segunda-feira, 27 de setembro de 2004

2004.IX.25

Esperamos "acertar" mais uma vez:
gostámos tanto de ler este livro!
Parabéns pelas "4 dúzias", dos primos.



"...Angela, porque será que a vida se reduz a tão pouco? E onde é que está a clemência? Onde é que está o barulho do coração da minha mãe? Onde é que está o barulho de todos os corações que amei? Dá-me um cesto, minha filha, o cestinho que usavas para ir ao infantário. Quero pôr lá dentro, como pirilampos no escuro, os clarões que cruzaram a minha vida..."


NÃO TE MOVAS

Margaret Mazzantini
(D. Quixote)

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

....selvagens...divinas e suadas...deambulações...


cheira...
a outono
folha caída por entre calor
ainda no ar
a cheirar a fumos
de castanha mal assada...
a espantar fiéis...
que chamam diospiros
espreitando
o natal
que se avizinha
com fitas de embrulho...
P.S....quem sabe....as listagens... das prendas...
...não vão deixar...
castanhas...
dependuradas...na árvore...

domingo, 19 de setembro de 2004

Já Foste Linda Rosa



Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais

Com o passo controlado e o gesto distraído
Lá vais comprando de ouvido
Um hamburger que sabe a pescado
Aquele mel açucarado
Um outro peixe e coisas mais
E aquele ar junto do cais
Faz enjoar de repente
Anda aí gente doente
Olá Rosa como vais

Tens os olhos consumidos num anúncio de auto-estrada
E sabem-me a tudo nada os teus lábios percorridos
Por ácidos e anidridos de produtos de sobejo
Quem te fez esse desejo em conserva e congelado
O Rosa tens mau-olhado
Faz tempo que te não vejo

Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais

Já foste linda rosa mas agora já não és
Tu tens da cabeça aos pés uma estranha simbiose
De amargura e glicose e arranha-céus de capitais
Vão-se acabando arraiais já os cafés estão fechados
Só vejo supermercados
Desde Alfama aos Olivais

Canta essa canção maldita não editada em cassete
Nem daquele chato do Fausto
Papetti faz uma cara bonita
Tu és a minha favorita
Tu és enfim o meu desejo
Mas não me dês pastas de queijo
Nem sopinhas enlatadas
Nem pescadas congeladas
Dá-me um abraço e um beijo

Mas não me dês pastas de queijo
Nem sopinhas enlatadas
Nem pescadas congeladas
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais


Fausto
in: Atrás dos Tempos vêm Tempos

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

...tenho vontade de assobiar raivas...

Insustentável
esta leveza...que se dependura em fios...
tão frágeis e tímidos...
acrobacias de sonhos
que se perdem num segundo
de diagnóstico

DURO


É hodkin!...


P.S. ...como é difícil deixar de pensar...e sentir tamanha impotência que só se ajoelha à fé...

...apetece...

...refrescar a alma...
...mesmo usando o teu olhar...
...posso ser uma rodelinha de limão...
que sobra num copo...que ainda tem gelo....





e não só....
também não sei se quero beber...


....talvez esperar o laranja do sol que vai aparecer...


apetece

...ver com os teus olhos...

por entre copo...mar e limão...
a mergulhar na espuma...
que ouve hinos

quinta-feira, 2 de setembro de 2004

...não sei...

...não sei se os silêncios são de pedra
se é oco o seu sofrer...


nem tão pouco se o
seu
escutar
é calmo

...sei é que os silêncios
muitas vezes
se escondem
sossegados
em mentes que

......transbordam

gritos a estourar


PIKONERA

Eis-me

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de advinhos mágicos e deuses
Para ficar sózinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo
......................(em que não moras
E o teu encontro
São planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente

SOFHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN