terça-feira, 29 de março de 2005

...canção de embalar...


nana, nana, meu menino,
que a Mãezinha logo vem;
foi lavar os teus paninhos
à poçinha de Belém


pikonera extravestida

sábado, 26 de março de 2005

O DIA DA CRIAÇÃO

Vinícius de Moraes (1913-1980)

Macho e fêmea os criou.
Bíblia: Gênese, I, 27
I

Hoje é Sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade!
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Overture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres com as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, frequentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

In Poesia, Agir, 1983.

...os encapuzados....:))





pikonera extravestida

...Jesus...na cruz...


..desenho de criança....pintado por mim... (...num delicioso trabalho feito em simbiose...entre a criança e o que ainda ficou desta outra...)


valeu a pena!...


pikonera extravestida

sexta-feira, 25 de março de 2005

...todos temos uma cruz...


...estão todos os dias na minha alma...

....hoje a minha...está mais leve...


pikonera extravestida

quinta-feira, 24 de março de 2005

...a lua hoje está vestida de transparências...

hoje a lua está à janela
parece envergonhada

mas por entre a gaze leve
está mais bela do que nunca


estará enamorada pela noite
esperando o amanhecer?


que bonita está hoje a lua
entre transparências
mostrando o seu corpo doce
em simbiose com o erotismo
que desperta

certamente vai ter uma noite
ao luar em candelabros
prateados
e sinos
a tocar ao eu de muitos sentidos
também enamorados

hoje gostava
de dependurar a lua assim nesta tela
na parede da minha alma
onde a poderia espreitar e sentir
em momentos de êxtase


e mostrar aos amigos
em exposição do meu eu mais profundo
tirado pela máquina fotográfica
que se esconde e retira no cantinho
que me faz viver enquanto
ainda badala...

domingo, 20 de março de 2005

dolls`House...

História das Casas de Bonecas



Introdução

Encontramos poucas referências nos livros de história sobre a vida das crianças e seus brinquedos, em épocas passadas. Os historiadores nos contam sobre as guerras, estratégias políticas e tratados de paz. Dedicam livros e livros sobre como eram as sociedades antigamente, mas quase nunca vemos menções ao lado lúdico da vida infantil.

Uma das poucas chances de conhecermos sobre a infância de antigamente é observar algumas pinturas do século XVII, que retratam cenas de meninas abraçadas a pequenas bonecas rígidas ou crianças brincando com animais. A pintura de época é uma das melhores fontes para termos uma idéia de como era a vida cotidiana naqueles tempos.

Alguns arqueólogos descobriram algumas peças avulsas de móveis e porcelanas em miniatura que muito provavelmente fizeram parte de uma casa de bonecas antiga, como miniaturas de utensílios domésticos provenientes do Antigo Egito, da Grécia Clássica e da Antiga Roma. Várias escavações realizadas por arqueólogos em Londres, trouxeram à tona um pequeno barril de vinho do século I d.C., uma miniatura em bronze de uma panela e um vaso de argila pintado em verde e datado provavelmente da segunda metade do século XIV. O que confirmou a originalidade dessas miniaturas foi o fato de que eram reproduções exatas de peças existentes nas respectivas épocas.

Não existem dados sobre a existência de casas de bonecas anteriores à metade do século XVI, mas existem alguns historiadores que desmentem esta tese. Uma das maiores estudiosas do assunto, Flora Gill Jacobs, menciona a descoberta de uma cadeira de balanço em miniatura, além de outras peças, encontradas em Londres, possivelmente fabricadas durante o reinado de Carlos I. Estas recentes descobertas nos levam a crer que talvez possam surgir novas provas que demonstrem que as Casas de Bonecas datem de épocas mais remotas.

A Primeira Casa de Bonecas

Em 1558, o Duque da Baviera, Albrecht V, fez construir para sua filha uma casa de bonecas que até hoje é testemunha da existência, já naquela época, deste tipo de brinquedo.

Provavelmente para ele, este presente era mais um entre tantos que oferecia a sua filha, mas na realidade, este ato foi um marco definitivo na história das casas de bonecas. O próprio Duque ficou apaixonado pela casa, tanto que decidiu incluí-la em sua coleção de arte e raramente permitia à filha que brincasse com ela.

