorced (1972) Harry Meyen, a German actor who committed suicide in 1979. They had a son, David (b. 1966, d. 1981). In 1975 she married Daniel Biasini, her private secretary. Her daughter by her second marriage, Sarah Biasini (b. 1977), is said to very much resemble her mother when she was in her twenties and has been a target of German-speaking tabloids for quite some time.

Even after the breakup of their relationship, Schneider continued starring in films with Alain Delon (La Piscine -- The Swimming Pool -- of 1969). Of her other films, the macabre Le trio infernal (1974) with Michel Piccoli is worth mentioning. Her last film was La Passante du Sans-Souci (The Passerby, 1982).

A heavy smoker all her life, Schneider also took to drinking in her later years, especially after the sudden death, in 1981, of her son David, who in a terrible accident was impaled on a fence over which he wanted to climb. When she was found dead in her apartment in Paris, France in 1982, aged only 43, rumour had it that she had committed suicide by taking a lethal cocktail of alcohol and sleeping pills. However, no post-mortem was carried out and she was officially declared as having died of cardiac arrest.

Birth name Rosemarie Magdelena Albach-Retty
Occupation Actress
Birthday September 23, 1938
Sign Libra
Chinese Sign Tiger (element: Earth)
Birthplace Vienna, Austria
Date of death May 29, 1982 (age 43)

...já chegaram...

tinham uma cor tão bonita...
...eram tão fáceis de apanhar...no campo da minha imaginação...
cesto de palhinha da decoração da mãe...que enfeitava a alma e o apetite...
...e como era fácil colocar nas orelhas!...
...meus brincos de rubi!...
...só tinham que ter pé...

...eram os meus brincos preferidos...em frente ao espelho em saltos...gestos e afins...em deambulações divinas e selvagens de menina...

quarta-feira, 26 de maio de 2004

3

...azul...


O três é universalmente, um número fundamental. Exprime uma ordem intelectual e espiritual em Deus, no cosmos ou no homem. Sintetiza a tri-unidade do ser vivo ou resulta da conjunção de 1 e 2, produto neste caso, da União do Céu e da Terra....triângulo liga-se ao número 3...a divindade...a harmonia a proporção...

...azul...

vivóPortocarago!

...a melhor homenagem...


foto de encapuzado extrovertido

terça-feira, 25 de maio de 2004

..tão bonita...que vou repetir...

Tu e Eu


Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
En não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobão
eu sou mais albônico.
Tu,fão.
Eu,fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu,piniquim.
Eu,ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu,multo.
Eu,carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu,cano.
Eu,clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu,tano.
Eu,femismo.



Armário



Eu queria, senhora, ser o seu armário
e guardar os seus tesouros como um corsário
Que coisa louca: ser seu guarda-roupa!
Alguma coisa sólida circunspecta
e pesada nessa sua vida tão estabanada.
Um amigo de lei (de que madeira eu não sei)
Um sentinela do seu leito com todo o respeito.
Ah, ter gavetinhas para suas argolinhas
Ter um vão para seu camisolão e sentir o seu cheiro, senhora, o dia inteiro
Meus nichos como bichos engoliriam suas meias-calças,
seus soutiens sem alças, e tirariam
nacos dos seus casacos,
E no meu chão,como trufas, as suas pantufas...
Seus echarpes, seus jeans, seus longos e afins
Seus trastes e contrastes.
Aquele vestido com asa e aquele de andar em casa.
Um turbante antigo. Um pulôver amigo. Bonecas de pano.
Um brinco cigano.Um chapéu de aba larga.
Um isqueiro sem carga.Suéteres de lã e um estranho astracã.
Ah, vê-la se vendo no meu espelho, correndo.
Puxando, sem dores, os meus puxadores.
Mexendo com o meu interior à procura de um pregador.
Desarrumando meu ser por um prêt-à-porter...
Ser o seu segredo,senhora, e o seu medo.
E sufocar com agravantes todos os seus amantes.


Declaração de Amor


Tentei dizer quanto te amava, aquela vez, baixinho
mas havia um grande berreiro, um enorme burburinho
e, pensado bem, o berçário não era o melhor lugar.

Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,
cada um recém-chegado você em saber ouvir, eu sem saber
falar.

Tentei de novo, lembro bem, na escola.

Um PS no bilhete pedindo cola interceptado pela
professora como um gavião.

Fui parar na sala da diretora e dpois na rua
enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.

A vida é curta, longa é a paixão.
Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:
"Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo"
E você não disse nada. E você não disse nada.

Só mais tarde, de resaca, atinei.
Cheio de amor e Cuba, me enganei e disse tudo para uma
almofada.

Gravei, em vinte árvores, quarenta corações.
O teu nome, o meu, flechas e palapitações:

No mal-me-quer, bem-me quer, dizimei jardins.

Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de
"Mata! Mata!" por conservacionistas, ecólogos e afins.

Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:

"Se não me segurarem faço um soneto"
E não é que fiz, e até com boas rimas?
Você não leu, e nem sequer ficou sabendo.
Continuo inédito e por teu amor sofrendo
Mas fui premiado num concurso em Minas.

Comecei a escrever com pincel e piche num muro branco, o
asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência.

Fui preso, aos socos, e fichado.

Dias e mais dias interrogado: era PC


A Invenção do "o"


Na era da pedra lascada
da língua falada
antes de inventarem a letra
que imitava a lua
as palavras diziam nada
e nada levava a nada
(aliás, nem precisava rua).
A frase ficava estática
de maneira majestática
a grandes falas presumíveis
permaneciam indizíveis
- imagens invisíveis
a distâncias invencíveis.
Vivia-se em cavernas mentais
numa inércia dramática.
Ir e vir, nem pensar
ninguém mudava de lugar
que dirá de sintática.
Aí inventaram o "O"
e foi algo portentoso.
Assombroso, maravilhoso.
Tudo começou a rolar
e a se movimentar.
O Homem ganhou "horizontes"
e palavras viraram pontes
e hoje existe a convicção
que sem a sua invenção
não haveria Civilização.
Um dia, como o raio inaugural
sobre aquela célula no pantanal
que deu vida a tudo,
veio o acento agudo.
E o homem pôde cantar vitória.
E começou a História.
(Depois ficamos retóricos
e até um pouco gongóricos).

Luis Fernando Verissimo

Ressaca

Hoje, existem pílulas milagrosas, mas eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas, porque você as tomava sabendo que no dia seguinte estaria no inferno. Além de saúde era preciso coragem. As novas gerações não conhecem ressaca, o que talvez explique a falência dos velhos valores. A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo.

Cada porre era um desafio ao céu e às suas feras. E elas vinham: Náusea, Azia, Dor de Cabeça, Dúvidas Existenciais - golfadas. Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconseqüentes, literalmente. Não é que eu fosse um bêbado, mas me lembro de todos os sábados de minha adolescência como uma luta desigual entre a cuba-libre e o meu instinto de autopreservação. A cuba-libre ganhava sempre. Já dos domingos me lembro de muito pouco, salvo a tontura e o desejo de morte.

Jurava que nunca mais ia beber, mas, antes dos trinta, "nunca mais" dura pouco. Ou então o próximo sábado custava tanto a chegar que parecia mesmo uma eternidade. Não sei o que a cuba-libre fez com meu organismo, mas até hoje quando vejo uma garrafa de rum os dedos do meu pé encolhem.

Tentava-se de tudo para evitar a ressaca. Eu preferia um Alka-Seltzer e duas aspirinas antes de dormir. Mas no estado em que chegava nem sempre conseguia completar a operação. Às vezes dissolvia as aspirinas num copo de água, engolia o Alka-Seltzer e ia borbulhando para a cama, quando encontrava a cama. Mas os métodos variavam.

Por exemplo:

Um cálice de azeite antes de começar a beber - O estomago se revoltava, você ficava doente e desistia de beber.

Tomar um copo de água entre cada copo de bebida - O difícil era manter a regularidade. A certa altura, você começava a misturar a água com a bebida, e em proporções cada vez menores. Depois, passava a pedir um copo de outra bebida entre cada copo de bebida.

