segunda-feira, 16 de maio de 2005

pag. 89

"...Ao pôr-do-sol, saímos. Caminhámos de mãos dadas dentro daquele subúrbio espectral, quase sempre em silêncio, escutando o som dos nossos passos, confiando àquele mundo nocturno os nossos pensamentos. Nunca afrouxei a pressão da minha mão, nem ela afrouxou a sua. Parecia-me estranho ter ao lado aquela mulher que não conhecia muito bem, e que, ainda assim, sentia tão íntima. Maquilhara-se para sair. Eu espreitara-a enquanto, debruçada sobre um pedaço de espelho, decalcava apressadamente os contornos daqueles traços que lhe deviam parecer demasiado frágeis. Aquela maquilhagem, os sapatões onde se tinha empoleirado, o cabelo descolorado...Não havia uma única coisa nela que correspondesse aos meus gostos... E todavia era ela, Itália , e gostava de tudo nela. Sem saber a razão. Naquela noite, ela era tudo aquilo que eu desejava..."

NÃO TE MOVAS

(Maragaret Mazzantini)

domingo, 8 de maio de 2005

...sem pontuação...este pensamento...foge em teclares...rápidos...e alucinantes...

há momentos em que apetece não parar ...cuspir todas as gotas...
do pensamento ...mesmo aquele que deambula por todas as paredes da pele... e quer... sair por todos os poros mesmo que a pele esteja sensível tenha apanhado sol ...golpe ou arranhão ou mesmo esculpida... com paredes para enfeitar o processo ...da não fuga ...ou do aferrolhar ...


...mas teimando em confusões... de coisas sem sentido ...ou então com muitos sentidos ...só entendidos por quem os sente ...ou se os lê também se pode rever ...às vezes parecem loucos ...levados por rios de calmaria... ou vendavais a levantar tempestades... inquietudes ...do eu... introspecções... que teimam em continuar em ritmo alucinante ...sem quase parar para sossegar o momento... ou o pensamento... ou a dor... ou a felicidade passada... junta com a presente... coisas de loucura... de meditações em lareiras de fogo... em aldeia com cheirinho a carqueja ...a espreitar janelas com lua ...e caminhos a reflectir a bosta ...que ainda existe e continua nas recordações ...de menina...

...estar aqui...


(pintura de pikonera extravestida)

...alma enevoada em tempo de reflexões selvagens e doridas pela queima de espreitadelas... que se repetem...


...enevoado estava o tempo...o ritmo da marcha também contemplava a alma ... que queria descobrir o sol ...teimando em espreitar... ...não sei se era a maré vaza... ...a pouca gente a namorar o vento frio... ...ou as gaivotas que não estavam no sítio... do costume... ...às vezes a alma está sem sentido... ou então com sentido ....mas sem querer acreditar ... ...devem ser os sonhos... quem sabe as fantasias... em que ela acredita...às vezes também a levaram a acreditar... ou então usaram-na ...impondo condições... e ela acreditou que tudo se transformaria ...sempre em fins de tarde laranja... às vezes a alma tem destas coisas... pinta em tela um óleo naif ...que nem sei se fica encostado...de costas para a parede... se dependurado... ou se repete muitas vezes até se fazer uma exposição...a alma vai ser a mesma...o tema também...as cores é que podem ser diferentes...

sábado, 7 de maio de 2005

Luiz Eduardo Robinson Achutti


...a espera de Julia...

...ainda à solta...em gavetinhas...esta tb...é de sábado...:)))


...continuação do mesmo dia...

...hoje é dia de fantasmas...


...hoje é dia ...de fantasmas...fantasmas ....de...mim...

(pintura de pikonera extravestida)

segunda-feira, 2 de maio de 2005

...morreu um amigo meu...

...o Achutti mandava-me este texto aquando da morte do Bresson...


hoja tb morreu um amigo meu...e eu penso no Luís Achutti no seu amor...ao Bresson e na morte...e nas pessoas que nos tocam...

