terça-feira, 25 de abril de 2006

AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU




Era uma vez um país

onde entre o mar e a guerra

vivia o mais infeliz

dos povos à beira-terra.


Onde entre vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

um povo se debruçava

como um vime de tristeza

sobre um rio onde mirava

a sua própria pobreza.


Era uma vez um país

onde o pão era contado

onde quem tinha a raiz

tinha o fruto arrecadado

onde quem tinha o dinheiro

tinha o operário algemado

onde suava o ceifeiro

que dormia com o gado

onde tossia o mineiro

em Aljustrel ajustado

onde morria primeiro

quem nascia desgraçado.


Era uma vez um país

de tal maneira explorado

pelos consórcios fabris

pelo mando acumulado

pelas ideias nazis

pelo dinheiro estragado

pelo dobrar da cerviz

pelo trabalho amarrado

que até hoje já se diz

que nos tempos do passado

se chamava esse país

Portugal suicidado.


Ali nas vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

vivia um povo tão pobre

que partia para a guerra

para encher quem estava podre

de comer a sua terra.



Um povo que era levado

para Angola nos porões

um povo que era tratado

como a arma dos patrões

um povo que era obrigado

a matar por suas mãos

sem saber que um bom soldado

nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém

que dentro de um povo escravo

alguém que lhe queria bem

um dia plantou um cravo.



Era a semente da esperança

feita de força e vontade

era ainda uma criança

mas já era a liberdade.



Era já uma promessa

era a força da razão

do coração à cabeça

da cabeça ao coração.

Quem o fez era soldado

homem novo capitão

mas também tinha a seu lado

muitos homens na prisão.



Esses que tinham lutado

a defender um irmão

esses que tinham passado

o horror da solidão

esses que tinham jurado

sobre uma côdea de pão

ver o povo libertado

do terror da opressão.


Não tinham armas é certo

mas tinham toda a razão

quando um homem morre perto

tem de haver distanciação

uma pistola guardada

nas dobras da sua opção

uma bala disparada

contra a sua própria mão

e uma força perseguida

que na escolha do mais forte

faz com que a força da vida

seja maior do que a morte.


Quem o fez

era soldado

homem novo capitão

mas também tinha a seu lado

muitos homens na prisão.


Posta a semente do cravo

começou a floração

do capitão ao soldado

do soldado ao capitão.



Foi então que o povo armado

percebeu qual a razão

porque o povo despojado

lhe punha as armas na mão.



Pois também ele humilhado

em sua própria grandeza

era soldado forçado

contra a pátria portuguesa.



Era preso e exilado

e no seu próprio país

muitas vezes estrangulado

pelos generais senis.


Capitão que não comanda

não pode ficar calado

é o povo que lhe manda

ser capitão revoltado

é o povo que lhe diz

que não ceda e não hesite

- pode nascer um país

do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue

contra a posição contrária

nunca oprime nem persegue

- é força revolucionária!


Foi então que Abril abriu

as portas da claridade

e a nossa gente invadiu

a sua própria cidade.


Disse a primeira palavra

na madrugada serena

um poeta que cantava

o povo é quem mais ordena.


E então por vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

desceram homens sem medo

marujos soldados 'páras'

que não queriam o degredo

dum povo que se separa.

E chegaram à cidade

onde os monstros se acoitavam

era a hora da verdade

para as hienas que mandavam

a hora da claridade

para os sóis que despontavam

e a hora da vontade

para os homens que lutavam.


Em idas vindas esperas

encontros esquinas e praças

não se pouparam as feras

arrancaram-se as mordaças

e o povo saiu à rua

com sete pedras na mão

e uma pedra de lua

no lugar do coração.


Dizia soldado amigo

meu camarada e irmão

este povo está contigo

nascemos do mesmo chão

trazemos a mesma chama

temos a mesma ração

dormimos na mesma cama

comendo do mesmo pão.

Camarada e meu amigo

soldadinho ou capitão

este povo está contigo

a malta dá-te razão.


Foi esta força sem tiros

de antes quebrar que torcer

esta ausência de suspiros

esta fúria de viver

este mar de vozes livres

sempre a crescer a crescer

que das espingardas fez livros

para aprendermos a ler

que dos canhões fez enxadas

para lavrarmos a terra

e das balas disparadas

apenas o fim da guerra.


Foi esta força viril

de antes quebrar que torcer

que em vinte e cinco de Abril

fez Portugal renascer.


E em Lisboa capital

dos novos mestres de Aviz

o povo de Portugal

deu o poder a quem quis.


Mesmo que tenha passado

às vezes por mãos estranhas

o poder que ali foi dado

saiu das nossas entranhas.

Saiu das vinhas sobredos

vales socalcos searas

serras atalhos veredas

lezírias e praias claras

onde um povo se curvava

como um vime de tristeza

sobre um rio onde mirava

a sua própria pobreza.



E se esse poder um dia

o quiser roubar alguém

não fica na burguesia

volta à barriga da mãe.

Volta à barriga da terra

que em boa hora o pariu

agora ninguém mais cerra

as portas que Abril abriu.



Essas portas que em Caxias

se escancararam de vez

essas janelas vazias

que se encheram outra vez

e essas celas tão frias

tão cheias de sordidez

que espreitavam como espias

todo o povo português.

Agora que já floriu

a esperança na nossa terra

as portas que Abril abriu

nunca mais ninguém as cerra.



Contra tudo o que era velho

levantado como um punho

em Maio surgiu vermelho

o cravo do mês de Junho.



Quando o povo desfilou

nas ruas em procissão

de novo se processou

a própria revolução.


Mas eram olhos as balas

abraços punhais e lanças

enamoradas as alas

dos soldados e crianças.


E o grito que foi ouvido

tantas vezes repetido

dizia que o povo unido

Jamais seria vencido.


Contra tudo o que era velho

levantado como um punho

em Maio surgiu vermelho

o cravo do mês de Junho.



E então operários mineiros

pescadores e ganhões

marçanos e carpinteiros

empregados dos balcões

mulheres a dias pedreiros

reformados sem pensões

dactilógrafos carteiros

e outras muitas profissões

souberam que o seu dinheiro

era presa dos patrões.


A seu lado também estavam

jornalistas que escreviam

actores que se desdobravam

cientistas que aprendiam

poetas que estrebuchavam

cantores que não se vendiam

mas enquanto estes lutavam

é certo que não sentiam

a fome com que apertavam

os cintos dos que os ouviam.


Porém cantar é ternura

escrever constrói liberdade

e não há coisa mais pura

do que dizer a verdade.


E uns e outros irmanados

na mesma luta de ideais

ambos sectores explorados

ficaram partes iguais.


Entanto não descansavam

entre pragas e perjúrios

agulhas que se espetavam

silêncios boatos murmúrios

risinhos que se calavam

palácios contra tugúrios

fortunas que levantavam

promessas de maus augúrios

os que em vida se enterravam

por serem falsos e espúrios

maiorais da minoria

que diziam silenciosa

e que em silêncio fazia

a coisa mais horrorosa:

minar como um sinapismo

e com ordenados régios

o alvor do socialismo

e o fim dos privilégios.


Foi então se bem vos lembro

que sucedeu a vindima

quando pisámos Setembro

a verdade veio acima.


E foi um mosto tão forte

que sabia tanto a Abril

que nem o medo da morte

nos fez voltar ao redil.


Ali ficámos de pé

juntos soldados e povo

para mostrarmos como é

que se faz um país novo.


Ali dissemos não passa!

E a reacção não passou.

Quem já viveu a desgraça

odeia a quem desgraçou.


Foi a força do Outono

mais forte que a Primavera

que trouxe os homens sem dono

de que o povo estava à espera.


Foi a força dos mineiros

pescadores e ganhões

operários e carpinteiros

empregados dos balcões

mulheres a dias pedreiros

reformados sem pensões

dactilógrafos carteiros

e outras muitas profissões

que deu o poder cimeiro

a quem não queria patrões.


nós repartimos o pão

é que acabaram os bodos

- cumpriu-se a revolução.


Poema de José Carlos Ary dos Santos

Julho - Agosto 1975. In 'José Carlos Ary dos Santos - Obra Poética'

Edições AVANTE!


Ary

Venham mais cinco



Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar


A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar



Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei



Zeca Afonso

Selvajarias inofensivas e divinais a cheirarem a cravanço...






Nunca te deixes cravar... por um cravo sem cheiro... e muito menos por uma manada... de cravos... a cheirar mal... porque assim é a verdadeira extinção ....dos cravos que já fazem parte de algo... em vias de...

