sexta-feira, 29 de setembro de 2006

PenDrive Ecológico

O "Wooden Memory Sticks", lançado pela a holandesa Oooms, pretende ser um PenDrive diferente.

É feito de madeira verdadeira e existe com três capacidades diferentes: 256MB, 512Mb e 1GB.

Cada pendrive mede aproximadamente 2cm x 2cm x 10cm e usa uma ligação USB 2.0.

O Wooden Memory Stick pode ser comprado no site da Oooms e custa entre $57 e $88 dólares.

Original...

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

É o Que a Gente Leva Desta Vida...

A persistência instintiva da vida através da aparência da inteligência é para mim uma das contemplações mais íntimas e mais constantes. O disfarce irreal da consciência serve somente para me destacar aquela inconsciência que não disfarça.

Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes - não porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.

Vislumbres de ter a ilusão - tanto, e não mais, tem o maior dos homens.

Sigo, num pensamento de divagação, a história vulgar das vidas vulgares. Vejo como em tudo são servos do temperamento subconsciente, das circunstâncias externas alheias, dos impulsos de convívio e desconvívio que nele, por ele e com ele se chocam como pouca coisa.

Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insciência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: «é o que a gente leva desta vida»... Leva onde? leva para onde? leva para quê? Seria triste despertá-los da sombra com uma pergunta como esta... Fala assim um materialista, porque todo o homem que fala assim é, ainda que subconscientemente, materialista. O que é que ele pensa levar da vida, e de que maneira? Para onde leva as costoletas de porco e o vinho tinto e a rapariga casual? Para que céu em que não crê? Para que terra para onde não leva senão a podridão que toda a sua vida foi de latente? Não conheço frase mais trágica nem mais plenamente reveladora da humanidade humana. Assim diriam as plantas se soubessem conhecer que gozam do sol. Assim diriam dos seus prazeres sonâmbulos os bichos inferiores ao homem na expressão de si mesmos. E, quem sabe, eu que falo, se, ao escrever estas palavras numa vaga impressão de que poderão durar, não acho também que a memória de as ter escrito é o que eu «levo desta vida». E, como o inútil cadáver do vulgar à terra comum, baixa ao esquecimento comum o cadáver igualmente inútil da minha prosa feita a atender. As costoletas de porco, o vinho, a rapariga do outro? Para que troço eu deles?

Irmãos na comum insciência, modos diferentes do mesmo sangue, formas diversas da mesma herança - qual de nós poderá renegar o outro? Renega-se a mulher mas não a mãe, não o pai, não o irmão.


Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'

Deixar o passado para trás


A Time Curtain foi criada para a London Design Week pelo designer Soner Ozenc, um estudante de design da St Martins College.

A ideia é representar a nossa liberdade contra o tempo e todas as coisas que queremos deixar para trás. É só passar pela cortina para atravessar virtualmente pelo tempo e deixar tudo no passado.

Interessante...

Para meditar

Uma vez perguntaram a Confúcio: O que o surpreende mais na humanidade?

Confúcio respondeu: "Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para a recuperar. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem comose nunca fossem morrer, e morrem como se não tivessem vivido!"

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Bandeiras de Portugal nas janelas?

"Cá por mim, vou pôr uma Bandeira na janela, quando:

- Portugal deixar de ser o país da Europa com maior índice de abandono escolar, analfabetismo e corrupção

- Em Portugal, ninguém que trabalhe ou queira trabalhar ou tenha trabalhado toda a vida, ou que não possa trabalhar, passe fome

- O desemprego não for um desígnio nacional

- A classe política deixar de ser maioritariamente composta por incompetentes patéticos ? Se construírem menos Centros Comerciais maiores da Europa do que Centros de Saúde, Hospitais, Escolas e Infantários

- Na ESBAL, os alunos não tenham que ir para as aulas com um balde, para apanhar a água que escorre dos tectos

- Não se tiver que retirar os pianos de uma sala de uma Escola Superior de Música, porque o chão ameaça ruir

- Os morangos com açúcar sejam exclusivamente uma sobremesa

- Acabar a pouca vergonha do Estado (com o dinheiro dos cidadãos) gastar 3.500.000? com transportes dos deputados e milhares de cidadãos não terem dinheiro nem para comprar o passe