Infelizmente esta esplêndida casa em miniatura foi queimada em um incêndio que destruiu o palácio ducal em 1674, restando somente um inventário completo da casa e de todos os objetos decorativos. Ficaram registrados, por exemplo, o nome do marceneiro que construiu a estrutura, os artesãos e decoradores que trabalharam no projeto e que a casa tinha 4 andares. No porão ficavam as cocheiras, a leiteria, a cantina e a dispensa. No térreo, ficavam a cozinha e um escritório. E no lado externo, um jardim e uma horta. No primeiro andar, a sala de estar e a sala de baile. No segundo andar ficavam os aposentos e uma capela, fato comum em algumas residências da nobreza daquela época.

Imaginamos que esta casa de bonecas em particular deva ter suscitado admiração entre os frequentadores da família do Duque da Baviera, o que nos leva a supor que um objeto de tanto valor como este, com sua capela e salão de bailes, decorada com pesadas cortinas e tapeçarias, provavelmente não tenha sido a primeira do gênero a ser fabricada. A sua magnificência sugere que, sem sombra de dúvidas, tenha sido uma das mais suntuosas já fabricada e que descendia de outras casas de bonecas menos magníficas, que provavelmente desapareceram com o passar do tempo.

Assim, a história das Casas de Bonecas começa na Alemanha do século XVI e, em seguida, nos Países Baixos no século XVII. As casas de bonecas inglesas surgiram no início de 1700 e
na América do Norte, no fim do mesmo século.



História de casas de bonecas famosas: Casa da Rainha Mary
Casa de Petronella Dunois
Casa de Ann Sharp



(textos traduzidos e adaptados por Solange De Cesare da enciclopédia "Case delle Bambole")




Copyright Miniaturas Brasil © - O Mundo Encantado das Miniaturas




história

sábado, 19 de março de 2005

...buraco do ozono... efeito de estufa ....ou selvajarias ....fora de lei que lutam com o sistema?...

...nevoeiros hipertensos...e amiodipinas transformados em calores não próprios da época... palpitações... e muito mais...


...eu não quero isto para mim...


...quero mobilar casinhas de bonecas sentar em pufs calmos... ouvir boa música e deambular em leituras que me enchem a alma...




...sistólicas e diastólicas que se transformem em eu estar aqui....

terça-feira, 1 de março de 2005

...dores eróticas... e divinamente selvagens.... do não sou descartável..... afixado à frente do computador... para serem reza diária...em A4...

...então?...não é... que ...dizia ela...

...a minha barriga ficou cheia de rios...o meu peito... tantos riachos... pequeninos... a minha arte conceptual...a melhor obra do mundo...mas era tão doce...sentir dentro de mim aquele amor...


...dar de mamar a um ser tão indefeso...o prazer era para os dois... claro...

...aqueles olhinhos sôfregos e aquele "cantar" enquanto sugava o leite...


...e tanto miminho...tanto beijinho naquela cabeça doce...


...depois...já não escolher para mim...ser a segunda a escolher...ou não escolher...primeiro e sempre primeiro para ele...



...e quando ele estava triste...que ninguém faça mal ao meu menino....continuava...


...eu tinha que passar aquelas lágrimas para este lago...


...aquelas dores para esta montanha...


...e bater nos maus que o queriam arranhar..



...e o nariz na montra do que ele sonhava...desabafava ela...


...bem às vezes nem pedia...muitas vezes não pedia...ela advinhava...

...ela sentia...











...só me lembro de lhe dizer:


...cola no computador um A4 com...:


...NÃO SOU DESCARTÁVEL!


...e observa a obra como a melhor tela da tua vida...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

selvagem extrovertida voa em sofá digo puf pra Pasárgada...acompanhada de Manuel Bandeira...

posso estar desencantada
ter um desnorte com o puf que estava preparado para ver tv
partir o vidro da janela
não ter pachorra para trespasses
e imaginar sofás a voarem até Pasárgada
porque não eram pufs
e eu lá toda encolhidinha...até à casa do Rei


lá a existência é uma aventura
é outra civilização

tem um processo seguro

de impedir a concepção

tem telefone automático

tem alcalóide à vontade....

e como farei ginástica

andarei de bicicleta

montarei em burro brabo

subirei no pau-de-sebo

tomarei banhos de mar!

e quando estiver cansada...

deito na beira do rio

mando chamar a mãe-d'água

pra me contar as histórias

que no tempo de eu menina...

