domingo, 15 de fevereiro de 2004

tb do Diário de S. Paulo

Da 3ª classe do navio ao comando do império


O livro ?Meu Pão com Açúcar?, editado em 1998, por ocasião dos 50 anos do grupo, conta a trajetória do patriarca da família Diniz, revelando a trajetória do garoto de 16 anos, decidido a ser comerciante, que deixou a cidade natal, em Portugal, no ano de 1929, rumo ao Brasil ? para realizar seu desejo e construir ?o império na área de abastecimento?, transformar o grupo em multinacional, enfrentar crises, inclusive familiares, que quase o levaram à falência na década de 80, e recuperar-se.

A neta Ana Maria Diniz relata na apresentação do livro: ?A coragem de meu avô ao sair de Portugal sozinho, com 16 anos, e tomar um navio rumo ao desconhecido, rumo ao sonho, sempre foi uma coisa que me intrigou muito. Por outro lado, sempre vi coragem correndo nas veias desta família Diniz à qual pertenço. Coragem expressa das mais diversas formas: numa decisão de comprar uma empresa enorme, de desafiar as barreira da velocidade de carro, a cavalo ou apenas com tênis nos pés... Talvez toda essa coragem, tenha origem realmente na iniciativa de nosso patriarca de mudar sua vida e começar uma grande história.?

Em outro trecho, diz o livro que ao embarcar, em 1929, na terceira classe do navio Almanzora, que o traria ao Brasil, ?seu? Santos, foi listado como operário. Nunca foi. Já nessa época ele tinha certeza de que queria ser comerciante. Também nunca trabalhou nas lavouras de café, como muitos imigrantes que vieram ao Brasil. No dia 25 de novembro de 1929, Valentim estava no convés do navio e, ao avistar um maciço de pedra adiante, ouviu alguém dizer: ?É o Pão de Açúcar?, nome que não se perderia na memória ? e batizou seu primeiro negócio.

Do desembarque no porto de Santos, Valentim foi para a casa do tio-avô José Tenreiro, na Mooca. O primeiro e único emprego em sua vida foi em um empório, indicado por um conhecido. Sua função era entregador e caixeiro do Real Barateiro. Aos 22 anos, casou-se com Floripes Pires, em 15 de fevereiro de 1936, primeira brasileira de uma família portuguesa. O casal foi morar na Brigadeiro Luís Antônio.

A partir de 1986, a então sólida estrutura do grupo ameaça ruir. O patriarca dos Diniz, então com 73 anos, preparava sua sucessão, contando com a participação de todos os seis filhos na empresa, os homens (Abílio, Alcides e Arnaldo) na diretoria executiva. Mas houve divergências entre os irmãos sobre a condução da agora sociedade anônima Companhia Brasileira de Distribuição (CBD). Para evitar a dissolução do grupo, Valentim reassumiu a presidência em 1988. Alcides vende suas ações e afasta-se da empresa e Abílio passa a vice-presidente.

Sem comentários: