sábado, 9 de fevereiro de 2008

O Café



"Chegou pela mão de Ricardo Pais para afrontar a pesada herança de Os Gigantes da Montanha, de Luigi Pirandello (1997), e regressaria, três anos depois, para a encenação da trilogia das Barcas, de Gil Vicente, monumento luso-dramático submetido a uma operação de desmistificação que só um olhar estrangeiro lograria alcançar.

Espectáculos marcantes, que muito rapidamente conquistaram um lugar cativo na memória afectiva do TNSJ, também porque neles se evidenciavam alguns sinais distintivos do nosso projecto artístico: a articulação de imaginativos e plurais jogos cénicos com uma rigorosa direcção de actores.

Encenador muito cá de Casa, era mais ou menos inevitável que Giorgio Barberio Corsetti a ela tornasse, agora para nos ajudar a ler o nosso primeiro Goldoni, dramaturgo também ele italiano, prolixo na regularidade e no génio, reformador da comédia europeia, precursor de um teatro do quotidiano.

O Café (La bottega del caffè, 1750) – um dos exemplos maiores da sua arte, material exigente para confronto e crescimento de uma trupe de actores que nos é tão familiar – é aqui revisto e desestabilizado por Corsetti, apostado em desocultar as suas pulsões mais secretas, situando-o numa abstracção que dá pelo nome de Veneza, lugar intranquilo agitado por águas que escondem profundidades insondáveis."

Bom... especialmente pela forma.


O Café

de >> Carlo Goldoni
encenação >> Giorgio Barberio Corsetti

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