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

pachorras de sofás a sair pela janela em selvajarias diabolicamente envenenadas de pufs a cheirar a trincadeira

sentei no sofá
quer dizer por acaso era puf
não não sentei no sofá nem no puf
já não há pachorra para sentares de sofás atentos
ou pufs com atenção
a ouvir larachas
em ofertas de trespasses
quer dizer
já o vencedor do trespasse
também já não há pachorra - minha -
para tanta cabeça no ar


de repente todas as cabeças se tornaram brilhantes


a levantar bandeiras
a gritar mendigares



atirei o sofá pela janela


digo o puf


sentei no chão frio

e apanhei uma bebedeira de trincadeira envenenada...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

SELVAJARIAS ELEITORAIS COM VINHO TINTO À MISTURA

...não sei se sopre balões
se me afogue em bebedeira rosa
me entrega em naus com portas a despedir
ou me iluda com foguetes que só pairam no ar...


e estalam entre dedos aflitos do NÃO SABER OU ADVINHAR...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2005

açorda à portuguesa

pão de trigo, sem ter sombra de joio,
azeite do melhor, de santarém;
alho do mais pequeno, e do saloio,
ponha em lume brandinho e mexa bem,

sal que não seja inglês - porque é remédio
toda a criança assim alimentada
é capaz de deitar abaixo um prédio
quatro meses depois de desmamada

com êste bom pitéu, sem refogados,
invenção puramente lusitana
os ilustres varões assinalados
passaram `inda àlem da taprobana

fortes p`la açorda, démos nós aos mouros
como se sabe, uma fatal derrota;
e abiscoitámos magestosos louros
para os nobres trofeos de aljubarrota

quinta-feira, 30 de dezembro de 2004

...sem palavras...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

..simbiose...dos encapuzados...





....é noite mágica
o candeeiro
a soprar
ternura verde
para a lua
que envergonhada
olha os enfeites
de natal
que namoram
o azul do céu
dependurado
em árvore de outono...



foto do encapuzado

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

Natal

Penso em Natal. No teu Natal. Para a bondade
A minh'alma se volta. Uma grande saudade
Cresce em todo o meu ser magoado pela ausência.
Tudo é saudade... A voz dos sinos... A cadência
Do rio... E esta saudade é boa como um sonho!
E esta saudade é um sonho... Evoco-te... Componho
O ambiente cuja luz os teus cabelos douram.
Figuro os olhos teus, tristes como eles foram
No momento final da nossa despedida...
O teu busto pendeu como um lírio sem vida,
E tu sonhas, na paz divina do Natal...

Ó minha amiga, aceita a carícia filial
De minh'alma a teus pés humilhada de rastos.
Seca o pranto feliz sobre os meus olhos castos...
Ampara a minha fronte, e que a minha ternura
Se torne insexual, mais do que humana - pura
Como aquela fervente e benfazeja luz
Que Madalena viu nos olhos de Jesus...

Manuel Bandeira

...vem ter comigo...outro ...olho...nunca deixes de me encontrar....

...apetece-m....

...mandar a bola para o lado de lá...


....o outro lado do mundo...



...onde há charcos de lama....e meninos a chorar...



quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

selvajaria gramatical intelectual e reumática e sem pontos ou virgulas para mentes mais que não brilhantes

então não é que afinal o fcp ganhou


e agora já nao entendemos nada



o presidente disse que disse

o primeiro disse que nao ouviu e acusou e diz que ele o outro não disse

o discurso dos oitenta é de intervenção


e para muita gente de vários quadrantes dizem


a caução não é muito elevada qualquer móvel fim de século paga em arte nova ou gente nova que o vai substituir


o dragão fumega até porque está um frio que vai aquecer em propagandas de piruetas acrobáticas com bandeiras de muitas cores a saber a tachos que requerem muito de preferência picantes também podem ser com orgias vermelhas verdes rosas e com sabor a reis não magos esses são agora só no presépio

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

sem nexo e pontuação

oje é dia de oitenta anos


pompa e circunstância



oje é dia de pinto da costa no tribunal



?mas não quer dizer nada



inquietudesportistasebenfiquistasacorar

oje é dia de mourinho rodeado de gorilas em espectáculo de golos e dragões a cheirar a leste de muita moedinha


oje é dia de não ser dia de nada


é dia de relembrar os golos que pelos vistos não foram golos.



é dia de treino que não treinou e se deixou levar para apitos que dizem dourados em fantasias de 11 minutos com coelhos e muitas meninas e meninos que em orgias quentes discutiam as derrotas dos outros mais os árbitros a falhar a vista em relvados verdes e mal colados



oje é dia de tudo e de nada

do erro

gramatical


das verdades serem mentira da mentira ser verdade
do engano

da dúvida
da confusão

do circo