Morreu um amigo meu


"Para compreender a História, você deve preservar uma certa forma de inocência. Meu único segredo foi o de aproveitar o meu tempo, e sobretudo o tempo de viver com as pessoas ... e depois saber esquecer de mim mesmo". (H C -B)


Há pessoas e artistas que são referência na vida e no trabalho da gente. E como começar um texto que possa ao mesmo tempo render tributo e dar conta da importância de uma trajetória.

Talvez seja o caso de primeiro refletir sobre o meio de expressão desse artista, a fotografia. A fotografia pode ser muito complicada. Há cameras de vários tipos com lentes angulares, normais, teleobjetivas. Há também filtros, filmes váriados, fotômetros, valores de diafragmas e obturadores. Ou ainda, cartões de memória, pixels por polegada, extenções de arquivos, compactados ou não, etc. Isso tudo se aprende.

A fotografia pode ser muito simples, sua força está na composição, na forma como se escolhe recortar a realidade com as ferramentas da intuição e da nossa visão de mundo. Fotografias são traduções pessoais, são segredos, ocorridos em frações de segundos, oferecidos publicamente. A fotografia quando é simples não é fácil de ensinar.

Morreu um fotógrafo amigo meu. Amigo é aquele que está repetidamente no pensamento da gente. Uma pessoa na qual nos inspiramos, e com quem necessáriamente rivalizamos. Sim porque um amigo é importante quando achamos que ele tem qualidades que devemos também ter, até para poder merece-lo. Um amigo, amigo mesmo, podemos ficar longo tempo sem encontrá-lo pessoalmente, tendo sempre a certeza de que de uma hora para outra isso irá acontecer.

Claro que ele não sabia que eu era seu amigo, se por outra razão não fosse, porque sempre vivi no sul do Brasil e ele na França. Bem verdade que quando morei por quatro anos em Paris, não ousei fazer-lhe visita, apenas enviei-lhe uma carta no dia do seu aniversário, acompanhada de um livro com minhas fotografias. Meu amigo era um fotógrafo especial.

Na verdade ele era uma espécie de caçador de imagens - metáfora que ele mesmo usava. Gostava de estar na espreita, antevia uma geometria possível para preencher um retângulo e passava a esperar o "instante decisivo" para poder fixar nesse formato, de forma harmônica, suas traduções da realidade. Ele era tímido e intempestivo, daqueles que podem a tudo renunciar de um momento para outro, mas era obstinado também, detalhista. Um fotógrafo generosamente interessado pela humanidade. Talvez tenha sido essa a maior qualidade do Henri Cartier-Bresson flâneur do mundo.

O Bresson, que morreu com 95 anos e há trinta não mais fotografava, foi referência para várias gerações de fotógrafos. Ele tornou-se profissional em 1946, foi fundador de uma das principais agências de fotojornalismo, a Magnum em 47. Fotografou a liberação de Paris, os funerais de Gandhi, a China, Cuba, India, etc. Bresson foi o primeiro fotógrafo ocidental a ter em 1955 autorização para fotografar na URSS.

Alguém disse que meu amigo, com sua Leica, "fotografava como um gato, sem incomodar". Bresson afirmava, "eu não tenho nem mensagem nem missão, eu tenho um ponto de vista". Quando era questionado sobre a qualidade artística das suas fotografias ele dizia não saber o que era fazer arte, e usava como metáfora o amor,"quando se faz amor a gente não fica pensando o que é o amor".

Quando penso fotografia, logo lembro daquela foto do Bresson do menino com duas garrafas de vinho em uma esquina da rua Mouffetard. Uma vez escutei pelo rádio a seguinte homenagem para um artista falecido: "eu amigo era um verdadeiro artista, pois ele sabia como ninguém encantar a matéria ordinária".
Meu amigo Bresson sabia como nenhum outro encantar o mundo.

