domingo, 13 de junho de 2004

o livro do querido Luíz...L'HOMME SUR LA PHOTO manuel de photoethnographie

Sim o livro ficou pronto em Paris, e está também pelo site da editora http://www.teraedre-publishing.com/index3.php?coll=1&ouvr=37
ainda não pude ve-lo. Estou contente.
Beijos.
Luiz


livro

achutti

Julia e Leo


Lolita vai uma foto da Julia com o Leonardo. A Julia é a coisa mais querida deste mundo, generosa, sensível. Como é que ela vai enfrentar esse mundo eu não sei, talvez nem saiba ensinar.
Beijos.
Luiz Achutti.

...o meu santo antónio...


óleo sobre tela
Silva Pinto

LISBOA

Lisboa cheira aos cafés do Rossio
E o fado cheira sempre a solidão
Cheira a castanha assada se está frio
Cheira a fruta madura quando é verão.

Nos lábios tem o cheiro de um sorriso
Manjerico tem o cheiro de cantigas
E os rapazes perdem o juizo
Quando lhes dá o cheiro a raparigas.

Lisboa gaiata, de chinela no pé
Lisboa travessa, que linda que ela é,
Lisboa ladina, que bailas a cantar,
Sereia pequenina que Deus guarda ao pé do mar.

Lá vai Lisboa
Com a saia côr do mar
E todo o bairro é um noivo
Que com ela vai casar.

Lá vai Lisboa
Com seu arquinho e balão
Com cantiguinhas na boca
E amor no coração.

Olhó cochicho que se farta de apitar
Ripipipipipipi e nunca mais desafina
Rapaziada quem é que quer assoprar
Ripipipipipipi no cochicho da menina.

Que negra sina ver-me assim
Que sorte vil e degradante
Ai que saudades sinto em mim
Do meu viver de estudante

Ai chega, chega, chega a minha agulha
Afasta, afasta, afasta, afasta o meu dedal
Brejeira não sejas trafulha
Ò linda vem cozer o avental (Ó paizinho que eu não consigo)

Ai chega, chega, chega a minha agulha
Afasta, afasta, afasta, afasta o meu dedal
Brejeira não sejas trafulha, ai não
És a mais bela fresca agulha em Portugal

Santo António já se acabou
E o S.Pedro está-se a acabar
S.João, S.João, S.João,
Dá cá um balão para eu brincar.

Ó-i-ó-ai, fui comprar um manjerico
Ó-i-ó-ai,fui daqui pr'ó bailarico
Eu tenho uma gaiata aqui dependurada
Que tem mesmo a lata lá da namorada

Olhai senhores,
Esta Lisboa de outras eras
Dos cincos reis das esperas
E das toiradas reais,
Das festas, das seculares procissões
Dos populares pregões matinais
Que já não voltam mais.

Lisboa, andou de lado em lado
Foi ver uma toirada
Depois bailou, bebeu
Lisboa, ouviu cantar o fado
Rompia a madrugada
Quando ela adormeceu.

Um craveiro, uma água furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa
Uma rosa a florir na tapada
Cheira bem, cheira a Lisboa
A fragata que se ergue na prôa
A varina que teima em passar
Cheiram bem porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiro de flores e de mar.


cancioneiro

Santo António



Santo António

sábado, 12 de junho de 2004

:(((

quinta-feira, 10 de junho de 2004

Amor é...

Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói, e não se sente;

é um contentamento descontente,

é dor que desatina sem doer.



É um não querer mais que bem querer;

é um andar solitário entre a gente;

é nunca contentar-se de contente;

é um cuidar que ganha em se perder.



É querer estar preso por vontade;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata, lealdade.



Mas como causar pode seu favor

nos corações humanos amizade,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Camões

10 de Junho



10 de Junho
Dia de Portugal, Camões e das Comunidades



"O dia de Portugal comemora-se a 10 de Junho, data da morte de Luís de Camões.