Suco de tomate, limão, molho inglês, sal e pimenta - Para ser tomado no dia seguinte, de jejum. Adicionando vodca ficava um bloody-mary, mas isto era para mais tarde um pouco.

Sumo de uma batata, sementes de girassol e folhas de gelatina verde dissolvidas em querosene - Misturava-se tudo num prato pirex forrado com velhos cartões do sabonete Eucalol. Embebia-se um algodão na testa e deitava-se com os pés da ilha de Páscoa. Ficava-se imóvel durante três dias, no fim dos quais o tempo já teria curado a ressaca de qualquer maneira.

Uma cerveja bem gelada na hora de acordar - Por alguma razão o método mais popular.

Canja - Acreditava-se que uma boa canja de galinha de madrugada resolveria qualquer problema. Era preciso especificar que a canja era para tomar. No entanto, muitos mergulhavam o rosto no prato e tinham de ser socorridos às pressas antes do afogamento.

Minha experiência maior era com a cuba-libre, mas conheço outros tipos de ressaca, pelo menos de ouvir falar. Você sabia que o uísque escocês que tomara na noite anterior era paraguaio quando acordava se sentindo como uma harpa guarani. Quando a bebedeira com uísque falsificado era muito grande, você acordava se sentindo como uma harpa guarani e no depósito de instrumentos da boate Catito's em Assunção.

A pior ressaca era de gim.

Na manhã seguinte, você não conseguia abrir os dois olhos ao mesmo tempo. Abria um e quando abria o outro, o primeiro se fechava. Ficava com o ouvido tão aguçado que ouvia até os sinos da catedral de São Pedro, em Roma.

Ressaca de martini doce: você ia se levantar da cama e escorria para o chão como óleo. Pior é que você chamava a sua mãe, ela entrava correndo no quarto, escorregava em você e deslocava a bacia.

Ressaca de vinho. Pior era a sede. Você se arrastava até a cozinha, tentava alcançar a garrafa de água e puxava todo o conteúdo da geladeira em cima de você. Era descoberto na manhã seguinte imobilizado por hortigranjeiros e laticínios e mastigando um chuchu para alcançar a umidade. Era deserdado na hora.

Ressaca de cachaça. Você acordava sem saber como, de pé num canto do quarto. Levava meia hora para chegar até a cama porque se esquecera como se caminhava: era pé ante pé ou mão ante mão? Quando conseguia se deitar, tinha a sensação que deixara as duas orelhas e uma clavícula no canto.

Olhava para cima e via que aquela mancha com uma forma vagamente humana no teto finalmente se definira. Era o Peter Pan e estava piscando para você.

Ressaca de licor de ovos. Um dos poucos casos em que a lei brasileira permite a eutanásia.

Ressaca de conhaque. Você acordava lúcido. Tinha, de repente, resposta para todos os enigmas do universo. A chave de tudo estava no seu cérebro. Devia ser por isso que aqueles homenzinhos estavam tentando arrombar a sua caixa craniana. Você sabia que era alucinação, mas por via das dúvidas, quando ouvia falar em dinamite, saltava da cama ligeiro.

Hoje não existe mais isto. As pessoas bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis, bem-dispostas e fazem até piadas a respeito.

De vez em quando alguns dos nossos se encontram e se saúdam em silêncio. Somos como veteranos de velhas guerras lembrando os companheiros caídos e o nosso heroísmo anônimo.

Estivemos no inferno e voltamos, inteiros.

Um brinde.

E um Engov.


Luis Fernando Verissimo

do livro "O Suicida e o Computador", L&PM Editores, Porto Alegre

Este é o mote: vote.





