sábado, 8 de maio de 2004

Novidade - Divulgado novo Prelúdio de Chopin



Alessandra, freqüentadora do nosso fórum, encontrou esta matéria e nos mandou para conhecimento de todos.


Divulgado prelúdio de Chopin que mostra faceta desconhecida do compositor

Por Rip Rense :: 19:27 13/05

Pela primeira vez em 150 anos, surge uma nova obra do grande compositor de fantasias para piano, Frederic Chopin. É um trabalho curto, de apenas 33 compassos, menor que a Valsa "Minute", mas que revela todo um mundo de Chopin, o inovador, e Chopin, o atormentado. Pode-se chamar a obra de o prelúdio perdido "Devil"s Trill" (algo como "O Trilo do Diabo").


"Aqui temos Chopin, em 1839, com 29 anos, meio louco com a doença e a demência, tendo pesadelos no qual pessoas saíam de seu piano. Por isso, estava tentando fazer algo completamente selvagem", disse Jeffrey Kallberg, professor de música da Universidade da Pensilvânia, que reconstruiu a peça. "Pela primeira vez, nós temos uma evidência daquilo que talvez seja seu trabalho mais experimental".

Emocionado. Angustiado. Demoníaco. Derrotado. Pode-se sentir essas características na música, na qual muitas coisas acontecem: um delirante Chopin expressando furiosamente uma idéia, rabiscando-as em uma espécie de taquigrafia idiossincrática fruto de sua loucura. O resultado é uma grande dificludade para a sua compreensão.

É a loucura momentânea de um grande artista, resultado talvez de suas inventivas improvisações nunca capturadas por músicos e partituras, mas que foram documentadas por sua amante, a escritora feminista Aurore Dupin, conhecida pelo seu pseudônimo masculino George Sand, e Delacroix.

A peça que deveria ser o 14o. Prelúdio da coleção de 24 (Op. 28) e que ultimamente tem sido desprezada, é apenas o segundo rascunho completo de Chopin que não foi publicado por ele. O outro, a Mazurca em Fá Menor (Op. 68, número 4), foi descoberta na época de sua morte, devido à tuberculose, em 1849.

"Nós estamos vendo uma prova da linguagem de composição de Chopin que não sabíamos que existia", disse Jonathan Bellman, presidente do Departamento de Música da Universidade de Greeley, no norte de Colorado, que tocou a peça.

O prelúdio é uma avalanche lírica de ornamentação, no limite da dissonância, que repentinamente expressa escuridão e exaustão. Kallberg chama-o informalmente de "The Devil"s Trill", por causa de seus contínuos e sustentados trilos que lembram a famosa sonata para violinos "Devil"s Trill", de Tartini.

"Chopin certamente tinha conhecimento dessa famosa peça da escola barroca, que também foi composta com base nos trilos", afirmou Kallberg. "Então, parece que parte dessa experiência estava tentando recapturar algo do barroco para o período romântico".

Talvez a obra apresente a influência do Barroco, mas o prelúdio antecipa a angústia mahleriana e as exaltações expressivas características do século 20. Criada com idéias experimentais escritas uma sobre a outra, o prelúdio não apenas oferece a estudiosos novos elementos para debate, mas também apresenta um fundo musical, digamos assim, para um fabuloso momento da biografia de Chopin.

"A passagem de Chopin em Majorca é uma das histórias mais fantásticas de sua vida", disse Kallberg. "Ele tinha acabado de iniciar sua relação com George Sand. Eles estavam profundamente apaixonados e tentavam escapar dos olhos do público, já que o relacionamento era um escândalo. Chopin estava muito doente e ela cuidava dele enquanto ele tinha terríveis alucinações de fantasmas que saíam de seu piano".

A existência do trabalho, que está na coleção da biblioteca Morgan em Nova York, já era amplamente conhecida por estudiosos de Chopin, muito dos quais tentaram em vão entender a essência do prelúdio. Até mesmo Kallberg estava confuso, estudando-o repetidamente por mais de 20 anos antes de finalmente entender as prováveis intenções do compositor.

O rascunho foi entendido como um conjunto musical completo, diz Kallberg, e isso é digno de um espaço na relativamente pequena produção do compositor (65 obras com números com opus e algumas outras sem). Quanto à sua brevidade, o prelúdio que substituiu o rascunho tinha 19 compassos, 14 a menos.

"O tipo de partitura de "Devil"s Trill" jamais tinha sido visto antes em seu trabalho", disse Bellman. "Nós temos diversos exemplos diferentes da empolgação de Chopin durante suas improvisações, e ninguém menos que um artista como Eugene Delacroix, que era amigo de Chopin, escreveu que as peças do compositor eram apenas pálidas demonstrações de suas improvisações. Você consegue entender agora a dimensão da importância dessa peça?"

Kallberg enfatiza que a nova partitura é uma "versão executável" da obra que precisou de muito trabalho de decifração intuitiva para que tomasse a forma atual. Como escreveu em um e-mail o especialista de Chopin, Jonh Rink, da Universidade Toyal Holloway, de Londres: "O que faz o trabalho do professor Kallberg particularmente valioso é o estabelecimento de diferentes possibilidades. As propostas que ele faz não pretendem ser definitivas".

Mesmo assim, as notas são de Chopin. Não se trata de mais uma abertura de "Macbeth" de Bethoven, que foi divulgada, de forma sensacionalista, como sendo uma "obra perdida" e que, na verdade, era uma colagem de dois ou três temas do "Trio Fantasma" e de mais seis ou sete minutos de uma música de um compositor holandês contemporâneo.

"Eu acho um ato heróico o fato do professor Kallberg conseguir chegar a uma obra final partindo de um rascunho de Chopin", disse o pianista Marc-Andre Hamelin, um notável campeão de repertórios incomuns. "Eu me sentiria muito pressionado a decifrar alguma coisa. Isso claramente demonstra muita paciência e uma boa dose de visão, mas eu não poderia esperar menos de um profissional tão competente como Kallberg".


Autor Antônio Rodrigues
em 27/4/2004

http://www.movimento.com/mostraconteudo.asp?mostra=2&escolha=5&codigo=2137

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