segunda-feira, 22 de dezembro de 2003

ISABEARCOIRISDOVINHO, PANHÓPITÉTA E OS CAVALOS AZUIS QUE LEEM POEMAS DE ANDRADE

Hoje há festa nas mãos.
As casas enfeitaram o sexo com avelãs e o céu vestiu-se de geleia. Mesmo os bois andam tocando flauta pelos montes enquanto carroças
deixam cair os cabelos em cima do mar.
Ninguém sabe de Sofiamantedaverdadedoseujoelho. Não quis colorir os lábios nem embebedar a cintura.
Contam histórias louras da sua história.
Alimentava as cassiopeias e bailarinava no umbigo dos meses. recebia os amigos e prendava-os de rainhas-cláudias que estimava nas traseiras de um osso do seu corpo. Talvez por isso, amasse Migueldasamendoeiras.
Nanda é uma tanjerina. E entre Paulavento ela e Sofiamantedaverdadedoseujoelho, as tres reprodutoras dos burros de cristal, calça-se o quarto para a dança.
Todos os povos da terra despidos. Parto pela ribeira.
Aufwierdersehen, gaivotas do campo.
- Companheiro, vou certo para as Doninhas Mal Cheirosas?
- Tão certo como a neve. Sabe onde fica Rabo de Peixe? Vou para lá.
- Joga Xadrez?
- Não aprecio. Olhe estas janelas de compota. estamos na aldeia das Colheres.
- Trabalha?
- Dou aulas numa faculdade de baloiços.
- E vive em rabo de Peixe?
- É verdade. Já se ve daqui.
- Que faz para morar ali?
- O corpo. Ve aquela rapariga com mãos de pastilha-elástica? Chama-se mar.
Salto para aqui. Preciso de roubar um braço de palavras. Vou vendê-las ao supermecado. Levo o resto da figura.

Carlos Mota de Oliveira

...que escreve no Alentejo virado para a lua e com tive o privilégio de estar algumas vezes.

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