Luiz Eduardo Achutti, 05 de agosto de 2004.
Fotógrafo, doutor em antropologia e professor do Instituto de Artes da UFRGS.

domingo, 1 de maio de 2005

mãe

Aquela que dá a vida foi sempre o símbolo maior de fecundidade, expresso pela grande deusa mãe: Gaia, Rhea, Deméter entre os gregos, Isís, Ishtar, Astarte Kali (na Índia, esta é a realidade do princípio feminino, a mãe divina e a força vital).
A magna Mater, mãe dos deuses, veio da Frígia para o mundo greco-romano com o nome de Cibeles; o seu culto matriarcal será associado ao de Attis por meio de ritos sangrentos (tauróbolo, castração), ela continuará a ser a grande Mãe galo-romana, assimilada à deusa da Terra, frequentemente representada por uma mulher amamentando uma criança.
No mundo celta, é a única divindade feminina com aspectos diferentes.
O cristianismo sublimará estas antigas Theotokos ou Mãe de Deus a quem dá a natureza humana.


M.-M. THIOLLIER

(Dicionário das Religiões)

sexta-feira, 29 de abril de 2005

SLOG DA SEMANA



Harmonic 33, aka Mark Pritchard (Jedi Knights, Reload, Global Communications) and Dave Brinkworth, release "Music for Film, Television and Radio Vol. 1" on Mon 7th Feb. (WARP127, CD, 1LP)

"The album harks back to the early days of 60s and 70s electronic library music - KPM, Telemusic, Bosworth, De Wolfe and Chappell, the electric eclectics of Dick Hyman and Jean-Jacques Perrey, but with the glorious gloss and wide screen vision of the classic movie soundtracks of John Barry, Ennio Morricone and Lalo Schifrin.

Instead of taking the easy road and making an album by sampling other people's records, Pritchard and Brinkworth pay their dues by capturing the vintage and dynamic of the records they love, making the songs from scratch at their opulent Presshouse studios, based down in Devon."

OUVIR

terça-feira, 26 de abril de 2005

GUERNICA - 27 Abril 1937



Guernica: a arte e o terror

LOUCURAS MINHAS EM SELVAJARIAS DEPOIS DO 25 PELA NOITE DO 26 E DE 2005 EM PENSAMENTOS JÁ CANSADOS DE TANTO ESPERAR

.... TUDO MAL ESCRITO...PARA BARALHAR...

DEPENDUREI ...A LIBERDADE ...NUM FIO DE ARAME FINO
COM PEÇAS... DE PORC ELANA CRISTAL VIDROS CERÂMICAS ÓLEOS E MUITO MAIS COM 25 MOLAS QUE AINDA ERAM DE MADEIRA TODA A ROUPA DEPENDURADA CONTINUA A SECAR NÃO SEI SE FOI BEM LAVADA SE O SABÃO NÃO ERA DE QUALIDADE SE A ÁGUA ESTAVA SUJA OU A MINHA PEÇA PRINCIPAL O MEU LADO ANIMAL A MINHA MANGA DA CAMISA AINDA VAI ESTRAGAR DE TANTO TEMPO COM EFEITO DE ESTUFA OU O BURACO DO OZONO OU SEI LÁ O QUÊ MAIS COMO SE DE UM PRESENTE ENVENENADO SE TRATASSE E NÃO DESSE NUNCA PARA VESTIR NINGUÉM E TAMBÉM NÃO CHEGARIA PARA TANTO POBRE DE ESPIRITO E TAMBÉM DE POBREZA FOME A DELIRAR EM PARALELO COM O "FERRRARRRIIIII" A CIRCULAR EM"VELAS" ESTRADAS DE CALÇADA PORTUGUESA...

LIBERDADE

O poema é
A liberdade
Um poema não se programa
Porém a disciplina
- Sílaba por sílaba -
O acompanha
Sílaba por sílaba
O poema emerge
- Como se os deuses o dessem
O fazemos


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen
In 'OBRA POÉTICA III'; Edição CAMINHO, 1996.


segunda-feira, 25 de abril de 2005

quinta-feira, 21 de abril de 2005

...vendavais a cearem em pratos de V.A...em selvajarias de estilhaços pelo ar...

