segunda-feira, 27 de setembro de 2004

2004.IX.25

Esperamos "acertar" mais uma vez:
gostámos tanto de ler este livro!
Parabéns pelas "4 dúzias", dos primos.



"...Angela, porque será que a vida se reduz a tão pouco? E onde é que está a clemência? Onde é que está o barulho do coração da minha mãe? Onde é que está o barulho de todos os corações que amei? Dá-me um cesto, minha filha, o cestinho que usavas para ir ao infantário. Quero pôr lá dentro, como pirilampos no escuro, os clarões que cruzaram a minha vida..."


NÃO TE MOVAS

Margaret Mazzantini
(D. Quixote)

quarta-feira, 22 de setembro de 2004

....selvagens...divinas e suadas...deambulações...


cheira...
a outono
folha caída por entre calor
ainda no ar
a cheirar a fumos
de castanha mal assada...
a espantar fiéis...
que chamam diospiros
espreitando
o natal
que se avizinha
com fitas de embrulho...
P.S....quem sabe....as listagens... das prendas...
...não vão deixar...
castanhas...
dependuradas...na árvore...

domingo, 19 de setembro de 2004

Já Foste Linda Rosa



Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais

Com o passo controlado e o gesto distraído
Lá vais comprando de ouvido
Um hamburger que sabe a pescado
Aquele mel açucarado
Um outro peixe e coisas mais
E aquele ar junto do cais
Faz enjoar de repente
Anda aí gente doente
Olá Rosa como vais

Tens os olhos consumidos num anúncio de auto-estrada
E sabem-me a tudo nada os teus lábios percorridos
Por ácidos e anidridos de produtos de sobejo
Quem te fez esse desejo em conserva e congelado
O Rosa tens mau-olhado
Faz tempo que te não vejo

Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais

Já foste linda rosa mas agora já não és
Tu tens da cabeça aos pés uma estranha simbiose
De amargura e glicose e arranha-céus de capitais
Vão-se acabando arraiais já os cafés estão fechados
Só vejo supermercados
Desde Alfama aos Olivais

Canta essa canção maldita não editada em cassete
Nem daquele chato do Fausto
Papetti faz uma cara bonita
Tu és a minha favorita
Tu és enfim o meu desejo
Mas não me dês pastas de queijo
Nem sopinhas enlatadas
Nem pescadas congeladas
Dá-me um abraço e um beijo

Mas não me dês pastas de queijo
Nem sopinhas enlatadas
Nem pescadas congeladas
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais
Faz tempo que te não vejo
Desde Alfama aos Olivais
Dá-me um abraço e um beijo

Olá Rosa como vais


Fausto
in: Atrás dos Tempos vêm Tempos

sexta-feira, 3 de setembro de 2004

...tenho vontade de assobiar raivas...

Insustentável
esta leveza...que se dependura em fios...
tão frágeis e tímidos...
acrobacias de sonhos
que se perdem num segundo
de diagnóstico

DURO


É hodkin!...


P.S. ...como é difícil deixar de pensar...e sentir tamanha impotência que só se ajoelha à fé...

...apetece...

...refrescar a alma...
...mesmo usando o teu olhar...
...posso ser uma rodelinha de limão...
que sobra num copo...que ainda tem gelo....





e não só....
também não sei se quero beber...


....talvez esperar o laranja do sol que vai aparecer...


apetece

...ver com os teus olhos...

por entre copo...mar e limão...
a mergulhar na espuma...
que ouve hinos

quinta-feira, 2 de setembro de 2004

...não sei...

...não sei se os silêncios são de pedra
se é oco o seu sofrer...


nem tão pouco se o
seu
escutar
é calmo

...sei é que os silêncios
muitas vezes
se escondem
sossegados
em mentes que

......transbordam

gritos a estourar


PIKONERA

Eis-me

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de advinhos mágicos e deuses
Para ficar sózinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo
......................(em que não moras
E o teu encontro
São planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente

SOFHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

domingo, 15 de agosto de 2004

The Olympic Creed



"The most important thing in the Olympic Games is not to win but to take part just as the most important thing in life is not the triumph, but the struggle. The essential thing is not to have conquered, but to have fought well."