Luís Vaz de Camões não tem data, nem sítio certo de nascimento, crê-se que tenha nascido em Lisboa ou em Coimbra, em 1524 ou 1525. A sua família, de origem galega, veio para Portugal por alturas do reinado de D. Fernando; (crê-se também) pertencia à pequena nobreza, esta acepção é fundamentada por um documento oficial, uma carta de perdão, datada de 1553, que o refere como "cavaleiro fidalgo" da Casa Real. Não existem igualmente provas documentais que o liguem à Universidade de Coimbra, no entanto muitos historiadores referem que a cultura que possuia, a poderia ter bebido aí, e outros crêem que a origem poderá estar no Mosteiro de Santa Cruz, onde tinha familiares.

A sua vida conheceu múltiplas vicissitudes. Entre os anos de 1542 e 1545 andou por Lisboa, comungando do ambiente que então se vivia na Corte de D. João III, tornando-se, facilmente, reconhecido pelo dom de bom poeta, não deixando por essa mesma razão de granjear alguns inimigos, despeitados pelo seu valor indesmentível.

Por volta de 1549 rumou a Ceuta, ficando por lá 2 anos, de referir que estas viagens eram, à altura, situações bastante normais, na sua condição, em jovens que seguiam carreira militar.

Mas no regresso, a incursão pela vida boémia foi retomada. O seu envolvimento em rixas não era de todo situação invulgar, tendo uma tido como consequência a sua prisão. Decorria o ano de 1552 quando Camões passava no Largo do Rossio e se confronta com uma luta entre dois mascarados e um funcionário da Cavalariça Real. Ao aproximar-se Camões verifica serem seus amigos os mascarados, não pensando muito e de faca na mão, disfere um golpe em Gaspar Borges. Passa quase um ano na prisão, e após vários pedidos de Dona Ana de Macedo, sua mãe, infrutíferos, o próprio ferido, já restabelecido, concede-lhe o perdão. Mas são-lhe impostas algumas condições: a primeira, uma multa de 4 mil reis, e a segunda mais custosa, o embarcar para a India e servir a milicia, por três anos no Oriente(foi libertado por meio de uma carta régia de perdão, datada de 7.3.1552, embarcando para a Índia nesse mesmo mês, a bordo da armada de Fernão Álvares Cabral).

Em 1554 patrulhou o Mar Vermelho, e algum tempo depois é nomeado pelo Governador Francisco Barreto "provedor-mor dos defuntos nas partes da China", como quem diz era responsável por arrolar e administrar (provisoriamente) os bens de pessoas falecidas ou desaparecidas. O seu comportamento deixou muito a desejar e chamaram-no de volta a Goa.

Na viagem de regresso, (final de 1558, inicios de 1559) naufraga na foz do rio Mekong, conseguindo salvar o manuscrito dos Lusíadas.

"...está na costa do Cambodja...Camões salta do barco. Os Lusiadas colados ao corpo. Braçadas. Mais braçadas. Turbilhão de água, escassez de ar. Camões nada, incansavelmente. Terra firme. Ainda não perdeu os sentidos. Sabe que está vivo. Olhar de soslaio, o manuscrito está a salvo. Já pode desmaiar...".

Finalmente em Goa, e após tantas vicissitudes enconta-se numa situação muito precária, pedindo protecção ao Vice-Governador, D. Constantino de Bragança, não obtendo, no entanto, efeito algum.
Faz uma passagem por Moçambique, em 1567, onde segundo Diogo de Couto, vivia da generosidade de amigos.

Regressado à metrópole, e com o patrocínio de D. Manuel de Portugal, consegue ver a sua epopeia publicada "Os Lusíadas", decorria o ano de 1572, o que lhe valeu uma melhoria de vida, através da tença de 15 000 réis, que D. Sebastião lhe concede.

A 10 de Junho de 1580, ensombrado o país que estava com a derrota de Alcácer Quibir, morre aos 56 anos, pobre, enterrado em campa rasa.

