segunda-feira, 28 de junho de 2004

...hoje é o primeiro dia de Dona maria...





Aulas de abril, 2004.


Lá fora, o dia radiante. Dentro, aquela mesma emoção e ansiedade de qualquer escola, novidades, muitos assuntos, em meio às novas tarefas. E a professora que esperava também cumprir a sua - ensinar a ler e a escrever. Simples como em qualquer lugar, ou como naquele filme francês "Être et Avoir". Mas nem tudo é muito simples, e no Brasil há milhões de adultos que esperam - um dia que esteja radiante lá fora. Mas em Itapuã é também simples, e bom: até o cachorro da professora, herança da cunhada falecida, pode viver sem impedimentos. Mas não é simples quando se copiam os textos e menos ainda com as lides em matemática - matemática que não é simples nem lá pros lados do vilarejo de St. Etienne-sur-Usson, na região montanhosa da França. E quando se vai ao quadro então? Misto de prazer e vergonha com pitada de medo, é simples. Sim, e sempre tem um aluno novo, hoje é o primeiro dia de dona Maria. De repente, a aula se interrompe. Faceira, entra a Neca, trazendo a peruca que achou no seu trabalho de separadora do lixo inorgânico do Gami. A professora teve que dividir a sua aula com a novidade. Não foi simples. O dia estava radiante lá fora, e em Itapuã nunca um dia, nem a vida toda é assim simples, simples.


grupo de pesquisa

domingo, 27 de junho de 2004

..o circo ainda agora começou...


...os meus palhaços sempre actuais...

(óleo sobre tela)

in ABRUPTO

26.6.04
23:32 (JPP) ...M'ESPANTO AS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ...
(Sa de Miranda) ______________


POBRE PAÍS

o nosso.
Será que se faz ideia, em particular nos órgãos de comunicação social, da enorme confusão que as pessoas comuns, menos politizadas, sentem face a notícias que estão a ouvir nos intervalos do futebol? Notícias que se precipitam, com pequena clareza e explicação, feitas por gente que acompanha ao detalhe a luta política exclusivamente para gente literata na nossa política, sem cuidar da insegurança que geram?

As pessoas intuem que alguma coisa de importante se está a passar, mas não sabem o que é. Imaginam os comentários perplexos que, numa pequena aldeia, traduzem essa impotência pela falta de informação, ou pela informação apressada? O que é que se está a passar? O nosso PM morreu? Os comunistas vão ganhar? Vai mudar tudo? Quem vai governar é a Europa?

Todos estas perguntas me foram feitas. Esta é a realidade da percepção pública de uma crise inesperada, que surge com a máxima estranheza porque fora do quadro eleitoral normal.


ABRUPTO

sábado, 26 de junho de 2004

duas estrelas...

Passou o dia
surgiu a noite
e
no meio da madrugada
corri
percorri as praças da minha cidade
a todos
perguntei por minha amiga
ninguém me soube dizer da sua sorte

uma brisa de vento
levou-me
pela mão
ao mar imenso
e
num cúmplice silêncio
fiz ouvir minha procura

duas estrelas
olhos da mulher amiga
beijaram os meus lábios
até
ao nascer do novo dia



a.m.


Se a estrela for das mais "magrinhas", mais ou menos como o Sol, ou um pouco mais pesada, ela começa a tremer, a tremer, até expulsar de uma vez só toda sua camada externa. Vocês estarão pensando: mas como é que os astrônomos sabem disso? Acontece que essa camada se espalha lentamente pelo espaço, aumentando cada vez mais de tamanho e adquirindo um brilho intenso. Isso pode ser observado num telescópio. Nessa fase, a estrela é uma nebulosa planetária, um dos corpos mais bonitos do céu.




as três mortes das estrelas

Ternura





Vinicius




Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

sexta-feira, 25 de junho de 2004

uns olhos de mulher enigmática...



Álvaro
não sei
não sei da cor dos teus olhos
sinto-os da cor do mar
profundos
misteriosos
repousando no universo
percorrem a eternidade
fazem suster movimento
a Cronos devem o tempo
no espaço são história
são divinos
são humanos
são de mulher sempre deusa
não são olhos
cor dos meus
são olhos
da cor do mar
os teus

quarta-feira, 23 de junho de 2004

...divinas e selvagens...não são sardinhas...são "arderes"...

