domingo, 25 de julho de 2004

Santo Ignácio de Loyola



"É sempre muito gratificante observar como a providência divina suscita o remédio oportuno para cada situação que sofre o corpo do Senhor que é a Igreja. O veículo e instrumento de acção terapêutica preferido por nosso Deus é o próprio homem. É admirável o que Deus faz através de nós. No século XVI a Igreja enfrentou, como sempre o faz, tremendos desafios. Teve que se adequar à perda do poder temporal na nova ordem política que vai se estabelecendo na Europa, combater as heresias que arrastavam boa parte do rebanho desatento e, sobretudo, ocupar os novos espaços abertos pelos descobrimentos, obedecendo ao comando divino de proclamar o Evangelho a toda criatura. A Sabedoria escolheu o coração de um jovem soldado, que ferido em batalha, padecia longo e doloroso tratamento para recuperar sua perna, para, a partir de lá, promover uma maravilhosa reação salutífera para toda a Igreja. Este soldado foi Iñigo Lopez de Loyola que tinha trinta anos quando foi ferido ao participar na defesa do castelo de Pamplona, sitiado por Francisco I da França. Caçula de doze irmãos, o jovem fidalgo espanhol, havia sido pajem do nobre cavaleiro João Velasques de Cuellar antes de tornar-se oficial do Duque de Nájera, vice-rei de Navarra. Iñigo que depois tomará o nome de Ignácio, era um jovem muito brioso, valentão, com a cabeça cheia dos ideais de honras, glória e conquista que alimentava lendo os romances de cavalaria tão difundidos no seu meio. É impressionante como esta literatura "fazia a cabeça" da juventude da corte espanhola, Santa Teresa dirá o quanto estas leituras obscureceram na sua juventude a religiosidade que tivera na infância. O mundo tem hoje meios mais poderosos de persuasão para semear seus enganos. O pai da mentira se torna mais ativo na medida em que se lhe esgota o tempo, mas onde abundou o mal superabundou a graça, glória a nosso Deus invencível nas batalhas. Era ano de 1521, o jovem capitão sempre tão ativo tem que passar longos dias e noites quase imóvel, para ajudar a passar as horas ele pede que lhe tragam alguma leitura. Sua cunhada traz os únicos livros que a providência dispôs que ali houvessem: A vida de Jesus e Florilégio dos Santos. Não havendo outros livros é com estes que Ignácio passa o tempo sem suspeitar que lhe era chegada a misteriosa hora da graça. Lendo e relendo aquelas páginas, dia após dia, Ignácio vai se enamorando, seu coração sucumbe lentamente fascinado e atraído por aquela estranha vida amorosamente descrita naqueles livros. O seu amigo Luís Gonçalves que recolheu as confidências destes primeiros encontros assim testemunha: "... ao ler a vida de Cristo, nosso Senhor, e dos santos, punha-se a pensar e consigo mesmo dizia: 'E se eu fizesse mesmo que fez são Francisco? E o que fez São Domingos? Assim refletia muito. Permanecia muito nestes pensamentos. Em seguida, sobrevinham outras cogitações vazias e mudanças que se prolongavam por várias horas...". Mas Ignácio era apaixonado pelas façanhas e honrarias do mundo e havia empenhado o tempo de sua juventude se adestrando com sucesso nas artes que permitissem realizar com brilho os ideais da cavalaria. Que aspiração é esta que se oculta no coração do homem capaz de fazê-lo renunciar a tudo que possui e que sonhou quando vislumbra uma mínima chance de realizá-la? Se ele tivesse optado desde cedo pela carreira religiosa seria mais fácil, mas ele tinha escolhido a carreira militar onde progredira bem e tinha um futuro promissor. Não bastavam aqueles relatos cativantes, era necessário uma percepção nova do mistério da própria vida que só o Espírito Santo nos dá. Era preciso que Ignácio soubesse que aquela grandeza divina, a vida em Deus era também destinada para ele. Esta visão nova, esta iluminação sobrenatural, veio para ele na forma da experiência da alegria, esse fruto tão saboroso do Espírito. Como ouvimos do testemunho do seu amigo, Ignácio passava os dias alternando seu olhar; hora para a face do mundo, hora para a face de Deus, e, conforme narra o mesmo amigo Luís Gonçalves: "...Nestas considerações acontecia, porém, uma diferença: quando se voltava para as coisas mundanas, sentia grandíssimo prazer; mas, ao deixá-las por cansaço, via-se descontente e árido. Ao contrário, quando pensava na vida rigorosa que notava nos santos, não só no momento em que as resolvia no pensamento, se enchia de gozo, mas quando o abandonava, encontrava-se alegre. Mas não percebia nem avaliava esta diferença até que, aberto um dia os olhos da mente, começou a admirar-se dela; por experiência entendeu que de um gênero de pensamentos lhe vinha descontentamento; o outro lhe deixava alegria...". Parece ser sempre assim, não bastam palavras converter as pessoas, elas precisam ter uma experiência pessoal e direta, onde, como que vem e apalpam o Verbo da vida. Tendo nosso Senhor Jesus galgado as alturas celestes, de junto do Pai nos enviou o Espírito Paráclito. Sendo sutil como a brisa leve, o Espírito facilmente passa desapercebido, embora cubra a terra assim como as águas cobrem o fundo do mar. Às vezes só quando saboreamos um de seus frutos, podemos apreender esta doce presença de nosso Deus e, mesmo isto, ainda só por graça do Amor. Depois, é preciso nos desvencilharmos dos laços que herdamos e f azemos com o mundo para sermos como o vento que sopra e não se sabe de onde vem nem para onde vai. Assim, nascidos do Espírito, espalhamos o agradável odor de Cristo sem resistir ao seu jugo tão suave. Esta ruptura com o mundo é uma páscoa, um processo de morte e ressurreição que parece durar toda a vida. Ignácio embarca nesta travessia de luzes e sombras que simultaneamente vai-se sufocando os vícios e cultivando as virtudes com a resolução necessária de ir todo e ir com tudo em busca do Deus que se deixa encontrar. Ele abraça uma rigorosa vida penitente, deixa casa e roupas finas, dorme nos albergues, veste um saco de penitência; faz sete horas de oração por dia, fica sete dias em completo jejum, faz um vigília, passando toda a noite de pé sob uma imagem de Nossa Senhora de Monserrate. No último período deste tempo intenso de reforma, Ignácio passa por um ano retirado em Manresa onde a graça de Deus o leva a um grande aprofundamento da vida no espírito. As anotações que Ignácio faz destas suas experiências irem compor Os Exercícios Espirituais, livro que condensa a sua espiritualidade. "Pedi ao Pai que me desse um conhecimento íntimo das muitas dádivas que recebi para que cheio de gratidão por tudo, eu possa amar e servir a Divina Majestade em todas as coisas". Após este retiro ele realiza uma peregrinação à Terra Santa descalço. Retornando da Palestina, é em Barcelona que Ignácio compreende que devia estudar por causa do apostolado e assim, abraça, em 1524, a vida de estudante: começou estudando gramática latina juntamente com alunos de 11 anos, foi para Alcalá, depois Salamanca e, finalmente, para Paris onde conseguiu o título de Professor de Filosofia. É em Paris que as moções do Espírito que constróem em Ignácio o ideal de lutar para maior glória de Deus começam a tomar forma quando ele encontra com outros estudantes que são atraídos pelo mesmo chamado. Ignácio, Pedro Favro, Francisco Xavier, Laínez, Salmerón, Simão Rodrigues e Bobadilha, a 15 de agosto de 1534, fazem o primeiro juramento de compromisso, inaugurando a "Companhia de Jesus". Eles queriam dedicar-se às missões entre os muçulmanos entre os muçulmanos da Palestina. Três anos mais tarde, o grupo, aumentado para dez pessoas, percebendo a impossibilidade da viagem à Palestina por causa da guerra, reunido em Veneza, decide oferecer seus serviços ao papa. Ignácio, Favro e Laínez foram ao papa Paulo III, fizeram voto de pobreza, castidade e obediência absoluta, e declararam-se prontos para ir para toda parte onde o Pai da cristandade quisesse enviá-los. O Santo Padre não pôde resistir a votos tão firmes e tão sinceros, e aprovou a "Companhia de Jesus" que oficialmente estabelecida em 1540, com um limite inicial de no máximo sessenta pessoas. Todavia, os primeiros resultados dos seus trabalhos fizeram logo com que o papa levantasse esta restrição. E os seus sucessores concederam-lhe grandes privilégios. Santo Ignácio irá governar estes "Soldados de Cristo" sempre dispostos a ir onde Deus os chamar, os jesuítas, até sua morte em Roma, em 1556. Consagrados "Para a Maior Glória de Deus", trabalham: para salvação do próximo pela pregação, pelas missões, pelos catecismos, pela controvérsia contra os hereges, pela confissão e, sobretudo, pela instrução da mocidade; para sua própria salvação, pela oração interior, o exame de consciência, a leitura de livros ascéticos, especialmente os "Exercícios Espirituais", e a comunhão freqüente. Neste período eles chegam a mais de mil membros espalhados por toda a Europa e além-mar, organizados em 13 províncias e dirigindo 100 colégios. Santo Ignácio pode falar como São Paulo que combateu o bom combate e guardou a fé, não somente para si, mas para muitos."

in: www.e-biografias.net

quarta-feira, 21 de julho de 2004

...para ser o girassol que você é...

