sábado, 31 de janeiro de 2004

O Dia da Criação

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo

A vida vem em ondas, como o mar

Os bondes andam em cima dos trilhos

E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo

Não há nada como o tempo para passar

Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo

Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo

Amanhã não gosta de ver ninguém bem

Hoje é que é o dia do presente

O dia é sábado.


Impossível fugir a essa dura realidade

Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios

Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas

Todos os maridos estão funcionando regularmente

Todas as mulheres estão atentas

Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento

Porque hoje é sábado

Hoje há um divórcio e um violamento

Porque hoje é sábado

Há um rico que se mata

Porque hoje é sábado

Há um incesto e uma regata

Porque hoje é sábado

Há um espetáculo de gala

Porque hoje é sábado

Há uma mulher que apanha e cala

Porque hoje é sábado

Há um renovar-se de esperanças

Porque hoje é sábado

Há uma profunda discordância

Porque hoje é sábado

Há um sedutor que tomba morto

Porque hoje é sábado

Há um grande espírito-de-porco

Porque hoje é sábado

Há uma mulher que vira homem

Porque hoje é sábado

Há criançinhas que não comem

Porque hoje é sábado

Há um piquenique de políticos

Porque hoje é sábado

Há um grande acréscimo de sífilis

Porque hoje é sábado

Há um ariano e uma mulata

Porque hoje é sábado

Há uma tensão inusitada

Porque hoje é sábado

Há adolescências seminuas

Porque hoje é sábado

Há um vampiro pelas ruas

Porque hoje é sábado

Há um grande aumento no consumo

Porque hoje é sábado

Há um noivo louco de ciúmes

Porque hoje é sábado

Há um garden-party na cadeia

Porque hoje é sábado

Há uma impassível lua cheia

Porque hoje é sábado

Há damas de todas as classes

Porque hoje é sábado

Umas difíceis, outras fáceis

Porque hoje é sábado

Há um beber e um dar sem conta

Porque hoje é sábado

Há uma infeliz que vai de tonta

Porque hoje é sábado

Há um padre passeando à paisana

Porque hoje é sábado

Há um frenesi de dar banana

Porque hoje é sábado

Há a sensação angustiante

Porque hoje é sábado

De uma mulher dentro de um homem

Porque hoje é sábado

Há uma comemoração fantástica

Porque hoje é sábado

Da primeira cirurgia plástica

Porque hoje é sábado

E dando os trâmites por findos

Porque hoje é sábado

Há a perspectiva do domingo

Porque hoje é sábado

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens,

ó Sexto Dia da Criação.

De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas

E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra

E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra

Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.

Na verdade, o homem não era necessário

Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como

as plantas, imovelmente e nunca saciada

Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.

Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias

Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa

Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos

Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas

em queda invisível na

terra.

Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes

Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia

Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo

Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda

e missa de

sétimo dia.

Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das

águas em núpcias

A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio

A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.

Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos

Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas

Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade

Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo

E para não ficar com as vastas mãos abanando

Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança

Possivelmente, isto é, muito provavelmente

Porque era sábado.

(Vinicius de Moraes)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2004

Walter Salles quer recontar saga de Butch Cassidy

Walter Salles planeja rodar um faroeste latino. É o que contou à BBC Brasil o escritor chileno Luis Sepúlveda. "Estamos trabalhando no roteiro baseado numa história escrita por mim sobre um delinqüente norte-americano chamado Martin Sheffields, que, em 1905, parte na captura dos bandidos Butch Cassidy e Sundance Kid", disse o escritor. "Os dois foras-da-lei tinham se refugiado na Patagônia. Criou-se uma lenda em torno desta fuga e, partir dela, vamos filmar um faroeste latino-americano." Sepúlveda falou sobre o projeto durante o festival Grinzane de Literatura e Cinema, em Stresa, no norte da Itália. Espera-se que a produção comece a sair do papel no ano que vem.

Os lendários Butch Cassidy e Sundance Kid foram imortalizados no cinema por Paul Newman e Robert Redford, no filme dirigido por George Roy Hill em 1969. Mas a história mostrada nesse filme é diferente daquela rastreada por Luis Sepúlveda, que passou cinco anos pesquisando as andanças da dupla. Segundo ele, as foras-da-lei não teriam morrido na Bolívia, mas sim no sul do Chile, depois de passar pela Patagônia argentina como fazendeiros, assaltantes de bancos e até integrantes de movimentos sociais. O diretor acabou de filmar a peregrinação de outro personagem histórico, Ernesto Che Guevara, pelas estradas da América do Sul.

