terça-feira, 13 de abril de 2004

Comunicação


Como um poente congestionado

De vagalumes irreais

É o sete-estrelo desenfreado

Rosa de chamas descomunais



Saltam-lhe os pulsos como foguetes

As mãos são Vestes embriagadas

Parando as cenas dos banquetes

Em saturnais carbonizadas



Incham-lhe o seios como mechas

De Salomé desintegrada

Por quem cem líricos lamechas

Ficam ardendo sem dar por nada



Uma manada de trovões

Leva a cidade nos seus cornos

Assam marquesas nos salões

Como perus dentro dos formos



Os rechonchudos anjos das casas

Expiam crimes ancestrais

Mamando restos de leite em brasa

Nos esqueletos maternais



As salamandras uterinas

Queimam devassos nas suas camas

Com que celebram fesceninas

E derradeiras núpcias de chamas



Os acedémicos no espeto

Fazem um esforço de memória

Para manterem o esqueleto

Em ademanes de oratória



Em catedrais de mil archotes

Numa lúxuria de extrema-unção

Um frenesi de sacerdotes

Tem um orgasmo de Inquisição



As labaredas quais proxenetas

Dos cidadãos mais importantes

Levam incêndios de meias pretas

A mercadores de diamentes



Logo que estoura algum ministro

E a sua alma estruma os campos

Rebenta um trigo mais sinistro

Nesta seara de pirilampos



Nos semicúpios incandescentes

Dos seus tesouros derretidos

Os milionários têm repentes

Têm remorsos de homens falidos



E um Desejado de lua nova

Noiva da Pátria vem finalmente

Buscar a noiva para a sua cova

E dá-lhe a Morte como presente

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