- Os papás ensinarem as crianças que os Professores devem ser respeitados

- A polícia deixar de fingir que não vê as lutas de pit-bull nas diversas Trafarias do país, bem como as corridas a 250 Km/h em várias Pontes Vasco da Gama do país, às 6ªs feiras à noite

- As televisões entenderem que, ao transformar os incêndios em grandes espectáculos de variedades, estão a transformar os incendiários em realizadores e produtores de grandes programas de televisão, o que os enche de vaidade e é altamente motivador

- Se investigar como é que aquele senhor arranjou dinheiro para comprar o Ferrari

- A violência doméstica, a pedofilia, a violação e todos os crimes cometidos contra crianças, forem punidos com 50 anos de cadeia

- Os novos submarinos forem trocados por equipamento para apetrechar condignamente todos os hospitais e escolas do país, e com o que sobra, se comprar tractores e traineiras

- Os bébés das mães portuguesas, deixarem de ir nascer a Badajoz

- Os jornais, revistas, programas de rádio e de televisão, chamados desportivos souberem que, além do futebol, se praticam mais 347 outros desportos e que mesmo no futebol, há outros Clubes além do Sporting, do Benfica e do Porto

- Não houver 19 causas nº 1 de morte em Portugal, conforme o idiota que estiver na altura a ser entrevistado na televisão ou na rádio

- Não houver ninguém a afirmar que há 700.000 portugueses com reumatismo, 1 milhão com asma, 500.000 impotentes, 350.000 c/ osteoporose, 800.000 c/ transaminase pélvica, 430.000 c/ tuberculose, 685.000 c/ deficiência renal, 6.780.000 c/hipertensão, 2 milhões c/sinusite claustrofóbica, 843.000 c/ panaríceos isquémicos galopantes, 2.400.000 c/ problemas auditivos, 300.000 com hérnias discais, 210.000 c/ béri-béri abdominal, 780.000 c/ diversos tipos de cancro 600.000 c/ hipersíase traqueovisceral crónica, para preocupar as pessoas com a prevenção e os médicos cobrarem 80 ? por consulta

- Nenhum governante tiver o desplante de dizer que " abriu a época oficial de incêndios "

- O nº de óbitos motivados por incompetência ou negligência médica for zero

- A população não eleger para Presidentes de Câmara indivíduos fugidos à justiça

- A maioria dos Jornalistas souber falar e escrever português, e deixar de fazer constantemente perguntas idiotas aos entrevistados

- Houver, no estrangeiro, tantas pessoas que conheçam o Eusébio, o Figo. o Cristiano Ronaldo e o Mourinho, como o Camões, o Prof. Agostinho da Silva, O Maestro Vitorino de Almeida, O Prof. Vitorino Nemésio, o Fernando Pessoa e muitos, muitos outros que nunca deram um pontapé numa bola

- Houver tantos Portugueses que sabem quem são, a Maria João Pires e a Helena Vieira da Silva como os que sabem quem são o Pinto da Costa, o Valentim Loureiro, o Luis Filipe Vieira, o Manuel Goucha, a Cátia Vanessa, o Abrunhosa, a Júlia Pinheiro, a Quicas Vanzeler, e o Mantorras

- As Helenas Vieira da Silva não tiverem que emigrar para fazer carreira em países civilizados

-O peixe não chegar às mesas de quem o pode comprar 10 vezes mais caro do que foi vendido nas lotas, para que mais pessoas o possam comer e menos intermediários se possam encher

- Os autores dos programas infantis de televisão, perceberem que uma criança não é um atrasado mental

- Os pequenos e médios Empresários Portugueses não comprarem o 2º Mercedes e a casinha no Algarve, antes de pagarem os ordenados que devem aos Trabalhadores, as facturas que devem aos fornecedores, e as contribuições que devem à Segurança Social e ao Fisco

- Os projectos Aeroporto da Ota e TGV tiverem sido unicamente brincadeiras de mau gosto

- O Estado e as Câmaras Municipais pagarem os milhões que devem aos Fornecedores e outras Entidades credoras

-Se o Estado for condenado a pagar indemnizações, devidas a erros cometidos pelos Governantes individualmente, elas sejam pagas do bolso desses governantes responsáveis e não pelo Estado, pois o dinheiro do Estado é de nós todos e não fomos nós que fizemos a asneira