Fonte: Agência Estado

Deve...-se...........

"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."


Nelson Rodrigues

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[ extático da aurora.



Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.

Vinicius de Moraes

"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."

quinta-feira, 29 de janeiro de 2004

O SOL



Emergindo do profundo negro, adejou rumo ao infinito azul.
Encheu o peito, rasgou o céu e por ali ficou.
Aquele vulto outrora negro que agora chamas de sol.

O CARRINHO DE ROLAMENTOS



...LEMBRAS? :)))
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...roubava os rolamentos na volvo para fazer os carrinhos.......
Se me lembro.........
*
J.

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O carrinho de rolamento é um brinquedo do tempo dos nossos pais e avós.

Para fazer um carrinho de rolamentos arranja-se uma tábua grossa de forma rectangular. A seguir corta-se com uma serra de maneira de forma a que a parte da frente do carrinho fique com forma triangular.

Os rolamentos são umas rodas em ferro que podemos encontrar num mecânico ou numa casa que conserte motores eléctricos.

Ao termos os rolamentos, cortamos dois paus em forma de paralelepípedo que vão servir de eixos, colocamos os rolamentos nas suas extremidades e fixamo-los na parte inferior da tábua.

O eixo da frente só leva um prego forte ao centro de forma a que fique com uma folga para as mudanças de direcção e colocamos aí uma corda que serve de volante. Na parte superior do eixo de trás colocamos uma tábua a servir de assento.

Para brincar com o carrinho de rolamentos vamos para uma descida com o chão liso e deixamos o carrinho deslizar. Se queremos parar colocamos os pés no chão.

Como vêem é fácil de construir e bom para brincar.

http://www.iec.uminho.pt/iebi/brinquedo/sitebrinq2/brinq3.htm

ternuras selvagens e divinas do pensamento ternurento

a ternura é o sorriso o olhar doce o sem falar o gesto o bom dia a assobiar perfumes encantados as palavras ditas com emoção e sentimento o estar aqui sem falar sem dizer sem reclamar só o estar dádiva celeste a ignorar o obrigado é o preocupo-me contigo gosto de saber de ti o que fazes o que tens precisas queres não não perguntar estar só o estar o permanecer o silêncio no presente no teu pensamento o saber que estou aqui por aqui e estou lá dentro entro por lá colo-me à alma que te sente e se sente e a sente até ao infinito da ternura por acabar

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol
Que é feito de ternura amarrotada,

Da frescura que vem depois do Sol,

quando depois do Sol não vem mais nada...



Olho a roupa no chão: que tempestade!

há restos de ternura pelo meio,

como vultos perdidos na cidade

em que uma tempestade sobreveio...



Começas a vestir-te, lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,

para enfrentar lá fora aquela gente

que da nossa ternura anda sorrindo...



Mas ninguém sonha a pressa com que nós

a despimos assim que estamos sós!



David Mourão Ferreira

terça-feira, 27 de janeiro de 2004

Brave New World

"Les utopies apparaissent comme bien plus réalisables qu'on ne le croyait autrefois. Et nous nous trouvons actuellement devant une question bien autrement angoissante: Comment éviter leur réalisation définitive?...
Les utopies sont réalisables. La vie marche vers les utopies. Et peut-être un siècle nouveau commence-t-il, un siècle où les intellectuels et la classe cultivée rêveront aux moyens d'éviter les utopies et de retourner à une société non utopique moins " parfaite " et plus libre."


Nicolas Berdiaeff

Assim Falou Zaratustra

Em Ecce Homo, Nietzsche intitulou seus capítulos: "Por que sou tão finalista?", "Por que sou tão sábio?", "Por que sou tão inteligente?", "Por que escrevo livros tão bons?". Isso levou muitos a considerarem sua obra como anormal e desqualificada pela loucura. Essa opinião, no entanto, revela um superficial entendimento de seu pensamento. Para entendê-lo corretamente, é necessário colocar-se dentro do próprio núcleo de sua concepção da filosofia: Nietzsche inverteu o sentido tradicional da filosofia, fazendo dela um discurso ao nível da patologia e considerando a doença "um ponto de vista" sobre a saúde e vice-versa. Para ele, nem a saúde, nem a doença são entidades; a fisiologia e a patologia são uma única coisa; as oposições entre bem e mal, verdadeiro e falso, doença e saúde são apenas jogos de superfície. Há uma continuidade, diz Nietzsche, entre a doença e a saúde e a diferença entre as duas é apenas de grau, sendo a doença um desvio interior à própria vida; assim, não há fato patológico.