Se cada flor tem o seu tempo,
Eu aceito florescer
No apropriado momento.


Imagine em uma semente de girassol que tivesse uma mente capaz de percepção. Ela sabe que é um girassol, mas é capaz de observar as outras plantas enquanto segue o seu curso de crescimento.

Fascinada com o que vê, fica interessada nos fenômenos que observa. Olha uma margarida ao lado, e pensa ?puxa, até que seria legal ser uma margarida?. Então, passa a se esforçar por ser margarida. Como é uma semente de girassol, jamais será uma margarida, Mas gasta tempo e atenção querendo ser uma. Depois, vê um pássaro e se encanta. E passa muito tempo querendo imitar um pássaro - o que obviamente é impossível.

Essa semente aloprada é a nossa mente. Somos seres com características únicas e específicas, somos, cada um perfeitos ao nosso modo. Mas a nossa mente pensante se distrai constantemente, procurando ser outras coisas que não nós.

É aí que entra o papel da disciplina. Ela é que irá garantir que cheguemos ao nosso destino correto: sermos o que somos em perfeição. E essa é a nossa mais profunda prática diária - buscarmos ser o que somos.

Nessa altura, muitos podem se questionar, por acreditarem que não sabem quem são. Mas será que a semente de girassol precisa saber que é girassol? Ou ela só tem que se preocupar em crescer e, posteriormente, florescer?

Não precisamos saber o que somos para sê-lo totalmente. E só chegaremos a esse conhecimento se colocarmos todo nosso esforço em nosso crescimento pessoal. Precisamos nos disciplinar para aceitar nossas práticas diárias, para regarmos nossa alma diariamente, para alimentarmos nosso espírito constantemente.

E a sugestão da prática de hoje é centrada nesse aspecto: em formarmos um hábito de disciplina.

Prática

Escolha uma atividade que você acredite que irá ajudar no seu crescimento espiritual. Lembre-se, entretanto, de ser compassivo consigo mesmo. Escolha algo simples, que possa ser cumprido ? não exija muito de si, pois muitas vezes nos perdemos por exigir demais. A bondade começa em casa: seja bondoso consigo, escolhendo algo simples e que lhe dê prazer. Algumas sugestões:

Durante pelo menos 40 dias, pratique pelo menos 10 minutos de silêncio e imobilidade. Sentada/o em uma posição confortável, observe sua respiração ou pensamentos que passam por sua mente. Se escolher observar a respiração, apenas observe como acontece -não queira respirar devagar ou corretamente. Se preferir a prática de aquietar os pensamentos, não tente forçar-se a não pensar, apenas observe seus pensamentos, deixando que venham e passem.

Comprometa-se a, conscientemente, só fazer comentários que envolvam pessoas depois de refletir sobre o que irá dizer. Pare para pensar antes de falar. Evite conversas que girem em torno de pessoas. Lembre-se -os tolos falam sobre pessoas, os sábios falam sobre idéias e ideais, os santos não falam-. Seja ao menos um sábio.

Diariamente dedique alguns minutos à revisão de seu dia. Analise o que fez, como agiu, o que quer melhorar. Anote suas constatações.

Caminhe diariamente, em silêncio. Caminhar é uma prática espiritual importante.

Comprometa-se com a sua mãe, a Terra. Lembre-se que você só existe porque o planeta que você habita lhe deu, literalmente, o seu corpo, que é feito, todo ele, de componentes químicos deste planeta. Adote alguma prática benéfica para o planeta. Podem ser coisas simples:

Usar menos água quando toma banho, desligar a torneira enquanto lava a roupa e escova os dentes.

Separar direitinho o lixo reciclável do lixo orgânico.

Comprar produtos que não agridam o meio ambiente.

Adotar uma alimentação baseada em produtos orgânicos.

Lembre-se, seu dia-a-dia é sua maior prática. Você se torna aquilo que mais pratica. Pratique consciência e bondade nos pequenos gestos, e será alguém paciente e bondoso. Pratique paz, e será pacífico. Alimente o mundo com aquilo que gostaria de ser alimentado.