- As milhentas estações de rádio e as televisões , que só divulgam Anjos, Batnavó, Clãs, Papaossos, Toutaver, Andacáquésminha, Blindtreta, Tarantantan, Fuckyou, Put your finger in my ass, Alex's e Toni's, Magdas Vanessas, Cátias Tampinhas, Carlas Bzz e mais 3.500 grupos e "artistas" da nossa praça, utilizarem 10 minutinhos por dia a divulgar a música dos Mozarts, dos Beethovens, dos Schuberts, dos Tchaikovskys, dos Verdis, dos Puccinis e de mais 50000 compositores que se entretiveram, no seu tempo a fazer música (a musiquinha ainda não tinha sido inventada) e os Gershwin's, os Bernsteins, os Casals, os Rodrigos e muitos outros que fizeram música, mesmo depois das musiquinhas terem sido inventadas

- Nenhum ministro, nenhum professor, nenhum jornalista disser tênhamos ou póssamos

- Não for possível ouvir no noticiário de uma rádio uma "jornalista" dizer frases como esta: "A Câmara de Lisboa tem um projecto para a construção de um viaduto sobre o bairro da Graça, para facilitar o tráfico no local", ou outros 500 dizerem que "Um batalhão da GNR vai para Timor, sobre o comando do Major Lopes da Silva" ou outros 1500 dizerem : "O Ministro Lopes da Silva foi um dos primeiros que chegou ao local do incêndio

- Não for possível assistir ao espectáculo degradante, porque hipócrita, de ver candidatos a eleições, nos Mercados a dar beijinhos às peixeiras, (obviamente, na maioria dos casos, completamente enojados)

- Não for possível assistir ao espectáculo deprimente, com direito a transmissão em directo pela televisão, de um 1º Ministro ir a Troia, com toda a comitiva, para a varanda de um apartamento alugado e pago com o dinheiro dos nossos impostos, carregar num detonador faz-de-conta (de cartão e esferovite), para teatralizar a implosão de um prédio abandonado, como se se tratasse do lançamento de uma nave para a lua, com 3 astronautas portugueses a bordo

- As obras públicas, que são pagas com o nosso dinheiro, deixarem de custar sistemáticamente mais do dobro do que foi orçamentado e adjudicado e que a palavra "derrapagem" seja substituída pela palavra "roubo"

-Nas greves, deixe de ser possível, sistematicamente, o Governo ou as Administrações das Empresas dizerem que houve uma adesão de 15% e os Sindicatos dizerem que a adesão foi de 95% (um deles, ou os dois, estão a fazer de nós, palhaços)

- Figuras ridículas do tipo Zés Castelo Branco, Cinhas e outros Jardins, Hermans Josés (pós 1995) Lilis Caneças e mais 5.000 figuras destas que aparecem na televisão e nas Revistas, bem como os Editores das mesmas, estiverem internadas em Unidades de Saúde Mental

- O Sr. Marques Mendes não tiver a lata de criticar o sr. Sócrates por ter aumentado o IVA de 19% para 21%, e de vender património, quando no Governo anterior, da cor dele, a primeira medida que foi tomada, foi aumentar o IVA de 17% para 19%.e ao longo do mandato, só não se ter vendido a Torre de Belém, os Jerónimos e o Convento de Mafra porque não apareceu nenhum dos grandes Empresários da nossa praça, interessado, já que nenhum destes edificios dá para transformar em Centro Comercial

- Os médicos fizerem greve para obrigar os Governos a dar condições de assistência digna aos cidadãos, em vez de as fazerem exclusivamente por motivos de dinheiro

- As Empresas deixarem de adulterar as Contas, para fugir ao Fisco

- As áreas de serviço das auto-estradas deixarem de ter clientes, por as pessoas não gostarem de ser escandalosamente exploradas

- Os milhentos dirigentes das milhentas Fundações, fizerem alguma coisa útil, além de receber o ordenado

- Não for verdade que os Deputados faltaram em massa ao trabalho para irem passar um fim-de-semana prolongado, ao Algarve e isso ser a coisa mais natural da vida

- Só houver palhaços apenas nos circos

- A Publicidade enganosa levar os anunciantes, à prisão

- Se souber o resultado de UM SÓ dos inquéritos que se diz terem sido levantados a diversas figuras públicas e Entidades oficiais, pela presunção de diversos crimes