"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Qua as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.
Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.
De amor não vi se não breves enganos.
Oh! Quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!"


O poema épico "Os Lusíadas"
O feito heróico das conquistas inflamou os peitos do povo lusitano e alguns poetas mais atentos tinham já manifestado interesse em perpetuar essa façanha, através da escrita da epopeia do país.
Ainda no reinado de D. João II o italiano Ângelo Policiano o tinha proposto, apesar de, à data, os feitos dos lusos serem ainda pouco relevantes.

No reinado de D. João III Garcia de Resende no seu Cancioneiro Geral de 1516, deixa sair a sua tristeza de não haver poema que dignificasse a realização.
Só 50 anos mais tarde, Camões daria à pátria o que ela já há tanto tempo almejava - o maior poema épico escrito na nossa língua.
Vasco da Gama, o navegador que no ano de 1498 descobriu o Caminho Marítimo para a Índia, encarna o herói individual do poema. No entanto através dele é todo um povo que é enaltecido, numa época em que a Nação se orgulhava e com razão."


in: Escola Básica 2º, 3º Ciclos com Secundário Ansião

GRACE




There's the moon asking to stay
Long enough for the clouds to fly me away
Well it's my time coming, i'm not afraid to die
My fading voice sings of love,
But she cries to the clicking of time
Of time

Wait in the fire...

And she weeps on my arm
Walking to the bright lights in sorrow
Oh drink a bit of wine we both might go tomorrow
Oh my love
And the rain is falling and i believe
My time has come
It reminds me of the pain
I might leave
Leave behind

Wait in the fire...

And I feel them drown my name
So easy to know and forget with this kiss
I'm not afraid to go but it goes so slow


(Jeff Buckley / Gary Lucas)

A vida e a Morte

Florbela


O que é a vida e a morte

Aquella infernal enimiga

A vida é o sorriso

E a morte da vida a guarida



A morte tem os desgostos

A vida tem os felises

A cova tem as tristezas

I a vida tem as raizes



A vida e a morte são

O sorriso lisongeiro

E o amor tem o navio

E o navio o marinheiro



Auctora Florbella Espanca

Em 11-11-903

Com 8 annos d'Idade



(Florbela Espanca, «Esparsos», in «Poesia Completa»)

quarta-feira, 9 de junho de 2004

FUGA SOBRE A MORTE


o poema

Leite-breu d' aurora nós o bebemos à tarde
nós o bebemos ao meio-dia e de manhã nós o bebemos à noite
bebemos e bebemos
cavamos uma cova grande nos ares
Na casa mora um homem que brinca com as serpentes e
[escreve
ele escreve para a Alemanha quando escurece teus cabelos de
[ouro Margarete
ele escreve e aparece em frente à casa e brilham as estrelas ele
[assobia e chama seus mastins
ele assobia e chegam seus judeus manda cavar uma cova na terra
ordena-nos agora toquem para dançarmos
Leite-breu d'aurora nós te bebemos à noite
nós te bebemos de manhã e ao meio-dia nós te bebemos à tarde
bebemos e bebemos
Na casa mora um homem que brinca com as serpentes e
[escreve
que escreve para a Alemanha quando escurece teus cabelos de
[ouro Margarete
Teus cabelos de cinza Sulamita cavamos uma cova grande
[nos ares onde não se deita ruim
Ele grita cavem mais até o fundo da terra vocês ai vocês ali
[cantem e toquem
ele pega o ferro na cintura balança-o seus olhos são
[azuis
cavem mais fundo as pás vocês aí vocês ali continuem tocando
[para dançarmos
Leite-breu d' aurora nós te bebemos à noite
nós te bebemos ao meio-dia e de manhã nós te bebemos à tardinha
bebemos e bebemos
Na casa mora um homem teus cabelos de ouro Margarete
teus cabelos de cinza Sulamita ele brinca com as serpentes
Ele grita toquem mais doce a morte a morte é uma mestra
[d' Alemanha
Ele grita toquem mais escuro os violinos depois subam aos
[ares como fumaça
e terão uma cova grande nas nuvens onde não se deita ruim

