quinta-feira, 15 de abril de 2004

...mais vale tarde ...do que nunca...é bonito!..Abril..também ainda é...mês...é claro!...e última hora...

Depois de almoço com Durão Barroso
José Saramago dá por encerrado conflito com o actual Governo

Lusa
O escritor José Saramago garantiu hoje que o conflito que o opôs ao Governo liderado pelo PSD "é um assunto encerrado" e que as relações com aquele partido "estão totalmente normalizadas", depois de um almoço com o primeiro-ministro, Durão Barroso.

A polémica que envolveu o escritor e o Governo remonta a 1992, na época da maioria absoluta PSD de Cavaco Silva, altura em que o então subsecretário de Estado da Cultura Sousa Lara afastou o livro de Saramago "Evangelho Segundo Jesus Cristo" da candidatura a um prémio literário por considerar que atentava contra a moral cristã.

O tema voltou à ribalta em 2002, durante a campanha eleitoral para as legislativas, quando José Saramago, militante comunista, afirmou que não tencionava aparecer em nenhum acto oficial, caso o PSD ganhasse as eleições.

Há cerca de duas semanas, o actual primeiro-ministro - que integrava o Governo de Cavaco Silva - condenou, em declarações ao jornal "Expresso", os processos que no passado discriminaram Saramago "por causa das suas opções individuais".

Hoje, o escritor almoçou em São Bento, residência oficial do primeiro-ministro e deu o conflito por encerrado.

"Isso é um assunto encerrado. Depois da declaração que o primeiro-ministro fez há cerca de duas semanas, considero o assunto encerrado e não tenciono proferir mais nenhuma declaração", afirmou José Saramago.

Aos jornalistas, o Nobel da Literatura assegurou que as relações com o PSD "estão totalmente normalizadas", sublinhando que a sua atitude no passado nada teve a ver com actividades partidárias. "Se o mesmo tivesse sucedido com o PS ou com o meu próprio partido [PCP], a minha posição seria exactamente a mesma".

Também o chefe de Governo garantiu que o conflito "está encerrado", embora tenha lembrado que a polémica não o envolveu directamente, já que na altura assumia as funções de secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação.

Afirmando que nunca se deve, do ponto de vista político, condicionar a liberdade de criação, Durão Barroso sublinhou que José Saramago é "um dos maiores escritores contemporâneos" e alguém que já fez muito pelo país.

Durão Barroso aproveitou ainda a ocasião para anunciar a criação da Cátedra José Saramago na Universidade Autónoma do México, destinada a divulgar a cultura e língua portuguesas. "Vamos formalizar essa cátedra em Maio, durante a minha visita oficial ao México", adiantou o chefe de Governo, acrescentando que o próprio José Saramago irá, depois, inaugurá-la.

No almoço em São Bento estiveram presentes os ministros da Cultura e dos Negócios Estrangeiros, Pedro Roseta e Teresa Gouveia, respectivamente. Inácio Rosa/Lusa

Durão Barroso sublinhou que Saramago é um dos maiores escritores contemporâneos e alguém que já fez muito pelo país.

(última hora- Público)

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