Este é o mote: vote.
Estamos todos no mesmo bote.
Vote.
Escolha o menos fracote
e vote.
Já não se votou no Lott?
Pois vote.
Não anule nem faça trote.
Vote.
Pelas barbas do Quixote,
vote!
Não picote o papelote.
Vote.
Tire os nomes de um pote.
Ou do decote.
Mas vote.
Não passa na glote?
Não faz mal.
Vote.
Você preferia ficar em casa ouvindo o Concerto em Dó Maior de
Johann Gottfried Munthel para Orquestra, Baixo Contínuo e
Fagote?
Tomando um scotch?
Esquece.
Vote.
Vote em sacerdote,
Ou em hotentote.
Mas vote.
Vote me cocote.
(Mas não em iscariote.)
Mas vote.
Não fique aí pensando "to be or not".
Vote!
E, se no fim faltar rima, não se apague.
Sufrague.


Luis Fernando Verissimo

...vela

Foto de encapuzado extrovertido
o seu simbolismo está ligado ao da chama. Na chama duma vela todas as forças da natureza estão activas, diria Novalis. A cera, a mecha, o fogo, o ar que se unem na chama ardente, móvel e colorida são em si uma síntese de todos os elementos da natureza . Mas estes elementos são individualizados nesta chama única. A vela acesa é como o símbolo da individuação ao fim da vida cósmica elementar que nela se vem concentrar. É na recordação da vela simples que devemos reencontar os nossos desvaneios de solidão, escreve Bachelard.A chama é só, naturalmente só, ela quer permanecer só. (BACC, 36)A esta ideia de unicidade, de luz pessoal, Bachelard acrescenta a da verticalidade. A chama da vela sobre a mesa do solitário, escreve ele, prepara a todos os desvaneios da verticalidade.A chama é uma vertical valorosa e frágil. Um sopro perturba a chama, mas ela volta a erguer-se. Uma força ascensional restabelece as suas forças mágicas (BACC, 57-58).Símbolo da vida ascendente, a vela é a alma dos aniversários. Tantas velas, tantos anos, e outras tantas etapas do caminho da perfeição e da felicidade. Se é preciso apagá-las de um único sopro, é menos no intuito de lançar essas pequeninas chamas na noite do esquecimento (a fim de as anular no passado com as suas cicatrizes de queimaduras, do que para manifestar a persistência de um sopro de vida superior a tudo aquilo que já foi vivido.
Igualmente, as velas que ardem perto do defunto os círios acesos simbolizam a luz da alma na sua força ascensional, a pureza da chama que sobe para o céu, a perenidade da vida pessoal chegada ao seu zénite...

segunda-feira, 24 de maio de 2004

...hoje lá live que usar o Guarda-Chuva....

totalmente diferente da sombrinha, tem um simbolismo solar e glorioso, como o do pálio e o do pára-sol, o guarda-chuva prende-se ao lado da sombra, e do recolhimento, da protecção. O seu uso só foi introduzido na Europa no século XVII. Não parece exacto ver nele um siginificado fálico, a menos que se atribua ao Pai toda a espécie de protecção. Seria igualmente excessivo interpretá-lo com o sentido de um corpo invertido, que significa a descida dos dons celestes. Simbolicamente, revelaria mais uma recusa tímida dos princípios da fecundação, quer ela seja material ou espiritual. Abrigar-se sobre um guarda-chuva é uma fuga perante as realidades e as responsabilidades. Uma pessoa endireita-se debaixo de uma sombrinha, mas curva-se debaixo de uma guarda-chuva. A protecção assim aceite traduz-se por uma diminuição de dignidade, de independência e de potencial de vida...

O Porto a quatro cores

de Viver todos os dias cansa

"Fode-me a cona, mas não me fodas a alma,"foi assim que ela me pediu. Não a mim, é que que nem fiquei a saber a quem. Ela estava a contar-me uma história e eu fiquei só com aquela frase a fazer eco dentro da minha cabeça. Numa esplanada da Foz, a beber chá de hortelã-pimenta e a olhar o mar, disso lembro-me perfeitamente,eu que nunca tinha estado no Porto e não sabia que havia mar assim, apesar do mar, onde quer que seja, seja sempre mar e eu não ser poeta...

Pedro Paixão
Livros Cotovia

Destaque - Feira do Livro do Porto


Atencão!

