segunda-feira, 17 de novembro de 2003

...loucuras...divinamente selvagens...de menina...com as luzinhas reflectidas no rio...por entre lágrimas...


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era uma casa com brasão!...nas virtudes...porto...com uma varanda de ferro em L...tinha um pombal do avô josé (com pombos correios e rolas...que tantas vezes me embalaram...)...uma bela vista para o rio...e um cheiro característico e com sabor a feliz...o ferro fascinava-me...e o rio era muito necessário para um bom acordar...só de olhar...era como um encontro com forças divinas...
...eu era menina...fui para aquela casa com tres meses...até aos sete...o pai às vezes ralhava...também a mãe...e só me lembro...de gostar de ter "ralhetes"...principalmente à noite...para ver as luzes reflectidas no rio...que com as minhas lágrimas se transformavam em imagens mágicas...e lembro que quanto mais imagens via...mais me apetecia puxar as lágrimas... para ver mais efeitos especiais...as luzinhas reflectidas no rio...e um efeito de caleidoscópio...que me transportavam para uma outra dimensão...
meu deus...que saudades... que tenho desse ferro...que ainda existe nas virtudes... que já me fazia sentir a arte e daquelas brincadeiras inocentes e de como "coisas" tão simples me faziam tão feliz!
Vou mostrar eu pequenina ao colo da mãe e a dita varanda que hoje...por grande crueldade dos...homens...já não existe e também as luzinhas...com que o fernando me quis presentear...um dia...quando lhe contei esse segredo...


foto: Fernando Ferreira

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