quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

selvajaria gramatical intelectual e reumática e sem pontos ou virgulas para mentes mais que não brilhantes

então não é que afinal o fcp ganhou


e agora já nao entendemos nada



o presidente disse que disse

o primeiro disse que nao ouviu e acusou e diz que ele o outro não disse

o discurso dos oitenta é de intervenção


e para muita gente de vários quadrantes dizem


a caução não é muito elevada qualquer móvel fim de século paga em arte nova ou gente nova que o vai substituir


o dragão fumega até porque está um frio que vai aquecer em propagandas de piruetas acrobáticas com bandeiras de muitas cores a saber a tachos que requerem muito de preferência picantes também podem ser com orgias vermelhas verdes rosas e com sabor a reis não magos esses são agora só no presépio

terça-feira, 7 de dezembro de 2004

sem nexo e pontuação

oje é dia de oitenta anos


pompa e circunstância



oje é dia de pinto da costa no tribunal



?mas não quer dizer nada



inquietudesportistasebenfiquistasacorar

oje é dia de mourinho rodeado de gorilas em espectáculo de golos e dragões a cheirar a leste de muita moedinha


oje é dia de não ser dia de nada


é dia de relembrar os golos que pelos vistos não foram golos.



é dia de treino que não treinou e se deixou levar para apitos que dizem dourados em fantasias de 11 minutos com coelhos e muitas meninas e meninos que em orgias quentes discutiam as derrotas dos outros mais os árbitros a falhar a vista em relvados verdes e mal colados



oje é dia de tudo e de nada

do erro

gramatical


das verdades serem mentira da mentira ser verdade
do engano

da dúvida
da confusão

do circo

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

...já andam por aí...

terça-feira, 23 de novembro de 2004

segunda-feira, 22 de novembro de 2004

...pampilhos a voar para o "xururuca"...

O "xururuca" baloiça em campos onde abundam pampilhos que entre o amarelo e o verde mais o vento a estremecer ternuras transportam ao sentir que em escapadelas de mimo teimam em contar folhinhas a voar em confidências virtuais...

sexta-feira, 19 de novembro de 2004

sem pontuação

está a chegar o tempo de "re"começar
não a cair a folha porque essa já começou a rosar os jardins e os coloridos que pairam em fins de tarde a seduzir o Outono mas o meu tempo de deambular por aqui em selvajarias inofensivas e simples brincando ao blog do apetecer já que o tempo tem sido muito curto para o tanto a ser feito e o ter que dormir para logo logo recomeçar não deixando espaços vai deixar agora e vou querer cores quentes talvez em pai natal montado em algum "xururuca" a saber a laranja lima quem sabe a escutar as minhas confidencias a baloiçar ternuras e a espremer caipirinhas

segunda-feira, 27 de setembro de 2004

2004.IX.25

Esperamos "acertar" mais uma vez:
gostámos tanto de ler este livro!
Parabéns pelas "4 dúzias", dos primos.



"...Angela, porque será que a vida se reduz a tão pouco? E onde é que está a clemência? Onde é que está o barulho do coração da minha mãe? Onde é que está o barulho de todos os corações que amei? Dá-me um cesto, minha filha, o cestinho que usavas para ir ao infantário. Quero pôr lá dentro, como pirilampos no escuro, os clarões que cruzaram a minha vida..."


NÃO TE MOVAS

Margaret Mazzantini
(D. Quixote)

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

....selvagens...divinas e suadas...deambulações...


cheira...
a outono
folha caída por entre calor
ainda no ar
a cheirar a fumos
de castanha mal assada...
a espantar fiéis...
que chamam diospiros
espreitando
o natal
que se avizinha
com fitas de embrulho...
P.S....quem sabe....as listagens... das prendas...
...não vão deixar...
castanhas...
dependuradas...na árvore...

domingo, 19 de setembro de 2004

Já Foste Linda Rosa



Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais

Com o passo controlado e o gesto distraído
Lá vais comprando de ouvido
Um hamburger que sabe a pescado
Aquele mel açucarado
Um outro peixe e coisas mais
E aquele ar junto do cais
Faz enjoar de repente
Anda aí gente doente
Olá Rosa como vais

Tens os olhos consumidos num anúncio de auto-estrada
E sabem-me a tudo nada os teus lábios percorridos
Por ácidos e anidridos de produtos de sobejo
Quem te fez esse desejo em conserva e congelado
O Rosa tens mau-olhado
Faz tempo que te não vejo

Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais

Já foste linda rosa mas agora já não és
Tu tens da cabeça aos pés uma estranha simbiose
De amargura e glicose e arranha-céus de capitais
Vão-se acabando arraiais já os cafés estão fechados
Só vejo supermercados
Desde Alfama aos Olivais

Canta essa canção maldita não editada em cassete
Nem daquele chato do Fausto
Papetti faz uma cara bonita
Tu és a minha favorita
Tu és enfim o meu desejo
Mas não me dês pastas de queijo
Nem sopinhas enlatadas
Nem pescadas congeladas
Dá-me um abraço e um beijo

Mas não me dês pastas de queijo
Nem sopinhas enlatadas
Nem pescadas congeladas
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais


Fausto
in: Atrás dos Tempos vêm Tempos

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

...tenho vontade de assobiar raivas...