- As jóias, os Rolls, os Ferrari, os Maserati , os Porshe, os Veleiros, os Rolex, os telemóveis topo de gama, as lagostas, o caviar, os visons, etc, forem taxados a 500% de IVA, os automóveis de 1000cc, a 5% e as batatas, o arroz, o azeite, o leite, o açúcar, a fruta, as couves, o pão, os ovos, os frangos, e os transportes públicos, a zero

- O futebol voltar a ser um desporto

- Os meus filhos e todos os outros Portugueses da sua geração, puderem planear a vida a mais de 3 meses e os meus netos e os dos outros Portugueses, tiverem alguma perspectiva de viver um futuro com dignidade

- E por fim, quando conseguir uma consulta de Dermatologia no Hospital Egas Moniz, que pedi há mais de um ano

No dia em que tudo isto, ou quase tudo isto, acontecer, juro que ponho Bandeiras de Portugal bem grandes em todas as janelas da minha casa (se ainda tiver casa, se a casa ainda tiver janelas e se Portugal ainda existir) mesmo que a selecção NÃO SEJA apurada para a segunda fase do Mundial de Futebol!

Até lá, fico recolhido em casa com as janelas bem fechadas, cobertas com cortinados bem opacos e profundamente envergonhado"


autor desconhecido

quarta-feira, 31 de maio de 2006

'Principezinho', 60 anos a cativar novos leitores

Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos." Poucos livros, na história da literatura universal, terão, como O Principezinho, acompanhado tantas gerações de leitores sem que o deslumbramento inicial jamais se quebrasse. Hino ao amor, à amizade e ao seu mistério, "a que devemos obedecer", como nos ensinou o seu autor, Antoine de Saint-Exupéry, é esse mesmo livro que vê chegado o 60.º aniversário da sua primeira edição em França. Inicialmente nas páginas da revista Elle, depois já como livro sob chancela das edições Gallimard. A sua primeiríssima edição dera-se, recorde-se, nos Estados Unidos, em 1943, três anos antes da efeméride que agora se assinala.
60 anos

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Racismo?

A seguinte cena aconteceu num voo da British Airways entre Johannesburgo (África do Sul) e Londres. Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe económica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo. "Qual o problema, senhora?", perguntou a comissária. "Não está a ver?" ? respondeu a senhora ? "Vocês colocaram-me ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra cadeira"."Por favor, acalme-se" ? disse a comissária ? "infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível". A comissária afasta-se e volta alguns minutos depois. "Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe económica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar nem mesmo na classe executiva. Temos apenas um lugar na primeira classe". E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua: "Veja, é incomum que a nossa companhia permita a um passageiro da classe económica se sentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável". E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu: "Portanto, senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe..."E todos os passageiros próximos, que, estupefactos, assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé!


O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons...

Martin Luther King

sábado, 13 de maio de 2006

Movimento de doentes cria Associação de Hipertensos de Portugal



Dia Mundial da Hipertensão assinala-se sábado


Está a ser constituída a primeira Associação de Hipertensos de Portugal através de um movimento de doentes hipertensos que todos os dias lutam contra esta doença crónica.

Esta associação é apadrinhada pela Sociedade Portuguesa de Hipertensão que, em conjunto com o apoio a este movimento, é a sociedade científica responsável pelas comemorações oficiais do Dia Mundial da Hipertensão que amanhã se celebra, tendo Santarém como palco central.

A Conferência de Imprensa de apresentação do movimento cívico dinamizador da criação da Associação de Hipertensos de Portugal teve lugar esta semana na Biblioteca da Ordem dos Médicos.

MNI- Médicos na Internet

12 de Maio de 2006

quarta-feira, 10 de maio de 2006

Envelhecer



Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o sginificado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso também é velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. E um homem, coitado, não é mais que um homem, um ser mortal, faça o que fizer... Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste. O que o dia te traz, conheces tu com exactidão: a Primavera ou o Inverno, os cenários habituais, o tempo, a ordem da vida. Não pode acontecer nada de inesperado: não te surpreeende nem o imprevisto, nem o invulgar ou o horrível, porque conheces todas as probabilidades, tens tudo calculado, já não esperas nada, nem o bem, nem o mal... e isso é precisamente a velhice.

Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'

segunda-feira, 8 de maio de 2006

A IDADE SECRETA


óleo de pikonera

(este livro foi oferecido pelo filhote ontem...dia da mãe...)