16:00

Dia 29/05/2004



Sessão de autógrafos: Pedro Paixão
Local: E 3 e E 5
Organização: Bertrand/Quetzal
Sessão de autógrafos com Pedro Paixão autor de "Quase Gosto da Vida que Tenho")






PERFIL

Paixões de Pedro Paixão

Professor de Filosofia e autor de culto para os jovens, diz que não gosta de seduzir

Quando tem que preencher um formulário dos muitos que, hoje, são "absolutamente necessários" por todas as razões e mais algumas, não sabe o que escrever no espaço reservado à profissão. Isto porque, apesar de Pedro Paixão ter muitas actividades - é professor universitário, um dos sócios de uma agência de publicidade, escritor e, agora, também fotógrafo -, não se sente bem em nenhuma delas. "Sou muito contraditório", diz o autor que não deixa os críticos indiferentes - ou se gosta ou se detesta (e a um dos últimos, Pedro enviou uma coroa fúnebre).

Desde há três anos que deixou de gostar de ensinar, ao atelier vai quando é preciso, muitas vezes apenas para assinar papéis, da escrita só se ocupa os 15 dias em que a Universidade Nova encerra ("escrever ficção é incompatível com o estudo da filosofia porque tudo é diferente, as horas a que nos deitamos, o que se bebe, o que se fuma...", explica) e imagens só tem por hábito fixá-las com palavras e sinais de pontuação. "Não me considero infeliz, mas todos os dias são, para mim, muito difíceis. Sou uma pessoa extremamente preocupada com os meus problemas e os dos outros. Eu queria 'apenas' ser melhor pai, melhor filho, melhor marido, melhor amigo. Queria que os dias passassem sem tanto tormento, com mais paz, tranquilidade e sossego", confessa à VISÃO, poucos minutos depois de ver, pela primeira vez, barely legal, um conto e uma dúzia de fotografias que acaba de publicar, na editora Oficina do Livro.

O lado 'conservador e puritano'
Os dias que se seguem serão, certamente, menos amargurados. Basta ouvir a sua estrondosa gargalhada e ver a forma hilariante como segura o pequeno volume encadernado, versão final daquilo que, até à altura, apenas conhecia no ecrã do computador. "Adoro o livro. Vou dormir com ele sobre o peito. É uma superstição que tenho. Ter o livro nas mãos acalma?me", explica.

Pedro Paixão nasceu há 43 anos, numa família que vivia no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa. Sempre bom aluno, é o filho mais novo de um agrónomo e de uma farmacêutica (tem uma irmã sete anos mais velha, doutorada em Sociologia e, actualmente, empresária).

Gostava de Matemática, quis ser astrofísico e, mais tarde, durante a faculdade, "quis ser comunista e, por arrastamento, economista e político". Em 1974, fez o 2.º ano do Instituto Superior de Economia, mas acabou por ir parar à Filosofia, com uma licenciatura feita em três anos e uma tese de doutoramento sobre "o conceito de alma", pela Universidade de Lovaina, na Bélgica, aprovada com a mais alta distinção.

Recuperou de um desgosto amoroso (com uma judia, tal como Leonor, 30 anos, com quem está casado há cinco anos) e escreveu o seu primeiro livro, A Noiva judia, que as Edições Cotovia publicaram em 1992. Fê-lo, sublinha, sobretudo para agradar à mãe, grande leitora e admiradora da "classe" dos escritores, sobre os quais Pedro promete escrever um livro.

Mais tarde, fundou com Miguel Esteves Cardoso (com quem também esteve até ao número sete de O Independente), a Massa Cinzenta, agência de publicidade de que ainda hoje é sócio com Duarte Rocha Antunes e José Fialho.

Conta que foi assim, com este "lado mais comercial", que provou, desta vez ao seu pai, que também tem jeito para o negócio, que é capaz de fazer dinheiro, como o seu avô ("o milionário de Campo de Ourique", como lhe chamavam) que emigrou para a América e fez fortuna na indústria da cerveja.