25 de Abril




Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sofia Mello Breyner in O nome das coisas (1977)

Publicado por Cris em abril 25, 2004 01:33 AM

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Hipertensão Arterial

"A hipertensão ocorre quando os níveis de pressão arterial se mencontrame acima dos valores de referência para a população em geral.
Embora o valor normalmente admitido seja de 120x80mmHg, considera-se alteração da pressão apenas quando os valores forem superiores a 140x90mmHg.
Qualquer indivíduo pode apresentar, esporadicamente, níveis de pressão arterial maiores do que 140x90mmHg, sem que seja considerado hipertenso. Apenas a manutenção de níveis permanentemente elevados, em múltiplas medições, em diferentes horários e posições e condições (repouso, sentado ou deitado) caracteriza a hipertensão arterial.
Esta situação aumenta o risco de problemas cardiovasculares futuros, como Infarte agudo do miocárdio ou Derrame Cerebral, por exemplo. A possibilidade destes problemas é log-linear, ou seja, cresce de maneira contínua em escala logarítmica." in wikipédia

Algumas curiosidades...

  • Muitos sofrem da "síndrome do colete branco", que aumenta a pressão arterial do paciente no momento da consulta com o médico. Isso pode causar um engano, ao diagnosticar como hipertensa uma pessoa que, em outras circunstâncias, apresenta pressão arterial normal.

  • A hipertensão não tem cura, mas pode ser controlada.

  • A hipertensão pode ocorrer em qualquer pessoa, mas é mais severa em pessoas da raça negra, mais susceptível em pessoas obesas e sua incidência aumenta conforme a idade.

  • Existem dois tipos de hipertensão arterial: primária e secundária. A diferença entre as duas é que na secundária - 5% dos casos - é possível identificar o motivo (como entupimento da artéria do rim e outros distúrbios renais, má formação da aorta e tumores). Ainda na secundária, uma vez tratado o problema básico, existe grandes hipóteses de cura.

  • Os inimigos da pressão arterial são excesso na ingestão de álcool ou de sal, obesidade, stress prolongado, vida sedentária, diabetes e predisposição hereditária.

  • Para prevenir a hipertensão, as pessoas devem reduzir o sal da alimentação, mudar o estilo de vida, parar de fumar, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e praticar exercícios físicos aeróbicos.

  • A hipertensão é a 1ª causa de morte em Portugal. Erros comuns - Achar que pressão baixa é tão prejudicial quanto a pressão alta - Usar o saleiro antes de provar o alimento - Considerar-se velho para começar a fazer exercícios - Ser "atleta" somente nos finais de semana - Deixar o tratamento porque a pressão abaixou momentaneamente.

  • Quando o médico diz que a pressão normal de uma pessoa é de 120 x 80, a unidade de medida utilizada é o milímetro de mercúrio. Constatando que a pressão sistólica (quando o coração se contrai para enviar o sangue para todo o corpo) é de 120, equivale dizer que essa pressão é suficiente para preencher com mercúrio uma coluna de 120 milímetros.

  • O nome do aparelho utilizado para medir a pressão arterial é esfigmomanómetro.

  • A quantidade necessária de ingestão de sal por dia é equivalente a uma colher de café.

  • Sabe-se que a primeira medida experimental da pressão arterial foi feita, em 1711, por Stephen Halles, na Inglaterra. A pressão foi medida em um cavalo, que teve de ser imobilizado por um grande número de estudantes.

  • O primeiro livro que apareceu no Brasil sobre distúrbios de pressão foi o de Genival Londres, do Rio de Janeiro, em 1945, chamado "Hipertensão Arterial, patologia, clínica e terapêutica", editado pela Livraria Agir Editore.

  • Tabela de pressão arterial:
  • Óptima (até 120 - até 80)
  • Normal (até 130 - até 85)
  • Limítrofe (até 140 - até 90)
  • Alta (a partir de 140 - a partir de 90).

As informações são da Literal Link - Comunicação Integrada.

E se o tema interessa: mais sobre hipertensão

Paulo de Carvalho celebra 40 anos de carreira

"Paulo de Carvalho celebra 40 anos de carreira como o álbum "Vida", que é editado hoje, onde regista alguns êxitos, nomeadamente "E depois do adeus", canção que serviu de senha para a Revolução dos Cravos, em 1974."

Saber mais no JN

domingo, 23 de abril de 2006

NÃO TE MOVAS (o meu livro escolhido e recomendado para hoje...)