Insustentável
esta leveza...que se dependura em fios...
tão frágeis e tímidos...
acrobacias de sonhos
que se perdem num segundo
de diagnóstico

DURO


É hodkin!...


P.S. ...como é difícil deixar de pensar...e sentir tamanha impotência que só se ajoelha à fé...

...apetece...

...refrescar a alma...
...mesmo usando o teu olhar...
...posso ser uma rodelinha de limão...
que sobra num copo...que ainda tem gelo....





e não só....
também não sei se quero beber...


....talvez esperar o laranja do sol que vai aparecer...


apetece

...ver com os teus olhos...

por entre copo...mar e limão...
a mergulhar na espuma...
que ouve hinos

quinta-feira, 2 de setembro de 2004

...não sei...

...não sei se os silêncios são de pedra
se é oco o seu sofrer...


nem tão pouco se o
seu
escutar
é calmo

...sei é que os silêncios
muitas vezes
se escondem
sossegados
em mentes que

......transbordam

gritos a estourar


PIKONERA

Eis-me

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de advinhos mágicos e deuses
Para ficar sózinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo
......................(em que não moras
E o teu encontro
São planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente

SOFHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

domingo, 15 de agosto de 2004

The Olympic Creed



"The most important thing in the Olympic Games is not to win but to take part just as the most important thing in life is not the triumph, but the struggle. The essential thing is not to have conquered, but to have fought well."

There have been many permutations of this basic message throughout Games history, though this is the current creed which appears on the scoreboard during the Opening Ceremony. Baron de Cobertin adopted, and later quoted, this creed after hearing the Bishop of Central Pennsylvania, Ethelbert Talbot, speak at a service for Olympic athletes during the 1908 London Games.

In London for the Fifth Conference of Anglican Bishops, Talbot's exact words at the service on July 19, 1908 were: "The important thing in these Olympics is not so much winning as taking part."

quarta-feira, 11 de agosto de 2004

terça-feira, 10 de agosto de 2004

DEUS PROTEGE OS QUE COMEM LAGOSTA

(POEMA METAFÍSICO)



O arcebispo de Braga
foi a Roma, e o Padre santo
disse: "Senhor arcebispo,
reze mais, não fale tanto".

...Santo ou tamanco, um e outro
são feitos do mesmo freixo,
pau que dá p`ra um tamanco,
também dá p´ra um santo aleixo.

Minha amiga, teve um filho
com mais de um pai, pensa ela;
e pôr testo, tirar testo,
entrou rato na panela.

Os Suevos que houve em Braga,
há muito desapareceram,
se ainda aqui há suevos,
quem sabe donde vieram?

...Mas tenho mais medo, ainda,
dos políticos de carreira;
os políticos portugueses
são jubilidados na asneira.

José Correia de Azevedo

segunda-feira, 9 de agosto de 2004

...momentos de escuta...divinos e selvagens...

...com sabor a fim de tarde...lá longe...dos gansos...a imaginar o pôr-do-sol...
O sentido dos Gansos

No outono, quando se vê bandos de gansos voando rumo ao Sul, formando um grande "V" no céu, indaga-se o que a ciência jamais descobriu sobre o porquê deles voarem desta forma.

Sabe-se que quando cada ave bate as asas movendo as asas para cima, ajuda a sustentar a ave imediatamente atrás. Ao voar em forma de "V", o bando se beneficia de pelo menos 71% a mais de força do vôo do que uma ave voando sozinha.

Pessoas que tem a mesma direção e sentido de comunidade podem atingir os seus objetivos de forma mais rápida e fácil, pois viajam beneficiando-se de um impulso mútuo.Sempre que um ganso sai do bando, sente o esforço e a resistência necessários para continuar voando sozinho.

Rapidamente, ele entra outra vez em formação para aproveitar o deslocamento do ar provocado pela ave que voa imediatamente à sua frente.

Se tivéssemos o mesmo sentido dos gansos, manter-nos-íamos em formação com os que lideram o caminho para onde também desejamos seguir.

Quando o ganso líder se cansa, ele muda de posição dentro da formação e outro ganso assume a liderança.

Vale a pena nos revezarmos em tarefas difíceis, e isto serve tanto para as pessoas quanto para os gansos que voam rumo ao Sul.

Os gansos de trás gritam encorajando os da frente para que mantenham a velocidade.