A loucura não passa de uma máscara que esconde alguma coisa, esconde um saber fatal e "demasiado certo". A técnica utilizada pelas classes sacerdotais para a cura da loucura é a "meditação ascética", que consiste em enfraquecer os instintos e expulsar as paixões; com isso, a vontade de potência, a sensualidade e o livre florescimento do eu são considerados "manifestações diabólicas". Mas, para Nietzsche, aniquilar as paixões é uma "triste loucura", cuja decifração cabe à filosofia, pois é a loucura que torna mais plano o caminho para as idéias novas, rompendo os costumes e as superstições veneradas e constituindo uma verdadeira subversão dos valores. Para Nietzsche, os homens do passado estiveram mais próximos da idéia de que onde existe loucura há um grão de gênio e de sabedoria, alguma coisa de divino: "Pela loucura os maiores feitos foram espalhados foram espalhados pela Grécia". Em suma, aos "filósofos além de bem e mal", aos emissários dos novos valores e da nova moral não resta outro recurso, diz Nietzsche, a não ser o de proclamar as novas leis e quebrar o jugo da moralidade, sob o travestimento da loucura. É dentro dessa perspectiva, portanto, que se deve compreender a presença da loucura na obra de Nietzsche. Sua crise final apenas marcou o momento em que a "doença" saiu de sua obra e interrompeu seu prosseguimento. As últimos cartas de Nietzsche são o testemunho desse momento extremo e, como tal, pertencem ao conjunto de sua obra e de seu pensamento. A filosofia foi, para ele, a arte de deslocar as perspectivas, da saúde à doença, e a loucura deveria cumprir a tarefa de fazer a crítica escondida da decadência dos valores e aniquilamento: "Na verdade, a doença pode ser útil a um homem ou a uma tarefa, ainda que para outros signifique doença... Não fui um doente nem mesmo por ocasião da maior enfermidade".

segunda-feira, 26 de janeiro de 2004

...a insustentável...leveza...do...seeeeeerrrrrrrrrrrr...

Quarta, 7 de Janeiro de 2004 às 11:09 (Pontuação: 3, Divertido)
Fehér é, claramente, o melhor ponta-de-lança húngaro da Superliga!!

E mais não digo.
http://relvado.com/noticias/04/01/07/1053236.shtml
....................................

isto é passado!...pensa pikonera...
....só me apetece dizer que nunca vi um sorriso tão bonito e tão doce a namorar a morte!...

domingo, 25 de janeiro de 2004

Pinóquio



Gepeto era um carpinteiro que vivia sozinho e sonhava em ter um filho. Um dia, ele decidiu fazer um boneco de madeira, que ganhou vida graças ao seu desejo.

- Serás o filho que eu não tive e vou chamar-te Pinóquio.
Nessa noite, uma Fada Madrinha visitou a oficina de Gepeto e ao tocar Pinóquio com a varinha mágica disse:
- Vou-te dar vida, boneco. Mas, deves ser sempre bom e honesto!

No dia seguinte, Gepeto notou que os seus desejos se tinham tornado realidade. Mandou Pinóquio à escola, acompanhado pelo grilo cantante Pepe.

Pelo caminho encontraram a D. Raposa e a D. Gata.
- Porque vais para a Escola se há por aí tantos lugares bem mais alegres? - perguntou a Raposa.
- Não lhe dês ouvidos! - avisou-o Pepe, o grilo. Mas Pinóquio, para quem tudo era novidade, acabou por dar ouvidos a D. Raposa e conheceu Strombóli, o dono de um teatrinho de marionetas.
- Comigo serás o artista mais famoso do mundo! - sussurrou no ouvido de Pinóquio, o astucioso Strombóli.

