sexta-feira, 27 de fevereiro de 2004

ARTE DIGITAL




Parece-me imprescindível neste novo século que, quer os teóricos, museus, instituições de ensino e todos os restantes agentes integrantes dos circuitos das artes repensem a modificação do processo de trabalho dos artistas com as novas tecnologias, a própria alteração da obra de arte na sua percepção e leitura, os espaços de difusão e ainda a revisão de princípios para a formação de uma nova visualidade electrónica e digital.

Se a história da arte é marcada pelo desenvolvimento dos meios e linguagens que coincidem com o desenvolvimento científico e tecnológico e com o espírito de cada época, o fenómeno artístico-cultural deverá então ser constantemente reavaliado.

Esta é porventura a tarefa dos estudiosos e sobretudo das instituições de nível superior ou organismos culturais, delinear novas chaves e caminhos de compreensão que possam responder às transformações da ciência, da técnica e da arte.

Os artistas devem procurar um maior envolvimento com as mais recentes tecnologias que sintetizam a história da imagem.

Mais, qualquer utopia de carácter retroactivo para impedir esta necessária evolução da história parece-me desperdício de energia útil. Devemos, pelo contrário, conviver com essas tecnologias, apercebermo-nos das suas potencialidades, perceber as suas ameaças, jogar com a lógica dos seus sistemas.

Precisamos de nos envolver no imaginário digital electrónico. Cabe-nos estetizar as tecnologias como outras formas de sentir e pensar.

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