Oito anos e outros tantos livros passaram desde a sua estreia literária. Desde então que a sua escrita - de rajada que só agora corrige e emenda, feita de frases curtas e incisivas - ganhou fama por ser desconcertante. "Eu tenho um lado rebelde e perverso, mas também tenho um lado muito puritano e conservador. Talvez tenha alguma coisa a ver com o meio onde nasci. Tenho a noção que é preciso repor o Bem", sustenta. Deve ser verdade o que diz sobre si próprio, a avaliar pela extrema preocupação que barely legal fosse "escandaloso e provocador" aos olhos dos leitores e, sobretudo, aos do seu filho David José, de nove anos.

Pedro Paixão teve uma má experiência com um dos seus admiradores. Do que, concretamente, se passou fala com meias-palavras, mas afirma: "Desprezo todos os meus fãs. Não gosto que haja confusão entre a pessoa que escreve e a pessoa que sou. Detesto ter poder sobre quem quer que seja. Não quero usar o meu poder, seria um pecado que não me perdoaria". E remata: "Não gosto de seduzir." Quem diria...


S.B.L.
(Visão 1999)

Casas do Porto (continuação)

O nosso propósito aqui é mais modesto, e de uma natureza inteiramente diferente. Vimos falar apenas da casa do Porto, a casa vulgar que todos conhecemos às centenas por estas ruas, e que, por isso mesmo - a que, num processo paralelo e inverso, damos em etnologia o nome de etnocentrismo - tão incaracterística se nos afigura, da qual tão pouco parece haver que dizer, e que tantos portuenses zelosos aspiram a ver desaparecer dos arruamentos da cidade, substituída pelos grandes "palácios" actuais, de nomes retumbantes; essa casa que nada recomenda especialmente, mas que afinal é uma das expressões mais típicas do Porto, que tem o seu estilo próprio e a sua tradição legítima, e que traduz as condições históricas e político-sociais do velho burgo, a índole e a vida da sua gente.
O estudo da habitação urbana, sob o ponto de vista etno-cultural, no sentido de se procurar a definição da casa de uma cidade determinada e a sua relação com os demais factores culturais do grupo, que a expliquem, não é tarefa fácil. A casa é sempre o produto de uma grande multiplicidade de elementos inter-relacionados, reflectindo condições naturais e históricas, técnicas, estrutura económica e social, profissões, conceitos de família, gostos, mentalidade e até certos sentimentos, em especial sentimentos de grupo, das pessoas que as constróem e habitam. Numa cidade grande - e tal
é o caso do Porto -, em que a casa se amolda a níveis e matizes muito diferenciados, que sofre a influência de uma elaboração técnica e de um entrecruzamento de culturas muito complexos, a que não são estranhos mesmo factores de invenção pessoal, a casa apresenta-se com uma variedade inumerável de formas e categorias, através da qual é por vezes difícil descortinar a unidade que permita a sua definição singular - a definição do protótipo a que todas obedecem, e que resulta das condições comuns, históricas e culturais. É o que apesar disso vamos tentar, procurando fixar certas linhas mestras fundamentais, que estabeleçam as classificações elementares de tipos, isolando, em relação a cada um deles, o seu conceito base essencial, dos multiformes acessórios que integram a realidade dos diferentes casos.

Continua :))

palmeira de penteado arrojado enfeita os leões

domingo, 23 de maio de 2004

...do meu Pai...que já não está por aqui...a olhar as papoilas....e a ouvir os grilos em dias de calor...

...Filho...
Um filho é sempre filho
Um filho é sempre sorte
Um filho também é chiste
Um filho é sempre filho até
À morte...

29/08/81

MÂE:

Mãe que me pariste
Mãe que me surraste
Mãe que me sorriste
Mãe que me amaste
Mãe que me corrigiste
Mãe que me abandonaste
Mãe que me compreendeste
Mãe que me conformaste
Mãe que me arrependeste
Mãe que me retomaste
Mãe que me arrefeceste
Mãe, mãe que me abandonaste...



29/08/81


Joaquim Pinto

sábado, 22 de maio de 2004

A lua em dia enevoado...