Agora, como um girassol que quer crescer, regue o seu jardim. Pratique. Todos os dias. De maneira sistemática. Durante muito tempo. Lembre-se de uma verdade óbvia: a única coisa que há em comum entre todos os santos, sábios, líderes da humanidade é isso: todos foram extremamente disciplinados. Você verá que, aos poucos, irá percebendo com maior clareza o que você é, o que deve fazer. As respostas virão naturalmente, e como um rio que corre para o mar você caminhará, sem perceber, para o seu eu mais profundo.


aula divina...e selvagem com sabor a carla...doce...


...foi o paulinho que disse que a carla era doce e tinha olhos bonitos...o paulo hoje está contente e também sorri com o seu olhar maroto...o joão...veio enfim...à aula...julgava...que tinha desistido..falta o nosso amigo ...boinha...e a aula continua...sem fios...com um pouco de calor à mistura...mais o futuro sem fios...ouço lá ao longe...

domingo, 18 de julho de 2004

penacho


...emblema do que é predominante num ser, sobre a cabeça, sobre  o  elmo, o penacho poderá representar a alma, o amor, a personalidade. manifesta o esforço de um ser para se elevar ao ponto mais alto da sua condição....

sábado, 10 de julho de 2004

Pensamentos Escolhidos

Quando se nos depara o estilo natural ficamos admirados e encantados porque esperávamos encontrar um autor e encontramos um homem.


O poder das moscas; ganham batalhas, impedem a nossa alma de agir, devoram-nos o corpo.



Pascal

sexta-feira, 2 de julho de 2004

"É o teu rosto ainda que eu procuro
Através do terror e da distância
Para a reconstrução de um mundo puro."


Sofia




quinta-feira, 1 de julho de 2004

COISAS ADORMECIDAS

Mais do que o olhar a mão que quer
e consente querendo
entre linhas ininterruptas de silêncio
e a água sempre

depois da mão a transparência
e a luz branca que a ilumina de dentro
porosa, óleo sobre lua vegetal
a carícia é o sentido da superfície olhada
e a que está ao lado da forma
rebenta em minúsculos peixes
que são a miniatura da criação

se a mão se afasta em cada poro
uma pétala de atenção se perde
inventamos a carne da palavra
espelhos pobres imagens sem fadiga
que não redimem.

rosa alice branco

pensamentos

Geometria,finura. _ A verdadeira eloquência zomba da eloquência,a verdadeira moral zomba da moral, quer dizer que a moral do gosto, que não tem regras, zomba da moral do intelecto.
Porque é ao gosto que pertence o sentimento, como as ciências pertencem ao intelecto.
Zombar da filosofia é verdadeiramente filosofar.

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Não é bom ser demasiado livre. Não é bom ter todas as servidões.

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A Sabedoria manda-nos regressar à infância: Nisi efficiamini sicut parvuli.

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Pascal

...o amor é silêncio...

...tudo é quietude, nesta... vagarosa madrugada...o caminho poeirento, as árvores do bosque, as espadanas largas que vicejam na margem do arroio, e ar ambiente ... tudo parece possuído por uma doce calma absorta....dizem...que todas as manhãs, quando o sol nasce, o vento detém a sua correria, as folhas das árvores deixam de se abanicar, emudece a natureza, prisioneira de um silêncio expectante....talvez...o silêncio é clima propicio das obras divinas...os homens imaginam que a palavra é decisiva, os conferencistas e os conversadores de dicção fácil...e não é assim; no idioma das almas, a palavra nunca é definitiva...necessitamos de vocábulos para comunicar com os outros, para lhes patentear o tesoiro dos nossos sentimentos íntimos...e, todavia a palavra é superior e imperfeita...jamais poderá conter o latejo profundo da alma....quanto mais superficial é uma vida...quanto menos profundos os sentimentos que moram no coração...mais abundante palavreado oco, mais ostensivas manifestações externas.......no amor...primeiro é a palavra....depois os monossílabos...as expressões entrecortadas...e por fim o silêncio...atingiu-se a máxima comunicação das almas...os corações falam sem palavras...pelo olhar...nos olhos que se cruzam palpita a alma...dispensa intermediários...por isso os que se amam andam sós ...procuram lugares retirados do bulício do mundo...a massa asfixia o amor como o asfalto escaldante da estrada ondulada dificulta a respiração...

segunda-feira, 28 de junho de 2004

...hoje é o primeiro dia de Dona maria...





Aulas de abril, 2004.