Leite-breu d'aurora nós te bebemos à noite
nós te bebemos ao meio-dia a morte é uma mestra d' Alemanha
nós te bebemos à tarde e de manhã bebemos e bebemos
a morte é uma mestra d' Alemanha seu olho é azul
ela te atinge com bala de chumbo te atinge em cheio
na casa mora um homem teus cabelos de ouro Margarete
ele atiça seus mastins contra nós dá-nos uma cova no ar
ele brinca com as serpentes e sonha a morte é uma mestra
[d' Alemanha
teus cabelos de ouro Margarete
teus cabelos de cinza Sulamita



tradução: Claudia Cavalcanti, da coletânea de poemas
"Cristal", publicada pela Editora Iluminuras Ltda.

Uma Filosofia Confiscada

Nietzsche não aceitava as considerações de que a origem do Estado seja o contrato ou a convenção; essas teorias seriam apenas "fantásticas"; para ele, ao contrário, o Estado tem uma origem "terrível", sendo criação da violência e da conquista e, como consequência, seus alicerces encontram-se na máxima que diz: "O poder dá o primeiro direito e não há direito que no fundo não seja arrogância usurpação e violência".

terça-feira, 8 de junho de 2004

ideias políticas...

...o Estado, diz Nietzsche, está sempre interessado na formação de cidadãos obedientes e tem, portanto, tendência a impedir o desenvolvimento da cultura livre tornando-a estática e estereotipada. Ao contrário disso, o Estado deveria ser apenas um meio para a realização da cultura e para fazer nascer o além-do- homem.

domingo, 6 de junho de 2004

Elis




Luís Achutti

sexta-feira, 4 de junho de 2004

lua minha

OI Lolita vai para ti a lua que eu aprisionei da minha janela essa
madrugada (camera digital com lente 500mm, t: 400, f:8 ) Vai ficando fácil
render a lua. A lua hoje é outra, mais oferecida, menos discreta, cansada de
tanta "exploração".
Beijos.
LuizAchutti

...sei que nada sei...mas sei mais que os safados que nada sabem...

quinta-feira, 3 de junho de 2004

OUR SPACIOUS SKIES



A new book by professional photographers Vic & Jen Winter
and Kansas City's NBC- 41 Chief Meteorologist Gary Lezak

happiness is a warm gun



She's not a girl who misses much
Do do do do do do- oh yea!
She's well acquainted with the touch of the velvet hand
Like a lizard on a window pane

The man in the crowd with the multicoloured mirrors
On his hobnail boots
Lying with his eyes while his hands are busy
Working overtime
A soap impression of his wife which he ate
And donated to the National Trust

I need a fix 'cause I'm going down
Down to the bits that I left uptown
I need a fix cause I'm going down
Mother Superior jump the gun
Mother Superior jump the gun
Mother Superior jump the gun
Mother Superior jump the gun

Happiness is a warm gun
Happiness is a warm gun, momma
When I hold you in my arms
And I feel my finger on your trigger
I know nobody can do me no harm
Because happiness is a warm gun, momma
Happiness is a warm gun
-Yes it is.
Happiness is a warm, yes it is...
Gun!
Well don't ya know that happiness is a warm gun, momma?


(John Lennon, Paul McCartney)

terça-feira, 1 de junho de 2004

Direitos da Criança

Declaração dos Direitos da Criança

Proclamada pela Resolução da Assembleia Geral 1386 (XIV), de 20 de Novembro de 1959.