...às vezes
adormeço o olhar
na observação da lua
que teima
em fazer meditar
os sonhos...

e voar

com o idealismo
que continua vivo...


o arco-íris
também se consegue
fotografar
formado em torno
dela...

confirmando
assim
que a chuva acabou
e deixa sempre
um rasto do belo
no instante do clique...

rita ariz in AMERICANA

NOSSA SENHORA DO PORTO LÁ PARA AS BANDAS DA TERNURA....

Voei pela tua força
Até penetrar a memória
de mim

como se, mais uma vez
agarrasse uma estrela do mar

E é um voo
em que só me aproximo de ti
ou de mim,
eu sei lá, a amar

Voei pela tua voz
e desaguo neste infinito presente
à procura de nós

de repetente

eu sei lá


até a minha história

voei até as raízes de mim

e contigo ao meu lado
desaguo nesta foz
com o infinito


como nosso fado

filpe ( para a AMERICANA)

..não esquecer...Porto em movimento...e enamorado pelo acontecer...



Câmara do Porto
umBlog
outroBlog

Casas do Porto (1)

À CERCA da arqueologia e da topografia histórica da nossa cidade, muito se há escrito, e em muito boa hora. Escutando a voz dos velhos manuscritos, e meditando escrupulosamente a lição das pedras, numerosos investigadores conseguiram salvar pelo menos a memória das coisas que o camartelo público e particular vem tão barbaramente destruindo. Sobre o Porto monumental, e mesmo sobre o que podemos chamar em roteiro menor da cidade: pedras expressivas, pormenores de arquitectura, ferragens diversas, etc. - tudo aquilo em que ao longo dos tempos, o labor dos obreiros anónimos gravou a sua ideia e o seu gosto, e que constitui uma afirmação autêntica da cultura da cidade, os seus títulos de nobreza e verdadeiros valores humanísticos (que são os únicos que contam e que o futuro recordará) - também não faltam estudos, monografias e álbuns documentários.

Continua :))


(1) Conferencia realizada na Casa dos Jornalistas do Porto, em 14 de Maio de 1957, por iniciativa da Associação dos Jornalistas do Porto, com a colaboração da associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, por ocasião da comemoração do 2º Centenário do nascimento de Francisco de Almada e Mendonça.

...enfim...dia cansativo...para uma pikonera extravestida...hoje de gala...

...cheguei do casamento de Letízia...
..havia muitos pássaros a repousar nos chapéus...
...estou cansada...comi muito pouco...já que a comidinha foi espalhada pelos pobres...do campo...que como eu espantavam...a riqueza que queria mastigar até os nossos ossos...

P.S. casamento real...no campo...de deambulações divinas e selvagens...com direito a diademas...

A forma e o Olhar


A FORMA
FORMA

INFORMA

CONFORMA

DEFORMA



O OLHAR
INFORMA

REFORMA

TRANSFORMA

FORMA


Luiz Eduardo Robinson Achutti



sexta-feira, 21 de maio de 2004

Speed Dial No. 2



call it when you need me

...sumário...de noites em deambulações...divinas e selvagens de filosofar espontâneo de..e para uma AMERICANA.. ( escritos de gaveta... e não só...)

As sensações são matérias-primas que utilizamos para a construção do nosso mundo em contraposição ao imaginário colectivo, se assim o quiser, caríssima Senhora, é ainda a que melhor suportamos, também em contraposição à complexidade do objectivo.
Li com atenção os seus trabalhos, interessantes até sobre o ponto de vista de construção gramatical e análise literária;devo salientar que o uso que faz das figuras de retórica,nomeadamente a animismo impressionista é bem conseguido, sobretudo no "suar da prepotência". De resto não podemos olvidar que são escritos com treze anos e, como tal, certamente enquadrados em tempo e espaço devido.
Os ritmos e sinais dos tempos, a própria ideologia e os sentimentos humanos das épocas, até a própria religiosidade do que é mais sublime e a visão cósmica e profunda do mundo encontram-se na sua poesia. Ritmos, ideologia, sentimentos, religiosidade, visão cósmica do mundo! Eis um cadinho de sensações e estímulos, de alguma forma, caríssima Senhora é neste universo de conceitos que o poeta se locomove, fixa a sua atenção, regista e responde.