O espectáculo começou.
Pinóquio foi a estrela, principalmente pelas suas asneiras, que causaram muitos risos. Os outros bonecos eram espertos, tinham prática, enquanto Pinóquio era trapalhão... Por isso triunfou!
No final do espectáculo Pinóquio quis ir embora, mas Strombóli tinha outros planos.
- Vou prender-te nesta jaula, boneco falante. Vales muito mais do que um diamante!

Por sorte o grilo Pepe correu a avisar a Fada Madrinha, que enviou uma borboleta mágica para salvar Pinóquio.
Quando se recompôs do susto, a borboleta perguntou-lhe aonde vivia.
- Não tenho casa. - respondeu Pinóquio.
A borboleta voltou a fazer-lhe a mesma pergunta, e ele a dar a mesma resposta. Mas, sempre que mentia, o nariz crescia-lhe mais um pouco, pelo que não conseguiu enganar a Borboleta Mágica.
- Não quero este nariz! - soluçou Pinóquio.

- Terás que te portar bem e não mentir! Voltas para casa e vais à Escola. - disse-lhe a Borboleta Mágica.
Ao regressar a casa, Pinóquio foi recebido com muita alegria por Gepeto e passou a portar-se bem.
Algum tempo depois, quando ia para a Escola, voltou a encontrar a Raposa, que o desafiou para a acompanhar à Ilha dos Jogos.

Não resistiu e lá foi com a Raposa. Assim que entrou começaram a crescer-lhe as orelhas e a transformar-se em burro. Aflito, valeu-lhe o grilo Pepe, que lhe disse:
- Anda, Pinóquio. Conheço uma porta secreta...! Não te queres transformar em burro, pois não? Levar-te-iam para um curral!
- Sim, vou contigo, meu amigo.
Ao chegarem a casa encontraram-na vazia. Souberam por uns marinheiros que Gepeto se tinha feito ao mar num bote. Como o grilo Pepe era muito esperto, ensinou Pinóquio a construir uma jangada. Dois dias mais tarde, quando navegavam já longe de terra, avistaram uma baleia.
- Essa baleia vem direita a nós! gritou Pepe.
- É melhor saltarmos para a água!

Mas não se salvaram ... a baleia engoliu-os.
Entretanto, descobriram que no interior da barriga da baleia estava Gepeto, que tinha naufragado durante uma tempestade.
Depois de se terem abraçado, resolveram acender uma fogueira. A baleia espirrou e deitou-os para fora.

- Perdoa-me, papá - suplicou Pinóquio muito arrependido.
E a partir daí mostrou-se tão dedicado e bondoso que a Fada Madrinha, no dia do seu primeiro aniversário, transformou-o num menino de carne e osso ... num menino de verdade.

- Agora tenho um filho verdadeiro! - exclamou Gepeto radiante.

THAT'S LIFE

Frank Sinatra

That's life, that's what all the people say
You're ridin' high in April
Yor're shot down in May
But I know I'm gonna change that tune
When I'm back on top, back on top in June

I say that's life, as funny as it may seem
Some people get their kicks
stompin' on a dream
But I don't let it get me down
'Cause this ol' world just keeps spinnin' around

I've been a puppet, a poet, a pauper, a pirate
A pawn and a king
I've been up and down and over and out
And I know one thing
Each time I find myself flat on my face
I pick myself up and get back in the race

That's life, I tell you, I can't deny it
I thought of quittin' baby
But my heart just won't buy it
And if I didn't think it was worth just one more try
I'd roll myself up in a big ball and die

I've been a puppet, a pauper, a pirate
A poet, a pawn and a king
I've been up and down, over and out
I know one thing
Each time I find myself layin' flat on my face
I just pick myself up and I get back in the race

That's life, I can't deny it
I thought of quittin', baby
But my heart just won't buy it
But if there's nothing shaking
Come here, it's July
I'm gonna roll myself up in a big ball and die

dúvidas extraordinárias



Por que é que quando paramos num sinal vermelho, há sempre alguém no carro ao lado com o dedo no nariz?