Descrição da editora

Escrito na primeira pessoa, "Não te Movas" é um pungente monólogo de um homem, um cirurgião, falando com a sua filha de quinze anos. Depois de um acidente de mota, ela é levada para o mesmo hospital onde o pai trabalha. Agora, numa sala adjacente ao bloco operatório, ele espera enquanto um amigo a opera ao cérebro. Ela está gravemente ferida e pode morrer. Enquanto espera, petrificado pelo terror e pela dor, ele começa um diálogo interior com a filha, revelando o seu mais secreto íntimo. Subitamente, o respeitado profissional, o tépido marido de uma brilhante jornalista, o distraído pai de uma adolescente como tantas outras, é forçado a por a nú, perante a filha e ele próprio, uma verdade há muito omitida. Sozinho, no silêncio que o envolve, ele fala com a sua filha Angela, dizendo-lhe para não morrer, para não se mover. Lentamente ele revela um segredo doloroso, cuidadosamente escondido, que agora volta, cortante e vívido, como um bisturi que penetra a carne viva das recordações.

Mazzantini, Margaret

sábado, 22 de abril de 2006

amanhã...

O "Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor" é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril, dia de São Jorge.
Esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas UMA ROSA VERMELHA DE SÃO JORGE (Saint Jordi) e recebem em troca, UM LIVRO.
Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril.
Partilhar livros e flores, nesta primavera, é prolongar uma longa cadeia de alegria e cultura, de saber e paixão.

Livro

terça-feira, 18 de abril de 2006

Albert Einstein morreu há 51 anos

Albert Einstein (Ulm, Alemanha, 14 de Março de 1879 - Princeton, EUA, 18 de Abril de 1955) foi o físico que propôs a teoria da relatividade. Ganhou o Prémio Nobel da Física de 1921 pela correcta explicação do efeito fotoeléctrico; no entanto, o prémio só foi anunciado em 1922. O seu trabalho teórico sugeriu a possibilidade da criação de uma bomba atómica, apesar de ter sido contra seu desenvolvimento como arma de destruição em massa.
Após a formulação da teoria da relatividade em Junho de 1905, Einstein tornou-se famoso a nível mundial, na época algo de pouco comum para um cientista. Nos seus últimos anos, a sua fama excedeu a de qualquer outro cientista na história, e na cultura popular, Einstein tornou-se um sinónimo de alguém com uma grande inteligência e um grande génio. A sua face é uma das mais conhecidas em todo o mundo. Em sua honra, foi atribuído o seu nome a uma unidade usada na fotoquímica, o einstein, bem como a um elemento químico, o einsteinium.
Foi um dos maiores génios da Física, tendo seu QI estimado em cerca de 240. Algumas fontes informam um suposto resultado de 158, provavelmente limitado pelo tecto do teste.

Mais (wikipédia)

ONE RED PAPERCLIP

Ele há cada um...

"My name is Kyle MacDonald and I am making a series of up-trades for bigger or better things up to my goal of a house. I started with one red paperclip on July 12th, 2005. You can read stories about each trade by clicking on the pictures to the left. I'd suggest starting here. You can make offers for my current object here: oneredpaperclip@gmail.com I will travel ANYWHERE for the right offer - including Yahk, British Columbia, Canada."

Extraordinário...

sexta-feira, 14 de abril de 2006

CRISTO ÍNDIO

óleo de pikonera extravestida

Centenário do nascimento de Samuel Beckett

Samuel Beckett (Dublim, 13 de abril de 1906 - Paris, 22 de dezembro de 1989) foi um dramaturgo e escritor Irlandês.
Vencedor do Prémio Nobel de Literatura em 1969, utiliza em sua obra, traduzida em mais de trinta línguas, uma riqueza metafórica imensa, privilegiando uma visão pessimista acerca do fenómeno humano. É considerado um dos principais autores do denominado teatro do absurdo.

Passeando num dia de céu azul, alguém perguntou se isso não o fazia feliz. Beckett respondeu: "Não iria tão longe".

Mais sobre Beckett

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Casa da Música de portas abertas este fim-de-semana

"A Casa da Música, no Porto, assinala o 1º aniversário abrindo as portas ao público e convidando-o a visitar os seus espaços, no próximo fim-de-semana, nos dias 15 e 16 de Abril, das 10h00 às 20h00."

Há que aproveitar, pois aquilo às vezes parece uma casa forte.