...há momentos...que não são divinos...são selvagens...pelo silêncio que provocam no doer...que se transforma em outro silêncio...que talvez tenha o nome... do nem estar a acreditar...e que leva a um profundo e outro... de...outro...silêncio...que se transforma em não criar...

domingo, 20 de junho de 2004

Será demais pedir a taça?




Está tudo pronto? Dá-lhe gás!

Três, dois, um, vai arrancar
uma espécie de hino em versão popular
sem essas coisas de mão no peito e ar pesado
Em 2004 o campeonato vai mudar o nosso fado
do coitado, do comido
Porque é que o país se queixa do que podia ter sido?
Mas nunca é. E a culpa nunca é nossa
é do árbitro, é do campo, é de quem nos deu uma coça.
Chega. Queremos mais, é um murro na mesa.
Um grito do Ipiranga em versão portuguesa.
Porque até hoje, quase marcámos, quase ganhámos, quase fizemos?
Mas porquê quase? ?Passemos à próxima fase.

(Refrão)
Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

O conceito é muito simples: não desistir.
Mas será que é chato aquilo que acabamos de pedir?
É chato agora, acreditem no que digo:
nós jogamos em casa e contamos com o Figo,
o Rui Costa, o Deco, o Simão e o Pauleta.
Razões para querermos muito mais que um lugar que não comprometa.
Será de mais pedir a taça?
Nada que um adepto com o mínimo de orgulho não faça.
Bonito, bonito, é dar o litro,
É não passar a vida a pôr culpas no gajo do apito.
Vá lá gritar noventa minutos, cento e vinte, o que for
do princípio ao fim, por favor.
Vamos lá, afinem-me essa voz
No fim, só ganha um? e temos que ser nós.

Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

Joga mais!
Sua mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

Nem custa tanto assim imaginar a vitória
no fundo, é só uma soma de momentos de glória.
Era bonito? Um abraço aqui, um abraço ali?
Abraço toda a gente, abraço quem nunca vi.
Vamos lá transformar isto numa grande festa
Sem pressão, Selecção, és a esperança que nos resta
Por isso, escuta: não te esqueças que a sorte protege os filhos da luta.
Não nos levem a mal a exigência
Mas p'a empates e derrotas não há grande paciência.
Queremos mais, muito mais, menos ais
Scolari, já vimos do que cê é capais.
Cê sabe que para ganhar é preciso ter fé.
E a bola no pé.

?querem mais?

Então vamos lá outra vez
Quem não salta, não é português
Sempre com o desejo de cantar na final
"levantai hoje de novo o esplendor de Portugal".
Tudo a postos,
vamos ter fé uma vez na vida
e acabar o europeu de cabeça e de taça erguida.
Se temos saudade, temos vontade, temos saúde, temos atitude
Se temos tudo, de que é que o português se queixa?
?Era esta a vossa deixa.

Marca mais!
Corre mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!
Quero muito mais!

Joga mais!
Sua mais!
Menos ais, menos ais, menos ais!

sábado, 19 de junho de 2004

Ninguém conhece ninguém


JOSÉ AMÁDIO apresenta JORGE AMADO

A HISTÓRIA de hoje terá canela, cravo e Gabriela também. Terá saveiros, vento, mulatas, exotismo, brancas praias de areia-talco, candomblé, cana-de-açúcar, pimenta, azeite-de-dendê, acarajés agressivos. Terá sol e gôsto de mar; sal e gôsto de terra. Terá sinos, e amôres, e nuvens, e cacau, e luares quase fantasmagóricos. Terá poesia, política, inteligência, autenticidade, fôrça criadora.
Porque o cabra se chama Jorge Amado.

Terra & Gente

Veja você: um menino nasce como qualquer outro, feioso, chorão, franzino, cabeçudo, as orelhas de abano. Anda, vira, remexe e quando menos se espera é nome internacional com livros traduzidos em 30 diferentes idiomas. Amado, Jorge, baiano, é homem de muitos mares, de muitas colinas e de muitos horizontes. Cidadão do mundo, nascido na zona do cacau, aprendeu a fotografar a terra como coração. Sempre andou com os problemas dessa terra no bôlso. Conhece rostos na multidão. É um homem de massas, intérprete de sentimentos e anseios coletivos. Quem o ensinou a entender gente? Onde aprendeu a pegar um pretinho qualquer, bronco, e tirar dêle braçadas de poesia, jarras de simplicidade? Quem já o leu sabe disso: três linhas e o tipo vive, arfa, palpita, deixa rastro, cheiro e gôsto.
Um escritor.