Lá fora, o dia radiante. Dentro, aquela mesma emoção e ansiedade de qualquer escola, novidades, muitos assuntos, em meio às novas tarefas. E a professora que esperava também cumprir a sua - ensinar a ler e a escrever. Simples como em qualquer lugar, ou como naquele filme francês "Être et Avoir". Mas nem tudo é muito simples, e no Brasil há milhões de adultos que esperam - um dia que esteja radiante lá fora. Mas em Itapuã é também simples, e bom: até o cachorro da professora, herança da cunhada falecida, pode viver sem impedimentos. Mas não é simples quando se copiam os textos e menos ainda com as lides em matemática - matemática que não é simples nem lá pros lados do vilarejo de St. Etienne-sur-Usson, na região montanhosa da França. E quando se vai ao quadro então? Misto de prazer e vergonha com pitada de medo, é simples. Sim, e sempre tem um aluno novo, hoje é o primeiro dia de dona Maria. De repente, a aula se interrompe. Faceira, entra a Neca, trazendo a peruca que achou no seu trabalho de separadora do lixo inorgânico do Gami. A professora teve que dividir a sua aula com a novidade. Não foi simples. O dia estava radiante lá fora, e em Itapuã nunca um dia, nem a vida toda é assim simples, simples.


grupo de pesquisa

domingo, 27 de junho de 2004

..o circo ainda agora começou...


...os meus palhaços sempre actuais...

(óleo sobre tela)

in ABRUPTO

26.6.04
23:32 (JPP) ...M'ESPANTO AS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ...
(Sa de Miranda) ______________


POBRE PAÍS

o nosso.
Será que se faz ideia, em particular nos órgãos de comunicação social, da enorme confusão que as pessoas comuns, menos politizadas, sentem face a notícias que estão a ouvir nos intervalos do futebol? Notícias que se precipitam, com pequena clareza e explicação, feitas por gente que acompanha ao detalhe a luta política exclusivamente para gente literata na nossa política, sem cuidar da insegurança que geram?

As pessoas intuem que alguma coisa de importante se está a passar, mas não sabem o que é. Imaginam os comentários perplexos que, numa pequena aldeia, traduzem essa impotência pela falta de informação, ou pela informação apressada? O que é que se está a passar? O nosso PM morreu? Os comunistas vão ganhar? Vai mudar tudo? Quem vai governar é a Europa?

Todos estas perguntas me foram feitas. Esta é a realidade da percepção pública de uma crise inesperada, que surge com a máxima estranheza porque fora do quadro eleitoral normal.


ABRUPTO

sábado, 26 de junho de 2004

duas estrelas...

Passou o dia
surgiu a noite
e
no meio da madrugada
corri
percorri as praças da minha cidade
a todos
perguntei por minha amiga
ninguém me soube dizer da sua sorte

uma brisa de vento
levou-me
pela mão
ao mar imenso
e
num cúmplice silêncio
fiz ouvir minha procura

duas estrelas
olhos da mulher amiga
beijaram os meus lábios
até
ao nascer do novo dia



a.m.


Se a estrela for das mais "magrinhas", mais ou menos como o Sol, ou um pouco mais pesada, ela começa a tremer, a tremer, até expulsar de uma vez só toda sua camada externa. Vocês estarão pensando: mas como é que os astrônomos sabem disso? Acontece que essa camada se espalha lentamente pelo espaço, aumentando cada vez mais de tamanho e adquirindo um brilho intenso. Isso pode ser observado num telescópio. Nessa fase, a estrela é uma nebulosa planetária, um dos corpos mais bonitos do céu.




as três mortes das estrelas

Ternura





Vinicius




Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

sexta-feira, 25 de junho de 2004

uns olhos de mulher enigmática...



Álvaro
não sei
não sei da cor dos teus olhos
sinto-os da cor do mar
profundos
misteriosos
repousando no universo
percorrem a eternidade
fazem suster movimento
a Cronos devem o tempo
no espaço são história
são divinos
são humanos
são de mulher sempre deusa
não são olhos
cor dos meus
são olhos
da cor do mar
os teus

quarta-feira, 23 de junho de 2004

...divinas e selvagens...não são sardinhas...são "arderes"...

...há momentos...que não são divinos...são selvagens...pelo silêncio que provocam no doer...que se transforma em outro silêncio...que talvez tenha o nome... do nem estar a acreditar...e que leva a um profundo e outro... de...outro...silêncio...que se transforma em não criar...

domingo, 20 de junho de 2004

Será demais pedir a taça?




Está tudo pronto? Dá-lhe gás!