Ler mais no Jornal Digital

quarta-feira, 12 de abril de 2006

UMA BOA NOTÍCIA

De acordo com a edição desta quarta-feira do DN, o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) vai começar a apreender na última semana de Abril 6.353 veículos topo de gama que já estão identificados e que pertencem a 1.373 contribuintes com dívidas que totalizam 59 milhões de euros!

Finalmente, uma boa notícia para quem paga cada cêntimo dos seus impostos.

ps. Vi hoje o Mário Ferreira a conduzir um bólide destes. Muito lindo.

terça-feira, 11 de abril de 2006

selvajarias inofensivas...a cheirar a monte...

hoje estou assim...perdida no meio delas...

O WINDOWS, À ESPREITA DO MAC

"Desde a mudança para o coração Intel, os Macs são máquinas com mais ou menos a mesma estrutura que os PCs. Então, com algum malabarismo técnico, já era possível instalar neles o Windows. A diferença é que, agora, a própria Apple oferece uma solução."






Interessante leitura sobre a possibilidade de uma repentina ameaça ao Windows.

Cuidado com a voz sensual

O Dia Mundial da Voz comemora-se há quatro anos a 16 de Abril, mas este ano, porque a data coincide com o dia de Páscoa, as comemorações foram antecipadas.

A propósito da data, Mário Andrea, o responsável pelo serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de Santa Maria, disse à Agência Lusa que uma pessoa rouca nunca deve receber elogios pela voz sensual mas sim conselhos para ir ao médico, para tratar a mais que provável laringite crónica.

Atenção à voz sensual, pode ser um duplo perigo.

E se o tema lhe interessa...

Saúde gasta 9% do PIB

Entre 2000 e 2003, o Estado Português gastou cerca de 9 por cento do PIB em Saúde. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, só em 2003 foram gastos mais de 2500 milhões de contos.

Num país de muita gente - não toda, é certo - doente, deprimida, angustiada, triste, pessimista e invejosa, é natural que a produtividade seja baixa.

Ler artigo do DN

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Primeira biografia de Natália Correia

"Obra, da autoria de Maria Amélia Campos, é apresentada esta sexta-feira na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.

A primeira biografia de Natália Correia, «A Senhora da Rosa», é apresentada esta sexta-feira em Lisboa, 14 anos depois da morte da escritora e poetisa, pela sua autora, a investigadora Maria Amélia Campos.

Em declarações à agência Lusa, Maria Amélia Campos afirmou ter chegado à autora de «A Pécora» através do estudo dos discursos das deputadas eleitas antes e depois do 25 de Abril de 1974, cuja investigação publicou em 2002.

«Apercebi-me de imediato de uma diferença notável entre o discurso da Natália e os das outras deputadas, o que levou a interessar-me pela sua vida, tanto mais que nunca privei com ela. Só conheci a Natália Correia como figura pública», explicou a autora.

A obra traça em 14 capítulos, «tal como as 14 estações da via sacra», a vida da escritora cuja obra é, realçou, «mal conhecida e pouco estudada porque a figura da mulher se sobrepôs sempre à sua obra».

«Conhecíamos antes de mais a Natália Correia e as causas em que se empenhava, antes de conhecermos a sua obra, apesar de toda a polémica que por vezes a rodeava», disse.

Para escrever «A Senhora da Rosa», a investigadora fez uma pesquisa em vários arquivos pessoais e ouviu testemunhos de pessoas que conviveram com Natália Correia.

«Procurei cruzar as diferentes informações com as que a própria Natália dá ao longo da sua obra», explicou a autora.

Natália Correia nasceu na Fajã de Baixo (Ponta Delgada) em 1923 e morreu em Lisboa em 1993. Romancista, ensaísta e poeta, foi também deputada à Assembleia da República.

A sua obra dispersa-se por vários géneros, desde o teatro ao ensaio, passando pela narrativa e poesia. Entre os títulos publicados contam-se «Anoiteceu no Bairro», «A Pécora», «Ilha de Circe», «Antologia da Poesia Erótica e Satírica», «O Encoberto», «Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente» e «Somos Todos Hispanos».

A obra que é apresentada esta sexta-feira na Sociedade Portuguesa de Autores, inclui em anexo vários documentos relativos ao percurso escolar de Natália, reproduz auto-retratos seus, bem como uma cronologia e lista de obras editadas."

(Notícia do Portugal Diário)

mais

O sol nas noites e o luar nos dias



De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


Natália Correia