Gabriela & Fuga

Gabriela já é instituição nacional. Caudalosa, transbordou as margens do romance e está-se espraiando pelo País. Deixou de ser personagem para ser gente. Creio mesmo que já a encontrei desfilando para os velhinhos da Gonçalves Dias, trêfega, soltando chispas da mais autêntica feminilidade. Compreendo agora porque Agrippino afirmou ser ela a mulher que mais tem rendido a um romancista nacional. Gabriela é de todos nós, juriti de segunda plumagem em cujo sucesso o autor não confiava muito (acha lenta a primeira parte do livro). Depois que o editor Martins soltou os primeiros 20.000 exemplares, a diaba escapuliu do livro e invadiu o grande público. Os outros personagens, talvez algo enciumados, também tentaram se libertar. Na semana do lançamento, o árabe Nacib foi citado por um comentarista político. Walter leu o livro. Gostou. Recomendou a Mário. Mário leu. Gostou. Recomendou a Milton. Milton leu. Gostou...
Era o livro que se estava esperando.

Comes & Bebes

Literatura é vício, como amor, rapé e cocaína. Vamos deixar êsses azares de lado para enfrentar o outro lado do cidadão Jorge Amado, bom baiano de olhar meio nebuloso e cabelo já sôbre o grisalho. No rosário de nadas e circunstâncias que compreendem o seu mundo (mundo grande) percebe-se que gosta muito de mambembe e de bater papo com amigos (papo simples, sem compromissos ou preocupações literárias). Ama a Bahia acima de tudo, ou de quase tudo. Também gosta de Paris, das velhas canções francesas, da cerâmica popular, dos bons vinhos. Não se considera grande bebedor mas topa conhaque e pisca ôlho para uma boa cachaça. Trata o whisky com certo desprêzo. Não sabe nadar. É incompetente para qualquer espécie de exercício físico. Não teme a morte, mas a considera muito chata, pois acha formidável estar vivo. Sente necessidade de solidão, às vêzes. Tem muitos amigos e alguns prováveis inimigos. É comilão de quitutes baianos. Espera mudar-se definitivamente para a Bahia.
Lá é amigo do rei.

Chaplin & Zizinho

Considera Charles Chaplin a figura n.º 1 da humanidade atual. Picasso (de quem é amigo) é a sua figura n.º 2. Gosta de futebol (América), mas torce mesmo por jogadores e não por times. Sempre foi grande torcedor de Zizinho, de Didi e agora de Garrincha. Fuma três maços de cigarros por dia (e mais quando está escrevendo). Gosta de teatro. Não vai ao cinema para ir ao cinema, mas pela categoria do filme (tem que ser de bom para cima). Aceita um cowboy de quando em quando. Seus livros já foram traduzidos em islandês, francês, sueco, espanhol, inglês, italiano, albanês, russo, chinês, tcheco, hebreu, persa, alemão, lituano, ucraniano, romeno, iidíche, húngaro, cervocroata, esloveno, holandês, mongol, grego, eslovaco, polonês, árabe, dinamarquês, norueguês e finlandês. Acha, modestamente, que deve seu grande sucesso no exterior ao caráter tipicamente brasileiro da obra. Quando o elogiam de cara, perde o jeito, encabula. Dos seus livros, gosta mais de Mar Morto. Mas a preferência é sentimental e não literária.
Já quebrou o dedão do pé.

Obá & URSS

Jorge Amado é pai-de-santo. É um obá. Sabem o que é isso? Obá é uma das dignidades no candomblé de Xangô. É uma espécie de ministro (da mão direita) com direito a voz e voto. O maior pôsto na hierarquia civil do candomblé, mas sem autoridade religiosa. Está ligado aos terreiros há mais de 20 anos e é amigo íntimo de Senhora, a mãe-de-santo n.º 1 do Brasil. E agora, saltando da Bahia para a Oropa (com escalas na França), informo que Jorge Amado já estêve 10 vêzes na União Soviética e 2 vêzes na China Nacionalista. Também percorreu o Paquistão, o Ceilão, a índia, tôda a Europa e América do Sul. Acha que viajando o escritor amadurece e adquire traquejo. Afirma que ninguém pode ser indiferente à experiência soviética (ou se é contra ou a favor) e a considera uma das coisas fundamentais do nosso tempo.
Teve atividade política durante muito tempo, como homem e como escritor.
Agora prefere escrever.