Três, dois, um, vai arrancar
uma espécie de hino em versão popular
sem essas coisas de mão no peito e ar pesado
Em 2004 o campeonato vai mudar o nosso fado
do coitado, do comido
Porque é que o país se queixa do que podia ter sido?
Mas nunca é. E a culpa nunca é nossa
é do árbitro, é do campo, é de quem nos deu uma coça.
Chega. Queremos mais, é um murro na mesa.
Um grito do Ipiranga em versão portuguesa.
Porque até hoje, quase marcámos, quase ganhámos, quase fizemos?
Mas porquê quase? ?Passemos à próxima fase.

(Refrão)
Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

O conceito é muito simples: não desistir.
Mas será que é chato aquilo que acabamos de pedir?
É chato agora, acreditem no que digo:
nós jogamos em casa e contamos com o Figo,
o Rui Costa, o Deco, o Simão e o Pauleta.
Razões para querermos muito mais que um lugar que não comprometa.
Será de mais pedir a taça?
Nada que um adepto com o mínimo de orgulho não faça.
Bonito, bonito, é dar o litro,
É não passar a vida a pôr culpas no gajo do apito.
Vá lá gritar noventa minutos, cento e vinte, o que for
do princípio ao fim, por favor.
Vamos lá, afinem-me essa voz
No fim, só ganha um? e temos que ser nós.

Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

Joga mais!
Sua mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

Nem custa tanto assim imaginar a vitória
no fundo, é só uma soma de momentos de glória.
Era bonito? Um abraço aqui, um abraço ali?
Abraço toda a gente, abraço quem nunca vi.
Vamos lá transformar isto numa grande festa
Sem pressão, Selecção, és a esperança que nos resta
Por isso, escuta: não te esqueças que a sorte protege os filhos da luta.
Não nos levem a mal a exigência
Mas p'a empates e derrotas não há grande paciência.
Queremos mais, muito mais, menos ais
Scolari, já vimos do que cê é capais.
Cê sabe que para ganhar é preciso ter fé.
E a bola no pé.

?querem mais?

Então vamos lá outra vez
Quem não salta, não é português
Sempre com o desejo de cantar na final
"levantai hoje de novo o esplendor de Portugal".
Tudo a postos,
vamos ter fé uma vez na vida
e acabar o europeu de cabeça e de taça erguida.
Se temos saudade, temos vontade, temos saúde, temos atitude
Se temos tudo, de que é que o português se queixa?
?Era esta a vossa deixa.

Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

Joga mais!
Sua mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!

sábado, 19 de junho de 2004

Ninguém conhece ninguém


JOSÉ AMÁDIO apresenta JORGE AMADO

A HISTÓRIA de hoje terá canela, cravo e Gabriela também. Terá saveiros, vento, mulatas, exotismo, brancas praias de areia-talco, candomblé, cana-de-açúcar, pimenta, azeite-de-dendê, acarajés agressivos. Terá sol e gôsto de mar; sal e gôsto de terra. Terá sinos, e amôres, e nuvens, e cacau, e luares quase fantasmagóricos. Terá poesia, política, inteligência, autenticidade, fôrça criadora.
Porque o cabra se chama Jorge Amado.

Terra & Gente

Veja você: um menino nasce como qualquer outro, feioso, chorão, franzino, cabeçudo, as orelhas de abano. Anda, vira, remexe e quando menos se espera é nome internacional com livros traduzidos em 30 diferentes idiomas. Amado, Jorge, baiano, é homem de muitos mares, de muitas colinas e de muitos horizontes. Cidadão do mundo, nascido na zona do cacau, aprendeu a fotografar a terra como coração. Sempre andou com os problemas dessa terra no bôlso. Conhece rostos na multidão. É um homem de massas, intérprete de sentimentos e anseios coletivos. Quem o ensinou a entender gente? Onde aprendeu a pegar um pretinho qualquer, bronco, e tirar dêle braçadas de poesia, jarras de simplicidade? Quem já o leu sabe disso: três linhas e o tipo vive, arfa, palpita, deixa rastro, cheiro e gôsto.
Um escritor.

Gabriela & Fuga

Gabriela já é instituição nacional. Caudalosa, transbordou as margens do romance e está-se espraiando pelo País. Deixou de ser personagem para ser gente. Creio mesmo que já a encontrei desfilando para os velhinhos da Gonçalves Dias, trêfega, soltando chispas da mais autêntica feminilidade. Compreendo agora porque Agrippino afirmou ser ela a mulher que mais tem rendido a um romancista nacional. Gabriela é de todos nós, juriti de segunda plumagem em cujo sucesso o autor não confiava muito (acha lenta a primeira parte do livro). Depois que o editor Martins soltou os primeiros 20.000 exemplares, a diaba escapuliu do livro e invadiu o grande público. Os outros personagens, talvez algo enciumados, também tentaram se libertar. Na semana do lançamento, o árabe Nacib foi citado por um comentarista político. Walter leu o livro. Gostou. Recomendou a Mário. Mário leu. Gostou. Recomendou a Milton. Milton leu. Gostou...
Era o livro que se estava esperando.