Que mensagens passamos quando gritamos de trás?

Finalmente, quando um ganso fica doente ou é ferido por um tiro e cai, dois gansos saem da formação e o acompanham para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que consiga voar novamente ou até que morra. Só então levantam vôo sozinhos ou em formação, a fim de alcançar seu bando.

Se tivéssemos o sentidos dos gansos, também ficaríamos um ao lado do outro.

...o Porto ontem estava assim...



lithium roadlight

sábado, 7 de agosto de 2004

"Morreu um amigo meu "

Para compreender a História, você deve preservar uma certa forma de inocência. Meu único segredo foi o de aproveitar o meu tempo, e sobretudo o tempo de viver com as pessoas ... e depois saber esquecer de mim mesmo". (H C ?B)

Há pessoas e artistas que são referência na vida e no trabalho da gente. E como começar um texto que possa ao mesmo tempo render tributo e dar conta da importância de uma trajetória.

Talvez seja o caso de primeiro refletir sobre o meio de expressão desse artista, a fotografia. A fotografia pode ser muito complicada. Há cameras de vários tipos com lentes angulares, normais, teleobjetivas. Há também filtros, filmes váriados, fotômetros, valores de diafragmas e obturadores. Ou ainda, cartões de memória, pixels por polegada, extenções de arquivos, compactados ou não, etc. Isso tudo se aprende.

A fotografia pode ser muito simples, sua força está na composição, na forma como se escolhe recortar a realidade com as ferramentas da intuição e da nossa visão de mundo. Fotografias são traduções pessoais, são segredos, ocorridos em frações de segundos, oferecidos publicamente. A fotografia quando é simples não é fácil de ensinar.

Morreu um fotógrafo amigo meu. Amigo é aquele que está repetidamente no pensamento da gente. Uma pessoa na qual nos inspiramos, e com quem necessáriamente rivalizamos. Sim porque um amigo é importante quando achamos que ele tem qualidades que devemos também ter, até para poder merece-lo. Um amigo, amigo mesmo, podemos ficar longo tempo sem encontrá-lo pessoalmente, tendo sempre a certeza de que de uma hora para outra isso irá acontecer.

Claro que ele não sabia que eu era seu amigo, se por outra razão não fosse, porque sempre vivi no sul do Brasil e ele na França. Bem verdade que quando morei por quatro anos em Paris, não ousei fazer-lhe visita, apenas enviei-lhe uma carta no dia do seu aniversário, acompanhada de um livro com minhas fotografias. Meu amigo era um fotógrafo especial.

Na verdade ele era uma espécie de caçador de imagens - metáfora que ele mesmo usava. Gostava de estar na espreita, antevia uma geometria possível para preencher um retângulo e passava a esperar o "instante decisivo" para poder fixar nesse formato, de forma harmônica, suas traduções da realidade. Ele era tímido e intempestivo, daqueles que podem a tudo renunciar de um momento para outro, mas era obstinado também, detalhista. Um fotógrafo generosamente interessado pela humanidade. Talvez tenha sido essa a maior qualidade do Henri Cartier-Bresson flâneur do mundo.

O Bresson, que morreu com 95 anos e há trinta não mais fotografava, foi referência para várias gerações de fotógrafos. Ele tornou-se profissional em 1946, foi fundador de uma das principais agências de fotojornalismo, a Magnum em 47. Fotografou a liberação de Paris, os funerais de Gandhi, a China, Cuba, India, etc. Bresson foi o primeiro fotógrafo ocidental a ter em 1955 autorização para fotografar na URSS.

Alguém disse que meu amigo, com sua Leica, "fotografava como um gato, sem incomodar". Bresson afirmava, "eu não tenho nem mensagem nem missão, eu tenho um ponto de vista". Quando era questionado sobre a qualidade artística das suas fotografias ele dizia não saber o que era fazer arte, e usava como metáfora o amor,"quando se faz amor a gente não fica pensando o que é o amor".

Quando penso fotografia, logo lembro daquela foto do Bresson do menino com duas garrafas de vinho em uma esquina da rua Mouffetard. Uma vez escutei pelo rádio a seguinte homenagem para um artista falecido: "meu amigo era um verdadeiro artista, pois ele sabia como ninguém encantar a matéria ordinária".
Meu amigo Bresson sabia como nenhum outro encantar o mundo.

Luiz Eduardo Achutti, 05 de agosto de 2004.
Fotógrafo, doutor em antropologia e professor do Instituto de Artes da UFRGS.


muita ternura

quarta-feira, 4 de agosto de 2004

fotografar é colococar na mira a...



..e o coração...


...que hoje deixou de bater...


.....mas vai continuar eterno nesta paisagem do belo fotografar...


....em exposição permanente nas paredes da nossa sensibilidade...

Bresson