"...E isso teria sido tudo. Mas não é tudo. Sem qualquer motivo, vamos atrasando a partida. A separação. Não temos pressa. Eu vou fugindo do passado. Ele vai ao encontro do futuro. Em certo lugar do presente há um milagre que se produz.
Hoje o milagre chama-se preguiça. Separa-nos dá-nos preguiça. Parece-nos, sem que saibamos a razão, penoso, quase impossível. Separa-nos é inevitável, mas não há pressa.
E o primeiro dia converte-se sem querer no segundo dia. E o primeiro dia não é um dia qualquer. É o primeiro. O começo de alguma coisa. Nada mais. Nada menos.


A idade secreta

Eugenia Rico

-casa das letras -

sábado, 6 de maio de 2006

Prince - 3121


"Add 3121 to the mounting pile of evidence: Prince is the black Beck. He's a whole lot sexier, no doubt, but there's more to both musicians than image. All-out weirdness for one. Edginess for another. And a fine-tuned sense of how to combine the two to create some of the decade's most vital music for a third. Prince--looking ageless in videos for the first two singles, the controversy-courting "Black Sweat" and the sauna-steeped "Te Amo Corazon"--proves fearless as ever here, folding fat slabs of disco-funk into rock, heaping measured doses of hip-hop atop soul-tinted jazz supports, and slamming Latin rhythms against old-school R&B riffs. Nothing sounds as slinky-stylish-smart. And nobody delivers quite so deliciously, especially when what they're delivering is ultimately a madcap sonic mash. The usual hype surrounding a Prince release attended this one; over the long-term, expect a few standouts within a way worth-it set to emerge. They include the danceable "Love"; the gospel-lite falsetto feast "Satisfied"; and the summer-breezy "Beautiful, Loved & Blessed"."

-Tammy La Gorce

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Saudações nostálgicas.



Para os que já passaram os 30 e ainda têm memória do (muito) que o audio-visual e literatura fez pelo nosso imaginário, eis um site muito interessante que evoca esses (gloriosos) tempos




Enid Blyton e não só...

domingo, 30 de abril de 2006

Reflexões de Victor Hugo


" Seja como os pássaros que,
ao pousarem, um instante,
sobre os ramos muito leves,
sentem-nos ceder, mas cantam!
Eles sabem que possuem asas ".

Vitor Hugo

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Conhece Daniel Blaufuks?


Poderá não conhecer Daniel Blaufuks.

Se for esse o caso, recomendo a visita ao seu site pessoal e a leitura a este artigo do DN sobre o seu mais recente projecto.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Janet Echelman


"She Changes", 2005
Praca Cidade Salvador
Waterfront plaza, Porto and Matosinhos, PortugalHeight 50 m X 150 m X 150 metersTenara® PTFE architectural fiber.


Janet Echelman, escultora contemporânea, mais conhecida entre nós pela sua imponente mas aparentemente frágil "She Changes" de 2005.

Aqui fica o seu site pessoal onde, entre todas as informações sobre a artista, podemos ver fotografias fantásticas dos seus trabalhos e até vídeos. Definitivamente a não perder.

terça-feira, 25 de abril de 2006

VIVA O DIA 25/4/74 - DIA DA LIBERTAÇÃO DE PORTUGAL

Vila Franca, 26/4/74

VIVA O DIA 25/4/74.
DIA DA LIBERTAÇÃO DE PORTUGAL


Minha muito querida pikonera extravestida:

Escrevo-te num canto com a espingarda ao ombro. Canto esse que me abriga pois está frio e vento. São 4 horas da manhã. Tudo vai bem. Até agora não descansei um bocado, mas felizmente que estamos de prevenção por algo importante para nós.
Não posso escrever-te mais por hoje. Pensa em mim. Recebi hoje à tarde uma carta tua, em que pensas que vou aí, mas como o quartel está de prevenção por uma coisa que tu quando receberes esta carta já sabes.
Quantas saudades já tenho de ti. Falta pouco agora para te ver. Sinto-o
Beijos sem fim daquele que muito te ama e te traz sempre com ele em pensamento,

O TEU

ZL

AMO-TE.


(carta para pikonera extravestida em plena revolução dos cravos)

AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU




Era uma vez um país

onde entre o mar e a guerra

vivia o mais infeliz

dos povos à beira-terra.


