...hoje a chuva...insiste...em matar os momentos...
Confusão
(…às vezes o temporal inunda a nossa
fossa causando muitas cheias que a desequilibram …mas só às vezes…)
aqui, agora e hoje
onde os pensamentos
se confundem
se misturam
se intercalam
aqui
onde e hoje
os minutos não passam
como folhas embaladas
em rajadas de vento
aqui
onde custam mesmo a passar
e lutam contra
raiva
ódio, impaciência
dor
desconfiança
incerteza
estupidez
e besteira
aqui
onde até e agora
deveria estar tudo rosa…
arco-íris…sem chuva…mesmo pouca…
quem dera!
desprezar a hipocrisia
a mentira
ser indiferente às calunias do tempo
ultrapassar as barreiras do pensamento
sem pensar…
cuspir as más gotas do ego…
despertar em zonas erógenas
do bom pensamento
bem querido
sem merda
merda é isso mesmo na frente
aqui hoje e agora
mais a violência do não querer
pensar, do querer
esquecer e ter sempre o mesmo temporal
causando muitas cheias
(estamos em maré disso)
nesta porca desta vida
sempre em paralelo
com fraquejar do querer e não querer
poder e não poder
ser ou não ser
valha-me momentos de esquecer
caia bastante água pura
nesta cabeça suja
e me limpe estes cabelos que me apetece arrancar
sem coragem…
até quando?
até quando?
a chuva vai cair
e o mar vai entrar
deixando só tristeza e confusão…
angustia a quanto obrigas!
merda para tudo isto!
estou cheia de cheias na minha terra….
pequena
pobre
e vagabunda…
e só passaram 10 minutos
às vezes os minutos demoram mais tempo
entram em anarquia
e dançam em ideias de ilusão…
masturbam-se em confusão…
e só depois despertam
apanham sopapos de compassos de espera
bofetadas de segundos
pontapés do querer sair…
do ventre da mãe….hora…
e depois nascem outra vez…atrasados…
só na minha terra
é claro!
e tudo isto…culpa das barragens abertas em Espanha
aí o tempo passa veloz…é estrangeiro….não me toca
até nem sou de lá…
estou cheia de cheia na minha terra…
hoje, aqui e agora
22/11/83 – faz hoje 20 anos que mataram alguém
que até era importante…
vivam todas as porcas das importâncias!...
rita ariz
(in AMERICANA)

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