..os silêncios continuam a aprofundar as entranhas ...dos pensamentos que em catadupa se entregam em revelias de porquês... de respostas que são só ...minhas filosofias ...escritas em momentos de mente a brilhar... nas historias de encantar do imaginário colectivo ...não...do meu ...colectivo imaginário ...travessia de deserto estrelas a brilhar areias macias e luzes de fim de tarde com ventos a levantar auspícios...

quarta-feira, 20 de abril de 2005

...ABORTO...está no ar...em forma de Lei...ou para fazer Lei...

(pintura de pikonera extravestida)



..ANA RITA...

ficção
sonho
imaginação
vontade de querer
ter
ilusão
regresso ao passado
...pesadelo...
reconstrução
olhos de água
lágrimas
perdição...
arrependimento
sem solução...

...o local..não seria o escolhido...por mim

mas...parece de facto... uma subida aos céus em bandos de música...que se espera do melhor...



do filhote


e já em loucuras selvagens e em tempos a cheirar a flores e cera...o disse....algures por aqui em Novembro de 2003




...loucuras divinamente selvagens...

...ontem fui com a tucha ao "nosso" t5... :))
...sim já lá estão a avó eugénia...a avó maria... avô josé...tio mota e pai quim...
...o t5 tinha flores artificiais...frescas...que foram "trocadas" por crisântemos verdes e amarelos acompanhados de 5 ceras...
...não senti as rolas...vimos um gato gordo, pardo de olhos amarelos...muito bonito...não sei se chorava os seus mortos ou se corria para uma bela gaivota que também devia chorar os seus familiares...
...o pai do carlos também corria para a sua bem amada mulher...mãe do carlos...não vou ter quem me chore... assim...
...pouca gente...vendedores tristes...porque a crise é mundial...e altamente... nacional...de tal forma que os crisântemos estavam em saldo....mas os diospiros eram muito caros...acho que se confunde 1 Euro com 100$00...enfim...já nada é como dantes...o dia estava amarelado, dava para estacionar no jardim da boavista e o carro quase que tocava com um farol na casa da música...
...a todos os meus mortos...que lembro e não lembro...
ao fernando ferreira....que com tanto amor me fotografou... os mortos... alentejanos...
...ao fernando ferreira...que também já não está entre nós...
aos vosso mortos...
a todos os mortos....



# uma extroversão de pikonera extravestida às 14:25
vá lá, extroverta-se também: 0 pensamentos 0 referências

Selvajarias em pensamentos profundos...do profundo superficial...quando quase não diz nada que interesse ao mundo..dito civilizado ou ao papalagui...

...são momentos de retiro em que o balanço acorda a mente e a faz não parar... e em rodopio... os círculos de momentos pesados enrolam em fios de um pião com piruetas de bocadinhos belos que quase não se entendem em mistura... não devem ser para entender..... talvez o melhor seja de facto o sabor do momento e o que ficou registado... o valeu a pena ...tb não se entende o que a memória vai "buscar" assim de salto em salto... como se de gavetinhas muitas se tratasse e só de algumas houvesse chave...e como se outras embora com chave... estivessem empenadas muitas delas vazias ...preenchidas ou ainda por preencher... a mente quase enlouquece ou parece que se perde em momentos de loucura... mesmo sem saber aquilo a que chamam de loucura... ritos de mente retiros de alma ou descida às profundezas de um eu que se procura...


...não sei
...sei que deambulam com passados em bocadinhos de momentos em vídeos gravados de forma... nem sei... se perfeita mas foi a que ficou para filme que visto em tela do hoje... faz lembrar os fantasmas gigantes quando tinha febre aos 4 anos...

P.S...há quem lhe chame falta de hormonas :))

sábado, 2 de abril de 2005

A DOENÇA E A MORTE

O DEFUNTO REALIZA UMA MUDANÇA ESPIRITUAL, COMO sucede com a serpente do deserto que abandona a pele antiga, morta e ressequida, e recupera um corpo novo.


Preceitos de Vida

SABEDORIA AMERÍNDIA