Comes & Bebes

Literatura é vício, como amor, rapé e cocaína. Vamos deixar êsses azares de lado para enfrentar o outro lado do cidadão Jorge Amado, bom baiano de olhar meio nebuloso e cabelo já sôbre o grisalho. No rosário de nadas e circunstâncias que compreendem o seu mundo (mundo grande) percebe-se que gosta muito de mambembe e de bater papo com amigos (papo simples, sem compromissos ou preocupações literárias). Ama a Bahia acima de tudo, ou de quase tudo. Também gosta de Paris, das velhas canções francesas, da cerâmica popular, dos bons vinhos. Não se considera grande bebedor mas topa conhaque e pisca ôlho para uma boa cachaça. Trata o whisky com certo desprêzo. Não sabe nadar. É incompetente para qualquer espécie de exercício físico. Não teme a morte, mas a considera muito chata, pois acha formidável estar vivo. Sente necessidade de solidão, às vêzes. Tem muitos amigos e alguns prováveis inimigos. É comilão de quitutes baianos. Espera mudar-se definitivamente para a Bahia.
Lá é amigo do rei.

Chaplin & Zizinho

Considera Charles Chaplin a figura n.º 1 da humanidade atual. Picasso (de quem é amigo) é a sua figura n.º 2. Gosta de futebol (América), mas torce mesmo por jogadores e não por times. Sempre foi grande torcedor de Zizinho, de Didi e agora de Garrincha. Fuma três maços de cigarros por dia (e mais quando está escrevendo). Gosta de teatro. Não vai ao cinema para ir ao cinema, mas pela categoria do filme (tem que ser de bom para cima). Aceita um cowboy de quando em quando. Seus livros já foram traduzidos em islandês, francês, sueco, espanhol, inglês, italiano, albanês, russo, chinês, tcheco, hebreu, persa, alemão, lituano, ucraniano, romeno, iidíche, húngaro, cervocroata, esloveno, holandês, mongol, grego, eslovaco, polonês, árabe, dinamarquês, norueguês e finlandês. Acha, modestamente, que deve seu grande sucesso no exterior ao caráter tipicamente brasileiro da obra. Quando o elogiam de cara, perde o jeito, encabula. Dos seus livros, gosta mais de Mar Morto. Mas a preferência é sentimental e não literária.
Já quebrou o dedão do pé.

Obá & URSS

Jorge Amado é pai-de-santo. É um obá. Sabem o que é isso? Obá é uma das dignidades no candomblé de Xangô. É uma espécie de ministro (da mão direita) com direito a voz e voto. O maior pôsto na hierarquia civil do candomblé, mas sem autoridade religiosa. Está ligado aos terreiros há mais de 20 anos e é amigo íntimo de Senhora, a mãe-de-santo n.º 1 do Brasil. E agora, saltando da Bahia para a Oropa (com escalas na França), informo que Jorge Amado já estêve 10 vêzes na União Soviética e 2 vêzes na China Nacionalista. Também percorreu o Paquistão, o Ceilão, a índia, tôda a Europa e América do Sul. Acha que viajando o escritor amadurece e adquire traquejo. Afirma que ninguém pode ser indiferente à experiência soviética (ou se é contra ou a favor) e a considera uma das coisas fundamentais do nosso tempo.
Teve atividade política durante muito tempo, como homem e como escritor.
Agora prefere escrever.

Coqueiros & JK

Em môço, percorreu o Brasil inteiro e está querendo repetir a façanha. Agora mesmo voltou de Pernambuco, depois de passar cinco semanas na praia de Maria Farinha, entre os coqueiros e o mar, sem rádio, sem jornais, sem fumaça a não ser a do cigarro. Achou bom. Sentiu-se bem. Pescou, andou de jangada, falou com os pescadores e alimentou a gravidez de seu próximo livro. Juscelino já leu Gabriela e achou notável (por causa do livro estão consertando o pôrto de Ilhéus). Jorge se confessa fã incondicional da administração de JK. Se não fosse inconstitucional, votaria pela sua reeleição. Acha que Juscelino foi o maior presidente que o Brasil já teve e que seu Govêrno é bastante democrático. Diz isso com tranqüilidade, pois nunca precisou de Juscelino. Nunca lhe pediu favores.
Nem eu.