Onde entre vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

um povo se debruçava

como um vime de tristeza

sobre um rio onde mirava

a sua própria pobreza.


Era uma vez um país

onde o pão era contado

onde quem tinha a raiz

tinha o fruto arrecadado

onde quem tinha o dinheiro

tinha o operário algemado

onde suava o ceifeiro

que dormia com o gado

onde tossia o mineiro

em Aljustrel ajustado

onde morria primeiro

quem nascia desgraçado.


Era uma vez um país

de tal maneira explorado

pelos consórcios fabris

pelo mando acumulado

pelas ideias nazis

pelo dinheiro estragado

pelo dobrar da cerviz

pelo trabalho amarrado

que até hoje já se diz

que nos tempos do passado

se chamava esse país

Portugal suicidado.


Ali nas vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

vivia um povo tão pobre

que partia para a guerra

para encher quem estava podre

de comer a sua terra.



Um povo que era levado

para Angola nos porões

um povo que era tratado

como a arma dos patrões

um povo que era obrigado

a matar por suas mãos

sem saber que um bom soldado

nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém

que dentro de um povo escravo

alguém que lhe queria bem

um dia plantou um cravo.



Era a semente da esperança

feita de força e vontade

era ainda uma criança

mas já era a liberdade.



Era já uma promessa

era a força da razão

do coração à cabeça

da cabeça ao coração.

Quem o fez era soldado

homem novo capitão

mas também tinha a seu lado

muitos homens na prisão.



Esses que tinham lutado

a defender um irmão

esses que tinham passado

o horror da solidão

esses que tinham jurado

sobre uma côdea de pão

ver o povo libertado

do terror da opressão.


Não tinham armas é certo

mas tinham toda a razão

quando um homem morre perto

tem de haver distanciação

uma pistola guardada

nas dobras da sua opção

uma bala disparada

contra a sua própria mão

e uma força perseguida

que na escolha do mais forte

faz com que a força da vida

seja maior do que a morte.


Quem o fez

era soldado

homem novo capitão

mas também tinha a seu lado

muitos homens na prisão.


Posta a semente do cravo

começou a floração

do capitão ao soldado

do soldado ao capitão.



Foi então que o povo armado

percebeu qual a razão

porque o povo despojado

lhe punha as armas na mão.



Pois também ele humilhado

em sua própria grandeza

era soldado forçado

contra a pátria portuguesa.



Era preso e exilado

e no seu próprio país

muitas vezes estrangulado

pelos generais senis.


Capitão que não comanda

não pode ficar calado

é o povo que lhe manda

ser capitão revoltado

é o povo que lhe diz

que não ceda e não hesite

- pode nascer um país

do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue

contra a posição contrária

nunca oprime nem persegue

- é força revolucionária!


Foi então que Abril abriu

as portas da claridade

e a nossa gente invadiu

a sua própria cidade.


Disse a primeira palavra

na madrugada serena

um poeta que cantava

o povo é quem mais ordena.


E então por vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

desceram homens sem medo

marujos soldados 'páras'

que não queriam o degredo

dum povo que se separa.

E chegaram à cidade

onde os monstros se acoitavam

era a hora da verdade

para as hienas que mandavam

a hora da claridade

para os sóis que despontavam

e a hora da vontade

para os homens que lutavam.


Em idas vindas esperas

encontros esquinas e praças

não se pouparam as feras

arrancaram-se as mordaças

e o povo saiu à rua

com sete pedras na mão

e uma pedra de lua

no lugar do coração.


Dizia soldado amigo

meu camarada e irmão

este povo está contigo

nascemos do mesmo chão

trazemos a mesma chama

temos a mesma ração

dormimos na mesma cama

comendo do mesmo pão.

Camarada e meu amigo

soldadinho ou capitão

este povo está contigo

a malta dá-te razão.


Foi esta força sem tiros

de antes quebrar que torcer

esta ausência de suspiros

esta fúria de viver

este mar de vozes livres

sempre a crescer a crescer

que das espingardas fez livros

para aprendermos a ler

que dos canhões fez enxadas

para lavrarmos a terra

e das balas disparadas

apenas o fim da guerra.


Foi esta força viril

de antes quebrar que torcer

que em vinte e cinco de Abril

fez Portugal renascer.