Escreva sempre mais!

A.F.


O SUAR DA PREPOTÊNCIA
...era verão!
o suor vergava
com o peso
da hipocrisia
renitente
das delicias repetitivas
do homem azul
as veias
saltitavam
em compassos
de música rock
ela...
...já vomitava
as...finesses...
do que é ser alto...

o coração
vermelho
assobiava raivas
esperando
coágulos do não

o vento poluído do cansaço
martelava
pregos ferrugentos
na cabeça
do observar
...vou sair
deste tempo
guloso de dias
do reaparecer

tirar as sapatilhas
sujas
do recalcar...

...chego ao café...
- por favor:

----------------------------um fino, amendoins

...................e
.......................tremoços


apetitosos
os olhos de polvo
que se espantam!...
olham o tecto de ventoinhas
que sujam moscas
que pousam nos laços
dos empregados

que espanto!

...pegou
a caneta
e no guardanapo macio
escreveu:

PS. "um segredinho"
vou tentar
embalar o meu
perfume
em odores de querer
e querer...
.......muitas vezes...

deixou na mesa redonda
o dinheiro
que reluzia bocadinhos
de todo o poderoso...

...saiu...
a consciência
abarrotava
consolos espirituais...
e a alma
sorria
luas cheias

...a noite em sereno
abria-lhe os braços
em espiral

rita ariz in AMERICANA
( no café piolho)

NOSSA SENHORA DO PORTO LÁ PARA AS BANDAS DA TERNURA....

Sou a palavra
pintada de silêncio
Em cada olhar
em que mergulho

E assim me venho
e descanso
nesse brilho
como se eternamente
te beijasse

...na Foz 21/08/2002
filipe

quinta-feira, 20 de maio de 2004

"Los gatos de Alicia"



162 x 130 cms Oleo

as ruinas de ...

uma arquitectura...no Porto...que tb serve de refúgio...

...hora divina...de recolher...no Porto...

...todos os gatinhos acabam de...

...Porto....em ternuras divinas e selvagens....


...as casas estão velhas...os vidros partidos...mas a ternura ainda espreita cheia de esperança...por entre o sopro do artista...

VOLTAIRE



"Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo."

Voltaire

quarta-feira, 19 de maio de 2004

Acerca de gatos


Em abril chegam os gatos: à frente
o mais antigo, eu tinha
dez anos ou nem isso,
um pequeno tigre que nunca se habituou
às areias do caixote, mas foi quem
primeiro me tomou o coração de assalto.
Veio depois, já em Coimbra, uma gata
que não parava em casa: furnicava
e paria no pinhal, não lhe tive
afeição que durasse, nem ela a merecia,
de tão puta. Só muitos anos
depois entrou em casa, para ser
senhora dela, o pequeno persa
azul. A beleza vira-nos a alma
do avesso e vai-se embora.
Por isso, quem me lambe a ferida
aberta que me deixou a sua morte
é agora uma gatita rafeira e negra
com três ou quarto borrabelas de cal
na barriga. É ao sol dos seus olhos
que talvez aqueça as mãos, e partilhe
a leitura do Público ao domingo.

Eugénio de Andrade

...vale a pena recordar....a Ribeira ...que eu..amei...e repetir...

A RIBEIRA EM DIA DE SOL



Levei a passear
A minha parceira

"Amiga do peito"

Aprendiz de solidão

...o rio deslizava
em corrente frenética
e com ramos verdes

p a s s e a v a o b a r c o



d
o imagi
nar

que

p
e
s
c
a
v
a

as nossas atenções
do diferente

Os sentidos
adormeciam
em cestos de fruta
com gostinho
a gaivotas
e o sol
escaldava
nos rostos
ávidos de ternura.

Rita Ariz - 1983
In AMERICANA


...afinal...o Porto está vivo...e é um verdadeiro sobrevivente...



Câmara do Porto
umBlog
outroBlog


terça-feira, 18 de maio de 2004

...de M. Luísa...S.João...