There have been many permutations of this basic message throughout Games history, though this is the current creed which appears on the scoreboard during the Opening Ceremony. Baron de Cobertin adopted, and later quoted, this creed after hearing the Bishop of Central Pennsylvania, Ethelbert Talbot, speak at a service for Olympic athletes during the 1908 London Games.

In London for the Fifth Conference of Anglican Bishops, Talbot's exact words at the service on July 19, 1908 were: "The important thing in these Olympics is not so much winning as taking part."

quarta-feira, 11 de agosto de 2004

terça-feira, 10 de agosto de 2004

DEUS PROTEGE OS QUE COMEM LAGOSTA

(POEMA METAFÍSICO)



O arcebispo de Braga
foi a Roma, e o Padre santo
disse: "Senhor arcebispo,
reze mais, não fale tanto".

...Santo ou tamanco, um e outro
são feitos do mesmo freixo,
pau que dá p`ra um tamanco,
também dá p´ra um santo aleixo.

Minha amiga, teve um filho
com mais de um pai, pensa ela;
e pôr testo, tirar testo,
entrou rato na panela.

Os Suevos que houve em Braga,
há muito desapareceram,
se ainda aqui há suevos,
quem sabe donde vieram?

...Mas tenho mais medo, ainda,
dos políticos de carreira;
os políticos portugueses
são jubilidados na asneira.

José Correia de Azevedo

segunda-feira, 9 de agosto de 2004

...momentos de escuta...divinos e selvagens...

...com sabor a fim de tarde...lá longe...dos gansos...a imaginar o pôr-do-sol...
O sentido dos Gansos

No outono, quando se vê bandos de gansos voando rumo ao Sul, formando um grande "V" no céu, indaga-se o que a ciência jamais descobriu sobre o porquê deles voarem desta forma.

Sabe-se que quando cada ave bate as asas movendo as asas para cima, ajuda a sustentar a ave imediatamente atrás. Ao voar em forma de "V", o bando se beneficia de pelo menos 71% a mais de força do vôo do que uma ave voando sozinha.

Pessoas que tem a mesma direção e sentido de comunidade podem atingir os seus objetivos de forma mais rápida e fácil, pois viajam beneficiando-se de um impulso mútuo.Sempre que um ganso sai do bando, sente o esforço e a resistência necessários para continuar voando sozinho.

Rapidamente, ele entra outra vez em formação para aproveitar o deslocamento do ar provocado pela ave que voa imediatamente à sua frente.

Se tivéssemos o mesmo sentido dos gansos, manter-nos-íamos em formação com os que lideram o caminho para onde também desejamos seguir.

Quando o ganso líder se cansa, ele muda de posição dentro da formação e outro ganso assume a liderança.

Vale a pena nos revezarmos em tarefas difíceis, e isto serve tanto para as pessoas quanto para os gansos que voam rumo ao Sul.

Os gansos de trás gritam encorajando os da frente para que mantenham a velocidade.

Que mensagens passamos quando gritamos de trás?

Finalmente, quando um ganso fica doente ou é ferido por um tiro e cai, dois gansos saem da formação e o acompanham para ajudá-lo e protegê-lo. Ficam com ele até que consiga voar novamente ou até que morra. Só então levantam vôo sozinhos ou em formação, a fim de alcançar seu bando.

Se tivéssemos o sentidos dos gansos, também ficaríamos um ao lado do outro.