Coqueiros & JK

Em môço, percorreu o Brasil inteiro e está querendo repetir a façanha. Agora mesmo voltou de Pernambuco, depois de passar cinco semanas na praia de Maria Farinha, entre os coqueiros e o mar, sem rádio, sem jornais, sem fumaça a não ser a do cigarro. Achou bom. Sentiu-se bem. Pescou, andou de jangada, falou com os pescadores e alimentou a gravidez de seu próximo livro. Juscelino já leu Gabriela e achou notável (por causa do livro estão consertando o pôrto de Ilhéus). Jorge se confessa fã incondicional da administração de JK. Se não fosse inconstitucional, votaria pela sua reeleição. Acha que Juscelino foi o maior presidente que o Brasil já teve e que seu Govêrno é bastante democrático. Diz isso com tranqüilidade, pois nunca precisou de Juscelino. Nunca lhe pediu favores.
Nem eu.

Irritação & Criação

Jorge detesta gente chata (ou auto-suficiente), calor, chá, avião (tem mêdo de andar em). Se lambe todo com caju, manga e sapoti. Sua fala é mansa, sua conversa embrulhada, na base do"e tal e coisa", "aquêle negócio", "aquêle cara" . Ninguém reconheceria em sua prosa recortada o maior romancista vivo do Brasil. Rumina seus livros durante meses. Quando chega a hora de passá-los para o papel se dinamiza e vira bicho. Chega a ser estúpido, com os que o rodeiam. Nada mais o interessa a não ser a obra. Sua velha máquina (21 anos) resfolega e seus dois indicadores quase desaparecem na velocidade. Início de livro é sempre torturante para êle. Escreve, reescreve, rasga. Depois toma embalagem e pronto: quatro horas de trabalho nos primeiros dias, oito horas na metade, dezesseis nos capítulos finais. Gastou vários meses imaginando Gabriela e escreveu-o em apenas dois (quando já atingira a página cento e tantos, rasgou tudo e começou de novo) . Ao terminar um livro, está esgotado.
E entra numa espécie de vácuo.

Táxi & Luxo

Perguntam-lhe se teme o sucesso de Gabriela. Poderá escrever outro livro melhor? Bobagem. Como esperar que cada livro de um escritor seja melhor do que o anterior? Se houvesse tal receio, o lógico seria parar de vez. Mas como? Jorge precisa escrever. Vive disso. É o seu ganha-pão. Pasmem: Gabriela já lhe rendeu cêrca de quatro milhões de cruzeiros. Seu pai é fazendeiro no sul da Bahia. Cacau. O negócio de Jorge é mesmo literatura. Propostas para novas edições estão sempre chegando e isso o obriga a manter correspondência constante com o mundo inteiro. Tem até secretária. Diz que seu único luxo é andar de táxi. Possui automóvel. Não sabe dirigir nem quer aprender. Sua espôsa (D. Zélia) é a motorista da família. Isso deixa Jorge em preocupação constante: ela pode morrer ou matar alguém. É má companhia para automóvel.
Dá palpite ao motorista.

Ficção & Realidade

Dizem que existe, de fato, uma Gabriela. Jorge afirma que nunca viu tal senhora. Aconteceu um caso em Ilhéus que foi o ponto de partida para o romance. E só. Personagem de livro nunca pode ser figura real, mesmo quando a história é baseada na realidade. Os personagens quase sempre são auto-suficientes e depois das primeiras páginas passam a andar com os próprios pés. Ocorre que às vêzes fazem exatamente o oposto daquilo que o autor desejaria. É no livro que adquirem realidade própria e personalidade. Pergunto-lhe como imagina Gabriela fisicamente. Responde dizendo que já recebeu três Gabrielas (dois quadros e um desenho), tôdas diferentes entre si e mais diferentes ainda daquela que vive em sua imaginação. No seu modo de ver, um escritor não deve descrever os tipos, mas marcá-los. O público que se encarregue do resto. Um leitor quis saber por que Mundinho não casou com a neta do coronel. Não soube responder. Mundinho não casou porque não quis.
Êle, Jorge, não tem nada com isso.