E em Lisboa capital

dos novos mestres de Aviz

o povo de Portugal

deu o poder a quem quis.


Mesmo que tenha passado

às vezes por mãos estranhas

o poder que ali foi dado

saiu das nossas entranhas.

Saiu das vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

onde um povo se curvava

como um vime de tristeza

sobre um rio onde mirava

a sua própria pobreza.



E se esse poder um dia

o quiser roubar alguém

não fica na burguesia

volta à barriga da mãe.

Volta à barriga da terra

que em boa hora o pariu

agora ninguém mais cerra

as portas que Abril abriu.



Essas portas que em Caxias

se escancararam de vez

essas janelas vazias

que se encheram outra vez

e essas celas tão frias

tão cheias de sordidez

que espreitavam como espias

todo o povo português.

Agora que já floriu

a esperança na nossa terra

as portas que Abril abriu

nunca mais ninguém as cerra.



Contra tudo o que era velho

levantado como um punho

em Maio surgiu vermelho

o cravo do mês de Junho.



Quando o povo desfilou

nas ruas em procissão

de novo se processou

a própria revolução.


Mas eram olhos as balas

abraços punhais e lanças

enamoradas as alas

dos soldados e crianças.


E o grito que foi ouvido

tantas vezes repetido

dizia que o povo unido

Jamais seria vencido.


Contra tudo o que era velho

levantado como um punho

em Maio surgiu vermelho

o cravo do mês de Junho.



E então operários mineiros

pescadores e ganhões

marçanos e carpinteiros

empregados dos balcões

mulheres a dias pedreiros

reformados sem pensões

dactilógrafos carteiros

e outras muitas profissões

souberam que o seu dinheiro

era presa dos patrões.


A seu lado também estavam

jornalistas que escreviam

actores que se desdobravam

cientistas que aprendiam

poetas que estrebuchavam

cantores que não se vendiam

mas enquanto estes lutavam

é certo que não sentiam

a fome com que apertavam

os cintos dos que os ouviam.


Porém cantar é ternura

escrever constrói liberdade

e não há coisa mais pura

do que dizer a verdade.


E uns e outros irmanados

na mesma luta de ideais

ambos sectores explorados

ficaram partes iguais.


Entanto não descansavam

entre pragas e perjúrios

agulhas que se espetavam

silêncios boatos murmúrios

risinhos que se calavam

palácios contra tugúrios

fortunas que levantavam

promessas de maus augúrios

os que em vida se enterravam

por serem falsos e espúrios

maiorais da minoria

que diziam silenciosa

e que em silêncio fazia

a coisa mais horrorosa:

minar como um sinapismo

e com ordenados régios

o alvor do socialismo

e o fim dos privilégios.


Foi então se bem vos lembro

que sucedeu a vindima

quando pisámos Setembro

a verdade veio acima.


E foi um mosto tão forte

que sabia tanto a Abril

que nem o medo da morte

nos fez voltar ao redil.


Ali ficámos de pé

juntos soldados e povo

para mostrarmos como é

que se faz um país novo.


Ali dissemos não passa!

E a reacção não passou.

Quem já viveu a desgraça

odeia a quem desgraçou.


Foi a força do Outono

mais forte que a Primavera

que trouxe os homens sem dono

de que o povo estava à espera.


Foi a força dos mineiros

pescadores e ganhões

operários e carpinteiros

empregados dos balcões

mulheres a dias pedreiros

reformados sem pensões

dactilógrafos carteiros

e outras muitas profissões

que deu o poder cimeiro

a quem não queria patrões.


nós repartimos o pão

é que acabaram os bodos

- cumpriu-se a revolução.


Poema de José Carlos Ary dos Santos

Julho - Agosto 1975. In 'José Carlos Ary dos Santos - Obra Poética'

Edições AVANTE!


Ary

Venham mais cinco



Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar


A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar



Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei



Zeca Afonso

Selvajarias inofensivas e divinais a cheirarem a cravanço...






Nunca te deixes cravar... por um cravo sem cheiro... e muito menos por uma manada... de cravos... a cheirar mal... porque assim é a verdadeira extinção ....dos cravos que já fazem parte de algo... em vias de...

25 de Abril




Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sofia Mello Breyner in O nome das coisas (1977)

Publicado por Cris em abril 25, 2004 01:33 AM