"A Menina Que Perdeu o Nariz", de Armando Avena

Published by Relume Dumará Editores
1999
ISBN: 85-7316-182-5

A Menina Que Perdeu o Nariz é um livro diferente. Conta a história de um nariz conspirador que, indignado com o que se passa no planeta, resolve fugir do rosto de sua dona para fazer uma revolução: a revolução dos narizes Com essa história surpreendente, que vai encantar crianças e adultos, Armando Avena traz para a literatura infantil o realismo fantástico e, ao mesmo tempo que homenageia um dos maiores escritores da literatura universal, cria personagens que ensinam e divertem. A Menina Que Perdeu o Nariz é um livro para crianças mas vai encantar os adultos pois utiliza a própria literatura como elemento central do texto, além de criar um enigma que atiça a curiosidade de leitores de qualquer idade. Utilizando o realismo fantástico, Avena dá vida a um nariz revolucionário e, através dele, estabelece uma trama que prende o pequeno leitor do inicio ao fim da história. O livro consegue falar de questões importantes como as relacionados com a proteção ao meio ambiente sem fazer discurso e , o mais importante, estabelece uma relação de ambivalência com o publico infantil que entra em contato com temas da atualidade através da procura de um motivo lógico que explique a fuga de um nariz do rosto de sua dona. O melhor é que esse motivo existe e é perfeitamente lógico e compreensível. Para desvendá-lo basta o leitor abrir as páginas do livro e ser capaz de correr atrás de um nariz impertinente empoleirado numa bicicleta.

sábado, 24 de janeiro de 2004

Discurso de Posse de Gilberto Gil

A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi a mais eloqüente manifestação da nação brasileira pela necessidade e pela urgência da mudança. Não por uma mudança superficial ou meramente tática no xadrez de nossas possibilidades nacionais. Mas por uma mudança estratégica e essencial, que mergulhe fundo no corpo e no espírito do país. O ministro da Cultura entende assim o recado enviado pelos brasileiros, através da consagração popular do nome de um trabalhador, do nome de um brasileiro profundo, simples e direto, de um brasileiro identificado por cada um de nós como um seu igual, como um companheiro.

É também nesse horizonte que entendo o desejo do presidente Lula de que eu assuma o Ministério da Cultura. Escolha prática, mas também simbólica, de um homem do povo como ele. De um homem que se engajou num sonho geracional de transformação do país, de um negromestiço empenhado nas movimentações de sua gente, de um artista que nasceu dos solos mais generosos de nossa cultura popular e que, como o seu povo, jamais abriu mão da aventura, do fascínio e do desafio do novo. E é por isso mesmo que assumo, como uma das minhas tarefas centrais, aqui, tirar o Ministério da Cultura da distância em que ele se encontra, hoje, do dia-a-dia dos brasileiros.

Que quero o Ministério presente em todos os cantos e recantos de nosso País. Que quero que esta aqui seja a casa de todos os que pensam e fazem o Brasil. Que seja, realmente, a casa da cultura brasileira.

E o que entendo por cultura vai muito além do âmbito restrito e restritivo das concepções acadêmicas, ou dos ritos e da liturgia de uma suposta "classe artística e intelectual". Cultura, como alguém já disse, não é apenas "uma espécie de ignorância que distingue os estudiosos". Nem somente o que se produz no âmbito das formas canonizadas pelos códigos ocidentais, com as suas hierarquias suspeitas. Do mesmo modo, ninguém aqui vai me ouvir pronunciar a palavra "folclore". Os vínculos entre o conceito erudito de "folclore" e a discriminação cultural são mais do que estreitos. São íntimos. "Folclore" é tudo aquilo que não se enquadrando, por sua antigüidade, no panorama da cultura de massa é produzido por gente inculta, por "primitivos contemporâneos", como uma espécie de enclave simbólico, historicamente atrasado, no mundo atual. Os ensinamentos de Lina Bo Bardi me preveniram definitivamente contra essa armadilha. Não existe "folclore" o que existe é cultura.

Cultura como tudo aquilo que, no uso de qualquer coisa, se manifesta para além do mero valor de uso. Cultura como aquilo que, em cada objeto que produzimos, transcende o meramente técnico. Cultura como usina de símbolos de um povo. Cultura como conjunto de signos de cada comunidade e de toda a nação. Cultura como o sentido de nossos atos, a soma de nossos gestos, o senso de nossos jeitos.

Desta perspectiva, as ações do Ministério da Cultura deverão ser entendidas como exercícios de antropologia aplicada. O Ministério deve ser como uma luz que revela, no passado e no presente, as coisas e os signos que fizeram e fazem, do Brasil, o Brasil. Assim, o selo da cultura, o foco da cultura, será colocado em todos os aspectos que a revelem e expressem, para que possamos tecer o fio que os unem.

Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, criar condições de acesso universal aos bens simbólicos. Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, proporcionar condições necessárias para a criação e a produção de bens culturais, sejam eles artefatos ou mentefatos. Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, promover o desenvolvimento cultural geral da sociedade. Porque o acesso à cultura é um direito básico de cidadania, assim como o direito à educação, à saúde, à vida num meio ambiente saudável. Porque, ao investir nas condições de criação e produção, estaremos tomando uma iniciativa de conseqüências imprevisíveis, mas certamente brilhantes e profundas já que a criatividade popular brasileira, dos primeiros tempos coloniais aos dias de hoje, foi sempre muito além do que permitiam as condições educacionais, sociais e econômicas de nossa existência. Na verdade, o Estado nunca esteve à altura do fazer de nosso povo, nos mais variados ramos da grande árvore da criação simbólica brasileira.

É preciso ter humildade, portanto. Mas, ao mesmo tempo, o Estado não deve deixar de agir. Não deve optar pela omissão. Não deve atirar fora de seus ombros a responsabilidade pela formulação e execução de políticas públicas, apostando todas as suas fichas em mecanismos fiscais e assim entregando a política cultural aos ventos, aos sabores e aos caprichos do deus-mercado. É claro que as leis e os mecanismos de incentivos fiscais são da maior importância. Mas o mercado não é tudo. Não será nunca. Sabemos muito bem que em matéria de cultura, assim como em saúde e educação, é preciso examinar e corrigir distorções inerentes à lógica do mercado que é sempre regida, em última análise, pela lei do mais forte. Sabemos que é preciso, em muitos casos, ir além do imediatismo, da visão de curto alcance, da estreiteza, das insuficiências e mesmo da ignorância dos agentes mercadológicos. Sabemos que é preciso suprir as nossas grandes e fundamentais carências.

O Ministério não pode, portanto, ser apenas uma caixa de repasse de verbas para uma clientela preferencial. Tenho, então, de fazer a ressalva: não cabe ao Estado fazer cultura, a não ser num sentido muito específico e inevitável. No sentido de que formular políticas públicas para a cultura é, também, produzir cultura. No sentido de que toda política cultural faz parte da cultura política de uma sociedade e de um povo, num determinado momento de sua existência. No sentido de que toda política cultural não pode deixar nunca de expressar aspectos essenciais da cultura desse mesmo povo. Mas, também, no sentido de que é preciso intervir. Não segundo a cartilha do velho modelo estatizante, mas para clarear caminhos, abrir clareiras, estimular, abrigar. Para fazer uma espécie de "do-in" antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos, do corpo cultural do país. Enfim, para avivar o velho e atiçar o novo. Porque a cultura brasileira não pode ser pensada fora desse jogo, dessa dialética permanente entre a tradição e a invenção, numa encruzilhada de matrizes milenares e informações e tecnologias de ponta.

Logo, não se trata somente de expressar, refletir, espelhar. As políticas públicas para a cultura devem ser encaradas, também, como intervenções, como estradas reais e vicinais, como caminhos necessários, como atalhos urgentes. Em suma, como intervenções criativas no campo do real histórico e social. Daí que a política cultural deste Ministério, a política cultural do Governo Lula, a partir deste momento, deste instante, passa a ser vista como parte do projeto geral de construção de uma nova hegemonia em nosso País. Como parte do projeto geral de construção de uma nação realmente democrática, plural e tolerante. Como parte e essência de um projeto consistente e criativo de radicalidade social. Como parte e essência da construção de um Brasil de todos.
Penso, aliás, que o presidente Lula está certo quando diz que a onda atual de violência, que ameaça destruir valores essenciais da formação de nosso povo, não deve ser creditada automaticamente na conta da pobreza. Sempre tivemos pobreza no Brasil, mas nunca a violência foi tanta como hoje. E esta violência vem das desigualdades sociais. Mesmo porque sabemos que o que aumentou no Brasil, nessas últimas décadas, não foi exatamente a pobreza ou a miséria. A pobreza até que diminuiu um pouco, como as estatísticas mostram. Mas, ao mesmo tempo, o Brasil se tornou um dos países mais desiguais do mundo. Um país que possui talvez a pior distribuição de renda de todo o planeta. E é esse escândalo social que explica, basicamente, o caráter que a violência urbana assumiu recentemente entre nós, subvertendo, inclusive, os antigos valores da bandidagem brasileira.