Preâmbulo

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, a sua fé nos direitos fundamentais, na dignidade do homem e no valor da pessoa humana e que resolveram favorecer o progresso social e instaurar melhores condições de vida numa liberdade mais ampla;

Considerando que as Nações Unidas, na Declaração dos Direitos do Homem, proclamaram que todos gozam dos direitos e liberdades nela estabelecidas, sem discriminação alguma, de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna ou outra situação;

Considerando que a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade uma protecção e cuidados especiais, nomeadamente de protecção jurídica adequada, tanto antes como depois do nascimento;

Considerando que a necessidade de tal protecção foi proclamada na Declaração de Genebra dos Direitos da Criança de 1924 e reconhecida na Declaração Universal dos Direitos do Homem e nos estatutos de organismos especializados e organizações internacionais preocupadas com o bem-estar das crianças;

Considerando que a Humanidade deve à criança o melhor que tem para dar,

A Assembleia Geral


Proclama esta Declaração dos Direitos da Criança com vista a uma infância feliz e ao gozo, para bem da criança e da sociedade, dos direitos e liberdades aqui estabelecidos e com vista a chamar a atenção dos pais, enquanto homens e mulheres, das organizações voluntárias, autoridades locais e Governos nacionais, para o reconhecimento dos direitos e para a necessidade de se empenharem na respectiva aplicação através de medidas legislativas ou outras progressivamente tomadas de acordo com os seguintes princípios:


Princípio 1.º

A criança gozará dos direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão reconhecidos a todas as crianças sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou outra da criança, ou da sua família, da sua origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou de qualquer outra situação.

Princípio 2.º

A criança gozará de uma protecção especial e beneficiará de oportunidades e serviços dispensados pela lei e outros meios, para que possa desenvolver-se física, intelectual, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança.

Princípio 3.º

A criança tem direito desde o nascimento a um nome e a uma nacionalidade.

Princípio 4.º

A criança deve beneficiar da segurança social. Tem direito a crescer e a desenvolver-se com boa saúde; para este fim, deverão proporcionar-se quer à criança quer à sua mãe cuidados especiais, designadamente, tratamento pré e pós-natal. A criança tem direito a uma adequada alimentação, habitação, recreio e cuidados médicos.

Princípio 5.º

A criança mental e físicamente deficiente ou que sofra de alguma diminuição social, deve beneficiar de tratamento, da educação e dos cuidados especiais requeridos pela sua particular condição.

Princípio 6.º

A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade. Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afecto e segurança moral e material; salvo em circunstâncias excepcionais, a criança de tenra idade não deve ser separada da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência. Para a manutenção dos filhos de famílias numerosas é conveniente a atribuição de subsídios estatais ou outra assistência.

Princípio 7.º

A criança tem direito à educação, que deve ser gratuita e obrigatória, pelo menos nos graus elementares. Deve ser-lhe ministrada uma educação que promova a sua cultura e lhe permita, em condições de igualdade de oportunidades, desenvolver as suas aptidões mentais, o seu sentido de responsabilidade moral e social e tornar-se um membro útil à sociedade.
O interesse superior da criança deve ser o princípio directivo de quem tem a responsabilidade da sua educação e orientação, responsabilidade essa que cabe, em primeiro lugar, aos seus pais.
A criança deve ter plena oportunidade para brincar e para se dedicar a actividades recreativas, que devem ser orientados para os mesmos objectivos da educação; a sociedade e as autoridades públicas deverão esforçar-se por promover o gozo destes direitos.

Princípio 8.º

A criança deve, em todas as circunstâncias, ser das primeiras a beneficiar de protecção e socorro.

Princípio 9.º

A criança deve ser protegida contra todas as formas de abandono, crueldade e exploração, e não deverá ser objecto de qualquer tipo de tráfico. A criança não deverá ser admitida ao emprego antes de uma idade mínima adequada, e em caso algum será permitido que se dedique a uma ocupação ou emprego que possa prejudicar a sua saúde e impedir o seu desenvolvimento físico, mental e moral.

Princípio 10.º

A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universal, e com plena consciência de que deve devotar as suas energias e aptidões ao serviço dos seus semelhantes.