...o Porto ontem estava assim...



lithium roadlight

sábado, 7 de agosto de 2004

"Morreu um amigo meu "

Para compreender a História, você deve preservar uma certa forma de inocência. Meu único segredo foi o de aproveitar o meu tempo, e sobretudo o tempo de viver com as pessoas ... e depois saber esquecer de mim mesmo". (H C ?B)

Há pessoas e artistas que são referência na vida e no trabalho da gente. E como começar um texto que possa ao mesmo tempo render tributo e dar conta da importância de uma trajetória.

Talvez seja o caso de primeiro refletir sobre o meio de expressão desse artista, a fotografia. A fotografia pode ser muito complicada. Há cameras de vários tipos com lentes angulares, normais, teleobjetivas. Há também filtros, filmes váriados, fotômetros, valores de diafragmas e obturadores. Ou ainda, cartões de memória, pixels por polegada, extenções de arquivos, compactados ou não, etc. Isso tudo se aprende.

A fotografia pode ser muito simples, sua força está na composição, na forma como se escolhe recortar a realidade com as ferramentas da intuição e da nossa visão de mundo. Fotografias são traduções pessoais, são segredos, ocorridos em frações de segundos, oferecidos publicamente. A fotografia quando é simples não é fácil de ensinar.

Morreu um fotógrafo amigo meu. Amigo é aquele que está repetidamente no pensamento da gente. Uma pessoa na qual nos inspiramos, e com quem necessáriamente rivalizamos. Sim porque um amigo é importante quando achamos que ele tem qualidades que devemos também ter, até para poder merece-lo. Um amigo, amigo mesmo, podemos ficar longo tempo sem encontrá-lo pessoalmente, tendo sempre a certeza de que de uma hora para outra isso irá acontecer.

Claro que ele não sabia que eu era seu amigo, se por outra razão não fosse, porque sempre vivi no sul do Brasil e ele na França. Bem verdade que quando morei por quatro anos em Paris, não ousei fazer-lhe visita, apenas enviei-lhe uma carta no dia do seu aniversário, acompanhada de um livro com minhas fotografias. Meu amigo era um fotógrafo especial.

Na verdade ele era uma espécie de caçador de imagens - metáfora que ele mesmo usava. Gostava de estar na espreita, antevia uma geometria possível para preencher um retângulo e passava a esperar o "instante decisivo" para poder fixar nesse formato, de forma harmônica, suas traduções da realidade. Ele era tímido e intempestivo, daqueles que podem a tudo renunciar de um momento para outro, mas era obstinado também, detalhista. Um fotógrafo generosamente interessado pela humanidade. Talvez tenha sido essa a maior qualidade do Henri Cartier-Bresson flâneur do mundo.

O Bresson, que morreu com 95 anos e há trinta não mais fotografava, foi referência para várias gerações de fotógrafos. Ele tornou-se profissional em 1946, foi fundador de uma das principais agências de fotojornalismo, a Magnum em 47. Fotografou a liberação de Paris, os funerais de Gandhi, a China, Cuba, India, etc. Bresson foi o primeiro fotógrafo ocidental a ter em 1955 autorização para fotografar na URSS.

Alguém disse que meu amigo, com sua Leica, "fotografava como um gato, sem incomodar". Bresson afirmava, "eu não tenho nem mensagem nem missão, eu tenho um ponto de vista". Quando era questionado sobre a qualidade artística das suas fotografias ele dizia não saber o que era fazer arte, e usava como metáfora o amor,"quando se faz amor a gente não fica pensando o que é o amor".

Quando penso fotografia, logo lembro daquela foto do Bresson do menino com duas garrafas de vinho em uma esquina da rua Mouffetard. Uma vez escutei pelo rádio a seguinte homenagem para um artista falecido: "meu amigo era um verdadeiro artista, pois ele sabia como ninguém encantar a matéria ordinária".
Meu amigo Bresson sabia como nenhum outro encantar o mundo.

Luiz Eduardo Achutti, 05 de agosto de 2004.
Fotógrafo, doutor em antropologia e professor do Instituto de Artes da UFRGS.


muita ternura

quarta-feira, 4 de agosto de 2004

fotografar é colococar na mira a...



..e o coração...


...que hoje deixou de bater...


.....mas vai continuar eterno nesta paisagem do belo fotografar...


....em exposição permanente nas paredes da nossa sensibilidade...

Bresson

domingo, 25 de julho de 2004

Santo Ignácio de Loyola



"É sempre muito gratificante observar como a providência divina suscita o remédio oportuno para cada situação que sofre o corpo do Senhor que é a Igreja. O veículo e instrumento de acção terapêutica preferido por nosso Deus é o próprio homem. É admirável o que Deus faz através de nós. No século XVI a Igreja enfrentou, como sempre o faz, tremendos desafios. Teve que se adequar à perda do poder temporal na nova ordem política que vai se estabelecendo na Europa, combater as heresias que arrastavam boa parte do rebanho desatento e, sobretudo, ocupar os novos espaços abertos pelos descobrimentos, obedecendo ao comando divino de proclamar o Evangelho a toda criatura. A Sabedoria escolheu o coração de um jovem soldado, que ferido em batalha, padecia longo e doloroso tratamento para recuperar sua perna, para, a partir de lá, promover uma maravilhosa reação salutífera para toda a Igreja. Este soldado foi Iñigo Lopez de Loyola que tinha trinta anos quando foi ferido ao participar na defesa do castelo de Pamplona, sitiado por Francisco I da França. Caçula de doze irmãos, o jovem fidalgo espanhol, havia sido pajem do nobre cavaleiro João Velasques de Cuellar antes de tornar-se oficial do Duque de Nájera, vice-rei de Navarra. Iñigo que depois tomará o nome de Ignácio, era um jovem muito brioso, valentão, com a cabeça cheia dos ideais de honras, glória e conquista que alimentava lendo os romances de cavalaria tão difundidos no seu meio. É impressionante como esta literatura "fazia a cabeça" da juventude da corte espanhola, Santa Teresa dirá o quanto estas leituras obscureceram na sua juventude a religiosidade que tivera na infância. O mundo tem hoje meios mais poderosos de persuasão para semear seus enganos. O pai da mentira se torna mais ativo na medida em que se lhe esgota o tempo, mas onde abundou o mal superabundou a graça, glória a nosso Deus invencível nas batalhas. Era ano de 1521, o jovem capitão sempre tão ativo tem que passar longos dias e noites quase imóvel, para ajudar a passar as horas ele pede que lhe tragam alguma leitura. Sua cunhada traz os únicos livros que a providência dispôs que ali houvessem: A vida de Jesus e Florilégio dos Santos. Não havendo outros livros é com estes que Ignácio passa o tempo sem suspeitar que lhe era chegada a misteriosa hora da graça. Lendo e relendo aquelas páginas, dia após dia, Ignácio vai se enamorando, seu coração sucumbe lentamente fascinado e atraído por aquela estranha vida amorosamente descrita naqueles livros. O seu amigo Luís Gonçalves que recolheu as confidências destes primeiros encontros assim testemunha: "... ao ler a vida de Cristo, nosso Senhor, e dos santos, punha-se a pensar e consigo mesmo dizia: 'E se eu fizesse mesmo que fez são Francisco? E o que fez São Domingos? Assim refletia muito. Permanecia muito nestes pensamentos. Em seguida, sobrevinham outras cogitações vazias e mudanças que se prolongavam por várias horas...". Mas Ignácio era apaixonado pelas façanhas e honrarias do mundo e havia empenhado o tempo de sua juventude se adestrando com sucesso nas artes que permitissem realizar com brilho os ideais da cavalaria. Que aspiração é esta que se oculta no coração do homem capaz de fazê-lo renunciar a tudo que possui e que sonhou quando vislumbra uma mínima chance de realizá-la? Se ele tivesse optado desde cedo pela carreira religiosa seria mais fácil, mas ele tinha escolhido a carreira militar onde progredira bem e tinha um futuro promissor. Não bastavam aqueles relatos cativantes, era necessário uma percepção nova do mistério da própria vida que só o Espírito Santo nos dá. Era preciso que Ignácio soubesse que aquela grandeza divina, a vida em Deus era também destinada para ele. Esta visão nova, esta iluminação sobrenatural, veio para ele na forma da experiência da alegria, esse fruto tão saboroso do Espírito. Como ouvimos do testemunho do seu amigo, Ignácio passava os dias alternando seu olhar; hora para a face do mundo, hora para a face de Deus, e, conforme narra o mesmo amigo Luís Gonçalves: "...Nestas considerações acontecia, porém, uma diferença: quando se voltava para as coisas mundanas, sentia grandíssimo prazer; mas, ao deixá-las por cansaço, via-se descontente e árido. Ao contrário, quando pensava na vida rigorosa que notava nos santos, não só no momento em que as resolvia no pensamento, se enchia de gozo, mas quando o abandonava, encontrava-se alegre. Mas não percebia nem avaliava esta diferença até que, aberto um dia os olhos da mente, começou a admirar-se dela; por experiência entendeu que de um gênero de pensamentos lhe vinha descontentamento; o outro lhe deixava alegria...". Parece ser sempre assim, não bastam palavras converter as pessoas, elas precisam ter uma experiência pessoal e direta, onde, como que vem e apalpam o Verbo da vida. Tendo nosso Senhor Jesus galgado as alturas celestes, de junto do Pai nos enviou o Espírito Paráclito. Sendo sutil como a brisa leve, o Espírito facilmente passa desapercebido, embora cubra a terra assim como as águas cobrem o fundo do mar. Às vezes só quando saboreamos um de seus frutos, podemos apreender esta doce presença de nosso Deus e, mesmo isto, ainda só por graça do Amor. Depois, é preciso nos desvencilharmos dos laços que herdamos e f azemos com o mundo para sermos como o vento que sopra e não se sabe de onde vem nem para onde vai. Assim, nascidos do Espírito, espalhamos o agradável odor de Cristo sem resistir ao seu jugo tão suave. Esta ruptura com o mundo é uma páscoa, um processo de morte e ressurreição que parece durar toda a vida. Ignácio embarca nesta travessia de luzes e sombras que simultaneamente vai-se sufocando os vícios e cultivando as virtudes com a resolução necessária de ir todo e ir com tudo em busca do Deus que se deixa encontrar. Ele abraça uma rigorosa vida penitente, deixa casa e roupas finas, dorme nos albergues, veste um saco de penitência; faz sete horas de oração por dia, fica sete dias em completo jejum, faz um vigília, passando toda a noite de pé sob uma imagem de Nossa Senhora de Monserrate. No último período deste tempo intenso de reforma, Ignácio passa por um ano retirado em Manresa onde a graça de Deus o leva a um grande aprofundamento da vida no espírito. As anotações que Ignácio faz destas suas experiências irem compor Os Exercícios Espirituais, livro que condensa a sua espiritualidade. "Pedi ao Pai que me desse um conhecimento íntimo das muitas dádivas que recebi para que cheio de gratidão por tudo, eu possa amar e servir a Divina Majestade em todas as coisas". Após este retiro ele realiza uma peregrinação à Terra Santa descalço. Retornando da Palestina, é em Barcelona que Ignácio compreende que devia estudar por causa do apostolado e assim, abraça, em 1524, a vida de estudante: começou estudando gramática latina juntamente com alunos de 11 anos, foi para Alcalá, depois Salamanca e, finalmente, para Paris onde conseguiu o título de Professor de Filosofia. É em Paris que as moções do Espírito que constróem em Ignácio o ideal de lutar para maior glória de Deus começam a tomar forma quando ele encontra com outros estudantes que são atraídos pelo mesmo chamado. Ignácio, Pedro Favro, Francisco Xavier, Laínez, Salmerón, Simão Rodrigues e Bobadilha, a 15 de agosto de 1534, fazem o primeiro juramento de compromisso, inaugurando a "Companhia de Jesus". Eles queriam dedicar-se às missões entre os muçulmanos entre os muçulmanos da Palestina. Três anos mais tarde, o grupo, aumentado para dez pessoas, percebendo a impossibilidade da viagem à Palestina por causa da guerra, reunido em Veneza, decide oferecer seus serviços ao papa. Ignácio, Favro e Laínez foram ao papa Paulo III, fizeram voto de pobreza, castidade e obediência absoluta, e declararam-se prontos para ir para toda parte onde o Pai da cristandade quisesse enviá-los. O Santo Padre não pôde resistir a votos tão firmes e tão sinceros, e aprovou a "Companhia de Jesus" que oficialmente estabelecida em 1540, com um limite inicial de no máximo sessenta pessoas. Todavia, os primeiros resultados dos seus trabalhos fizeram logo com que o papa levantasse esta restrição. E os seus sucessores concederam-lhe grandes privilégios. Santo Ignácio irá governar estes "Soldados de Cristo" sempre dispostos a ir onde Deus os chamar, os jesuítas, até sua morte em Roma, em 1556. Consagrados "Para a Maior Glória de Deus", trabalham: para salvação do próximo pela pregação, pelas missões, pelos catecismos, pela controvérsia contra os hereges, pela confissão e, sobretudo, pela instrução da mocidade; para sua própria salvação, pela oração interior, o exame de consciência, a leitura de livros ascéticos, especialmente os "Exercícios Espirituais", e a comunhão freqüente. Neste período eles chegam a mais de mil membros espalhados por toda a Europa e além-mar, organizados em 13 províncias e dirigindo 100 colégios. Santo Ignácio pode falar como São Paulo que combateu o bom combate e guardou a fé, não somente para si, mas para muitos."

in: www.e-biografias.net

quarta-feira, 21 de julho de 2004

...para ser o girassol que você é...

Se cada flor tem o seu tempo,
Eu aceito florescer
No apropriado momento.


Imagine em uma semente de girassol que tivesse uma mente capaz de percepção. Ela sabe que é um girassol, mas é capaz de observar as outras plantas enquanto segue o seu curso de crescimento.

Fascinada com o que vê, fica interessada nos fenômenos que observa. Olha uma margarida ao lado, e pensa ?puxa, até que seria legal ser uma margarida?. Então, passa a se esforçar por ser margarida. Como é uma semente de girassol, jamais será uma margarida, Mas gasta tempo e atenção querendo ser uma. Depois, vê um pássaro e se encanta. E passa muito tempo querendo imitar um pássaro - o que obviamente é impossível.

Essa semente aloprada é a nossa mente. Somos seres com características únicas e específicas, somos, cada um perfeitos ao nosso modo. Mas a nossa mente pensante se distrai constantemente, procurando ser outras coisas que não nós.

É aí que entra o papel da disciplina. Ela é que irá garantir que cheguemos ao nosso destino correto: sermos o que somos em perfeição. E essa é a nossa mais profunda prática diária - buscarmos ser o que somos.

Nessa altura, muitos podem se questionar, por acreditarem que não sabem quem são. Mas será que a semente de girassol precisa saber que é girassol? Ou ela só tem que se preocupar em crescer e, posteriormente, florescer?

Não precisamos saber o que somos para sê-lo totalmente. E só chegaremos a esse conhecimento se colocarmos todo nosso esforço em nosso crescimento pessoal. Precisamos nos disciplinar para aceitar nossas práticas diárias, para regarmos nossa alma diariamente, para alimentarmos nosso espírito constantemente.

E a sugestão da prática de hoje é centrada nesse aspecto: em formarmos um hábito de disciplina.

Prática

Escolha uma atividade que você acredite que irá ajudar no seu crescimento espiritual. Lembre-se, entretanto, de ser compassivo consigo mesmo. Escolha algo simples, que possa ser cumprido ? não exija muito de si, pois muitas vezes nos perdemos por exigir demais. A bondade começa em casa: seja bondoso consigo, escolhendo algo simples e que lhe dê prazer. Algumas sugestões:

Durante pelo menos 40 dias, pratique pelo menos 10 minutos de silêncio e imobilidade. Sentada/o em uma posição confortável, observe sua respiração ou pensamentos que passam por sua mente. Se escolher observar a respiração, apenas observe como acontece -não queira respirar devagar ou corretamente. Se preferir a prática de aquietar os pensamentos, não tente forçar-se a não pensar, apenas observe seus pensamentos, deixando que venham e passem.

Comprometa-se a, conscientemente, só fazer comentários que envolvam pessoas depois de refletir sobre o que irá dizer. Pare para pensar antes de falar. Evite conversas que girem em torno de pessoas. Lembre-se -os tolos falam sobre pessoas, os sábios falam sobre idéias e ideais, os santos não falam-. Seja ao menos um sábio.

Diariamente dedique alguns minutos à revisão de seu dia. Analise o que fez, como agiu, o que quer melhorar. Anote suas constatações.

Caminhe diariamente, em silêncio. Caminhar é uma prática espiritual importante.

Comprometa-se com a sua mãe, a Terra. Lembre-se que você só existe porque o planeta que você habita lhe deu, literalmente, o seu corpo, que é feito, todo ele, de componentes químicos deste planeta. Adote alguma prática benéfica para o planeta. Podem ser coisas simples:

Usar menos água quando toma banho, desligar a torneira enquanto lava a roupa e escova os dentes.

Separar direitinho o lixo reciclável do lixo orgânico.

Comprar produtos que não agridam o meio ambiente.

Adotar uma alimentação baseada em produtos orgânicos.

Lembre-se, seu dia-a-dia é sua maior prática. Você se torna aquilo que mais pratica. Pratique consciência e bondade nos pequenos gestos, e será alguém paciente e bondoso. Pratique paz, e será pacífico. Alimente o mundo com aquilo que gostaria de ser alimentado.

Agora, como um girassol que quer crescer, regue o seu jardim. Pratique. Todos os dias. De maneira sistemática. Durante muito tempo. Lembre-se de uma verdade óbvia: a única coisa que há em comum entre todos os santos, sábios, líderes da humanidade é isso: todos foram extremamente disciplinados. Você verá que, aos poucos, irá percebendo com maior clareza o que você é, o que deve fazer. As respostas virão naturalmente, e como um rio que corre para o mar você caminhará, sem perceber, para o seu eu mais profundo.


aula divina...e selvagem com sabor a carla...doce...


...foi o paulinho que disse que a carla era doce e tinha olhos bonitos...o paulo hoje está contente e também sorri com o seu olhar maroto...o joão...veio enfim...à aula...julgava...que tinha desistido..falta o nosso amigo ...boinha...e a aula continua...sem fios...com um pouco de calor à mistura...mais o futuro sem fios...ouço lá ao longe...

domingo, 18 de julho de 2004

penacho


...emblema do que é predominante num ser, sobre a cabeça, sobre  o  elmo, o penacho poderá representar a alma, o amor, a personalidade. manifesta o esforço de um ser para se elevar ao ponto mais alto da sua condição....

sábado, 10 de julho de 2004

Pensamentos Escolhidos

Quando se nos depara o estilo natural ficamos admirados e encantados porque esperávamos encontrar um autor e encontramos um homem.


O poder das moscas; ganham batalhas, impedem a nossa alma de agir, devoram-nos o corpo.



Pascal

sexta-feira, 2 de julho de 2004

"É o teu rosto ainda que eu procuro
Através do terror e da distância
Para a reconstrução de um mundo puro."


Sofia