Ou o Brasil acaba com a violência, ou a violência acaba com o Brasil. O Brasil não pode continuar sendo sinônimo de uma aventura generosa, mas sempre interrompida. Ou de uma aventura só nominalmente solidária. Não pode continuar sendo, como dizia Oswald de Andrade, um país de escravos que teimam em ser homens livres. Temos de completar a construção da nação. De incorporar os segmentos excluídos. De reduzir as desigualdades que nos atormentam. Ou não teremos como recuperar a nossa dignidade interna, nem como nos afirmar plenamente no mundo. Como sustentar a mensagem que temos a dar ao planeta, enquanto nação que se prometeu o ideal mais alto que uma coletividade pode propor a si mesma: o ideal da convivência e da tolerância, da coexistência de seres e linguagens múltiplos e diversos, do convívio com a diferença e mesmo com o contraditório. E o papel da cultura, nesse processo, não é apenas tático ou estratégico é central: o papel de contribuir objetivamente para a superação dos desníveis sociais, mas apostando sempre na realização plena do humano.

A multiplicidade cultural brasileira é um fato. Paradoxalmente, a nossa unidade de cultura unidade básica, abrangente e profunda também. Em verdade, podemos mesmo dizer que a diversidade interna é, hoje, um dos nossos traços identitários mais nítidos. É o que faz com que um habitante da favela carioca, vinculado ao samba e à macumba, e um caboclo amazônico, cultivando carimbós e encantados, sintam-se e, de fato, sejam igualmente brasileiros. Como bem disse Agostinho da Silva, o Brasil não é o país do isto ou aquilo, mas o país do isto e aquilo. Somos um povo mestiço que vem criando, ao longo dos séculos, uma cultura essencialmente sincrética. Uma cultura diversificada, plural mas que é como um verbo conjugado por pessoas diversas, em tempos e modos distintos. Porque, ao mesmo tempo, essa cultura é una: cultura tropical sincrética tecida ao abrigo e à luz da língua portuguesa.

E não por acaso me referi, antes, ao plano internacional. Tenho para mim que a política cultural deve permear todo o Governo, como uma espécie de argamassa de nosso novo projeto nacional. Desse modo, teremos de atuar transversalmente, em sintonia e em sincronia com os demais ministérios. Alguns dessas parcerias se desenham de forma quase automática, imediata, em casos como os dos ministérios da Educação, do Turismo, do Meio Ambiente, do Trabalho, dos Esportes, da Integração Nacional. Mas nem todos se lembram logo de uma parceria lógica e natural, no contexto que estamos vivendo e em função do projeto que temos em mãos: a parceria com o Ministério das Relações Exteriores. Se há duas coisas que hoje atraem irresistivelmente a atenção, a inteligência e a sensibilidade internacionais para o Brasil, uma é a Amazônia, com a sua biodiversidade e a outra é a cultura brasileira, com a sua semiodiversidade. O Brasil aparece aqui, com as suas diásporas e as suas misturas, como um emissor de mensagens novas, no contexto da globalização.

Juntamente com o Ministério das Relações Exteriores, temos de pensar, modelar e inserir a imagem do Brasil no mundo. Temos de nos posicionar estrategicamente no campo magnético do Governo Lula, com a sua ênfase na afirmação soberana do Brasil no cenário internacional. E sobretudo temos de saber que recado o Brasil enquanto exemplo de convivência de opostos e de paciência com o diferente deve dar ao mundo, num momento em que discursos ferozes e estandartes bélicos se ouriçam planetariamente. Sabemos que as guerras são movidas, quase sempre, por interesses econômicos. Mas não só. Elas se desenham, também, nas esferas da intolerância e do fanatismo. E, aqui, o Brasil tem lições a dar apesar do que querem dizer certos representantes de instituições internacionais e seus porta-vozes internos que, a fim de tentar expiar suas culpas raciais, esforçam-se para nos enquadrar numa moldura de hipocrisia e discórdia, compondo de nossa gente um retrato interessado e interesseiro, capaz de convencer apenas a eles mesmos. Sim: o Brasil tem lições a dar, no campo da paz e em outros, com as suas disposições permanentemente sincréticas e transculturativas. E não vamos abrir mão disso.