Irritação & Criação

Jorge detesta gente chata (ou auto-suficiente), calor, chá, avião (tem mêdo de andar em). Se lambe todo com caju, manga e sapoti. Sua fala é mansa, sua conversa embrulhada, na base do"e tal e coisa", "aquêle negócio", "aquêle cara" . Ninguém reconheceria em sua prosa recortada o maior romancista vivo do Brasil. Rumina seus livros durante meses. Quando chega a hora de passá-los para o papel se dinamiza e vira bicho. Chega a ser estúpido, com os que o rodeiam. Nada mais o interessa a não ser a obra. Sua velha máquina (21 anos) resfolega e seus dois indicadores quase desaparecem na velocidade. Início de livro é sempre torturante para êle. Escreve, reescreve, rasga. Depois toma embalagem e pronto: quatro horas de trabalho nos primeiros dias, oito horas na metade, dezesseis nos capítulos finais. Gastou vários meses imaginando Gabriela e escreveu-o em apenas dois (quando já atingira a página cento e tantos, rasgou tudo e começou de novo) . Ao terminar um livro, está esgotado.
E entra numa espécie de vácuo.

Táxi & Luxo

Perguntam-lhe se teme o sucesso de Gabriela. Poderá escrever outro livro melhor? Bobagem. Como esperar que cada livro de um escritor seja melhor do que o anterior? Se houvesse tal receio, o lógico seria parar de vez. Mas como? Jorge precisa escrever. Vive disso. É o seu ganha-pão. Pasmem: Gabriela já lhe rendeu cêrca de quatro milhões de cruzeiros. Seu pai é fazendeiro no sul da Bahia. Cacau. O negócio de Jorge é mesmo literatura. Propostas para novas edições estão sempre chegando e isso o obriga a manter correspondência constante com o mundo inteiro. Tem até secretária. Diz que seu único luxo é andar de táxi. Possui automóvel. Não sabe dirigir nem quer aprender. Sua espôsa (D. Zélia) é a motorista da família. Isso deixa Jorge em preocupação constante: ela pode morrer ou matar alguém. É má companhia para automóvel.
Dá palpite ao motorista.

Ficção & Realidade

Dizem que existe, de fato, uma Gabriela. Jorge afirma que nunca viu tal senhora. Aconteceu um caso em Ilhéus que foi o ponto de partida para o romance. E só. Personagem de livro nunca pode ser figura real, mesmo quando a história é baseada na realidade. Os personagens quase sempre são auto-suficientes e depois das primeiras páginas passam a andar com os próprios pés. Ocorre que às vêzes fazem exatamente o oposto daquilo que o autor desejaria. É no livro que adquirem realidade própria e personalidade. Pergunto-lhe como imagina Gabriela fisicamente. Responde dizendo que já recebeu três Gabrielas (dois quadros e um desenho), tôdas diferentes entre si e mais diferentes ainda daquela que vive em sua imaginação. No seu modo de ver, um escritor não deve descrever os tipos, mas marcá-los. O público que se encarregue do resto. Um leitor quis saber por que Mundinho não casou com a neta do coronel. Não soube responder. Mundinho não casou porque não quis.
Êle, Jorge, não tem nada com isso.

Defeitos & Idéias

Entre os seus defeitos mais marcantes está a preguiça e uma certa tendência para a irritabilidade repentina. Fogo de palha: dois minutos depois dos maiores esbregues é capaz das maiores ternuras. Acha que os defeitos se modificam com a idade e agora, quarentão, considera-se ponderado. Detesta conferências e declamações. Quando vê baratas pode até dar tiros. Seus planos? Está amadurecendo uma história de vagabundos (cujo esbôço foi publicado na revista SR) . Tem fé nesse livro (se chegar a escrevê-lo) . Também planeja um grande painel do Nordeste, cujo personagem principal será um chofer de caminhão, que é o grande herói romântico daquela zona. Será coisa grande, para daqui a quatro ou cinco anos. Um "romance do candomblé" também passeia no seu cérebro.
É grande fã de papagaios.

Paloma & João

Amado, Jorge e baiano. Levou os filhos Paloma e João ao Nordeste para ensinar-lhes o que é bicho, fruta, vento, terra e gente. Não acredita em infância pré-fabricada. Quer que os meninos sejam criaturas humanas e que guardem em si aquêle "sentido da terra" de que nos fala o mestre Nietzsche.
O sentido que êle próprio canta.

in O Cruzeiro

26 de Março de 1960

sexta-feira, 18 de junho de 2004

s. joão


silva pinto
óleo sobre tela

quinta-feira, 17 de junho de 2004

aristides