Defeitos & Idéias

Entre os seus defeitos mais marcantes está a preguiça e uma certa tendência para a irritabilidade repentina. Fogo de palha: dois minutos depois dos maiores esbregues é capaz das maiores ternuras. Acha que os defeitos se modificam com a idade e agora, quarentão, considera-se ponderado. Detesta conferências e declamações. Quando vê baratas pode até dar tiros. Seus planos? Está amadurecendo uma história de vagabundos (cujo esbôço foi publicado na revista SR) . Tem fé nesse livro (se chegar a escrevê-lo) . Também planeja um grande painel do Nordeste, cujo personagem principal será um chofer de caminhão, que é o grande herói romântico daquela zona. Será coisa grande, para daqui a quatro ou cinco anos. Um "romance do candomblé" também passeia no seu cérebro.
É grande fã de papagaios.

Paloma & João

Amado, Jorge e baiano. Levou os filhos Paloma e João ao Nordeste para ensinar-lhes o que é bicho, fruta, vento, terra e gente. Não acredita em infância pré-fabricada. Quer que os meninos sejam criaturas humanas e que guardem em si aquêle "sentido da terra" de que nos fala o mestre Nietzsche.
O sentido que êle próprio canta.

in O Cruzeiro

26 de Março de 1960

sexta-feira, 18 de junho de 2004

s. joão


silva pinto
óleo sobre tela

quinta-feira, 17 de junho de 2004

aristides

domingo, 13 de junho de 2004

capa inteira


livro do Achutti

o livro do querido Luíz...L'HOMME SUR LA PHOTO manuel de photoethnographie

Sim o livro ficou pronto em Paris, e está também pelo site da editora http://www.teraedre-publishing.com/index3.php?coll=1&ouvr=37
ainda não pude ve-lo. Estou contente.
Beijos.
Luiz


livro

achutti

Julia e Leo


Lolita vai uma foto da Julia com o Leonardo. A Julia é a coisa mais querida deste mundo, generosa, sensível. Como é que ela vai enfrentar esse mundo eu não sei, talvez nem saiba ensinar.
Beijos.
Luiz Achutti.

...o meu santo antónio...


óleo sobre tela
Silva Pinto

LISBOA

Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é verão.

Nos lábios tem o cheiro de um sorriso
Manjerico tem o cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juizo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas.

Lisboa gaiata, de chinela no pé
Lisboa travessa, que linda que ela é,
Lisboa ladina, que bailas a cantar,
Sereia pequenina que Deus guarda ao pé do mar.

Lá vai Lisboa
Com a saia côr do mar
E todo o bairro é um noivo
Que com ela vai casar.

Lá vai Lisboa
Com seu arquinho e balão
Com cantiguinhas na boca
E amor no coração.

Olhó cochicho que se farta de apitar
Ripipipipipipi e nunca mais desafina
Rapaziada quem é que quer assoprar
Ripipipipipipi no cochicho da menina.

Que negra sina ver-me assim
Que sorte vil e degradante
Ai que saudades sinto em mim
Do meu viver de estudante

Ai chega, chega, chega a minha agulha
Afasta, afasta, afasta, afasta o meu dedal
Brejeira não sejas trafulha
Ò linda vem cozer o avental (Ó paizinho que eu não consigo)

Ai chega, chega, chega a minha agulha
Afasta, afasta, afasta, afasta o meu dedal
Brejeira não sejas trafulha, ai não
És a mais bela fresca agulha em Portugal

Santo António já se acabou
E o S.Pedro está-se a acabar
S.João, S.João, S.João,
Dá cá um balão para eu brincar.

Ó-i-ó-ai, fui comprar um manjerico
Ó-i-ó-ai,fui daqui pr'ó bailarico
Eu tenho uma gaiata aqui dependurada
Que tem mesmo a lata lá da namorada

Olhai senhores,
Esta Lisboa de outras eras
Dos cincos reis das esperas
E das toiradas reais,
Das festas, das seculares procissões
Dos populares pregões matinais
Que já não voltam mais.

Lisboa, andou de lado em lado
Foi ver uma toirada
Depois bailou, bebeu
Lisboa, ouviu cantar o fado
Rompia a madrugada
Quando ela adormeceu.

Um craveiro, uma água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na prôa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar.


cancioneiro

Santo António



Santo António

sábado, 12 de junho de 2004

:(((

quinta-feira, 10 de junho de 2004

Amor é...

Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói, e não se sente;

é um contentamento descontente,

é dor que desatina sem doer.



É um não querer mais que bem querer;

é um andar solitário entre a gente;

é nunca contentar-se de contente;

é um cuidar que ganha em se perder.



É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata, lealdade.



Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Camões