Em resumo, é com esta compreensão de nossas necessidades internas e da procura de uma nova inserção do Brasil no mundo que o Ministério da Cultura vai atuar, dentro dos princípios, dos roteiros e das balizas do projeto de mudança de que o presidente Lula é, hoje, a encarnação mais verdadeira e mais profunda. Aqui será o espaço da experimentação de rumos novos. O espaço da abertura para a criatividade popular e para as novas linguagens. O espaço da disponibilidade para a aventura e a ousadia. O espaço da memória e da invenção.

Muito obrigado.

A Materna Doçura

Para a Mãe mais doce...
Mais amiga, corajosa e eternamente amada.:))
Amo-te

Zézé
Natal 2002

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"Falar de Materna Doçura não é fácil. O livro não se lê, devora-se avidamente. Mas o embate inicial tem um efeito no mínimo paralisante, que vai do arrepio das primeiras páginas à emoção em crescendo."
Expresso

...concordo...

Possidónio Cachapa
Assírio & Alvim

O arco e a gancheta



O arco era um dos brinquedos mais populares dos rapazes que viviam em ambiente rural. É, geralmente, proveniente de materiais que se encontram fora de uso. Uma cinta metálica de um pipo de vinho, o aro de uma roda de bicicleta, um pneu velho e até existem outros que são feitas em verguinha de ferro. A gancheta faz-se com arame que seja resistente e pode–se adaptar uma “mão” com restos de canas de foguete.

Actualmente este brinquedo é pouco utilizado, não há muitos anos, era uma das formas de chegar à escola ”rapidamente”.

http://www.iec.uminho.pt/iebi/brinquedo/sitebrinq2/brinq10.htm

sexta-feira, 23 de janeiro de 2004

A boneca de trapos



A boneca de trapos era o brinquedo preferido das nossas mães e avós.

Para se fazerem bonecas de trapos são necessários alguns utensílios e materiais como por exemplo: linhas, lãs restos de tecidos de várias cores, agulhas, tesouras e dedais.

Pega-se num pedaço de pano e cortam-se duas partes com a forma do corpo. Depois cose-se e deixa-se um bocadinho aberto para se encher o corpo da boneca. Por fim, enche-se com trapos ou com algodão, cose-se a parte que ficou aberta e o corpo da boneca está pronto.

Para a boneca ficar mais bonita, fazem-se roupas e para o cabelo fazem-se tranças em lã ou pode-se colocar lã desfiada. Os olhos a boca e o nariz podem ser pintadas ou bordados.

As bonecas de trapos para além de serem bonitas ficam mais económicas

Desta forma também se podem fazer bolas de trapos, basta arranjar uma meia de vidro de senhora enchê-la, cosê-la dos dois lados de forma a ficar redonda e já está...


http://www.iec.uminho.pt/iebi/brinquedo/sitebrinq2/brinq9.htm

o triângulo... - a linguagem das figuras geométricas...

...Pode dizer-se que o triângulo é o princípio masculino e o princípio feminino unidos para darem origem a um terceiro princípio. Na família, é o pai, a mãe e o filho; em química, o ácido, a base e o sal: no homem, o intelecto, o coração e a vontade (ou o pensamento, o sentimento, e a acção); e entre as virtudes divinas, a sabedoria, e o amor e a verdade... Da mesma maneira que o filho é o produto de um pai e de uma mãe, o sal é o produto do ácido e da base, a acção, o do pensamento e do sentimento, a verdade, o do amor e da sabedoria...o homen manifesta-se, pois, como um ser que pensa, que sente e age; pensa com o intelecto, sente com o coração e age com a vontade. O ideal do intelecto é a sabedoria, o do coração é o amor, o da vontade o poder. Poder, amor e sabedoria são os tres atributos pelos quais se define a Divindade. Poder, amor e sabedoria - eis a verdadeira trindade.Só o trinângulo equilátero vos dá a ideia duma harmonia perfeita, porque exprime a conformidade entre os três princípios...retende somente que o triângulo equilátero, que é o simbolo do homem harmoniosamente desenvolvido, é também o simbolo da Divindade...

Omraam Mikael Aivanhov