quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

CONSOADAS DA MEMÓRIA À MESA DA SOLIDÃO

II

Toda a infância, em horizonte
que defronte se levante.
(Junto a mim, alguém que conte e que cante).

Toda a infância - num aceno
que do céu faça sinal
a este nosso serão tão sereno
de Natal,

e hoje ao menos me transponha,
lá do extremo do confim,
ao pequeno que sonha
em mim -

Criança que me morreu,
deixando-me aqui assim
a sós entre mim
e eu!

Rodrigo Emílio
"A segunda Cegueira"
"Assinatura Solar"

FALAVAM-ME DE AMOR

Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas,

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado.

Natália Correia
(O Dilúvio e a Pomba)

QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)


...
Não sei o que provoquei na gaivotinha talvez ela tenha imaginado coisas que eu pareço advinhar. Tais como, este menino está a querer uma grande brincadeira com bolinhas de muitas cores! Pérolas de facto são tão raras, porque se está a oferecer para poder ser para mim uma pérola?
Tem piada esta bolinha...vou ter que responder a este Bandido, sim porque neste dia muitas pseudo pérolas responderam mas nenhuma com argumentação tão convincente e com algo que não se pode explicar...mas se sente...revelação de maturidade e de luta constante para...passar...para este lado...e sobreviver neste habitat!...Onde a luta é renhida contra eventuais predadores...

continua :))

quarta-feira, 17 de dezembro de 2003

...desencanto...enfeitado com bolas surrealistas...

...eu deprimo... tu deprimes...o país deprime... o mundo deprime...a última tela pintada pelos falcões... não gostei (aliás não gosto de nenhuma...)...tu também não... o país também não... o mundo também não... lá estou eu com o meu idealismo... - falo do grupo dos meus heróis... -
desencanto... desencanto... desencanto...
...será que agora procuram dentes d`ouro em indigentes?...
...não aquele indigente tinha às tantas uma arma de destruição maciça na garganta!...
...e aquela era a festa de natal com uma representação teatral de pinceladas fortes de cores frias....porque já condenada...de uma morte anunciada...
... na sua tumba...vai haver uma grande mina de....
...não...um poço de petróleo!...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2003

...papeis arrumados em gavetas doces...para o EU...(continuações divinas...)

Sabes L...ta, do que é que gostava?
De passar o resto de minha vida a teu lado
Inventando de novo um a um cada dia,
Caminhar passo a passo juntos as vielas
E sair afinal, apoteóticos, rumo ao Sol...
Amar cada segundo de nossas vidas
Abraçados às résteas de azul ainda nossas
E chorar, quantas vezes, os finais do dia
Por quanta criança ainda órfã de nós.

J.M.

domingo, 14 de dezembro de 2003

saída divinamente calma...com domingo...selvagem de calmarias...

...hoje não vou pra Pasárgada...está decidido...o sol espreita...o sono ainda aqui está coladinho ao corpo nu...que tem sede de água rápida...vestindo na banheira o pensamento que se vai seguir...e sair muito rápido...para o café domingueiro...com tostas e queijo dentro do jornal...mais riso à mistura por entre baboseiras ...e amigos que enchem a mesa que tem uma toalha rendada do saboroso que é ainda estar aqui...

LIVRO DAS COISAS SANTAS

256-Santo Adriano III (884-885)
"Papa que morreu perto
do Acto"

Deu de caras com a noviça, no jardim. Apanhava morangos curvada sobre os canteiros. Ao lado, no chão, a Bíblia e um livro sobre a História da Igreja de Cristo.
O teu espaço é todo ocupado de beleza, disse-lhe. Mas a noviça não lhe respondeu. E, ao vê-lo empalidecer de irritação, pegou num morango e meteu-o na boca.
Há morangos muito mais saborosos do que um Papa, gracejou. Mas ela tornou a não lhe responder. Fora de si, Adriano deixou escapar um tímido "Ora esta!" E insistiu: "Que há, há! Por sinal, tens um nos teus lábios!"
Nessa tarde, foram encontrá-lo apoplético. E passadas duas horas, falecia. Não sem antes se ter apercebido de que deveria ter sido mais atrevido, mais machão!

(Carlos Mota de Oliveira)

sábado, 13 de dezembro de 2003

extroversões coloridas...e divinamente selvagens...

....há dias cansados onde a imaginação não cria...o sol aquece a mente que os olhos...olham...de frente até ao piscar...
...a espuma do mar....em paralelo...cheira a maresia e arrasta a marcha para uma selva em estado virgem...onde há um verdadeiro leão...pronto a enamorar o cair da noite...e a acordar perante o canto do pássaro...

QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)


...
Não sou fácil de descobrir mas sou fácil de aceitar após o descobrimento sobretudo para quem faz da autenticidade caminho e não tem medo de ser surpreendido por um ser colorido por tons sem definição...
Poderei ser para ti uma pérola...isso só o tempo poderá dizer...
Adorei a tua bolinha de sabão, fico à espera de mais...
Fica bem.

QUIM@longecoresquentes.humano

continua :))

BASTA

Basta.
-digo-
que se faça
do corpo da mulher:

a praça - a casa
a taça

A ÁGUA

Com que se mata
a sede
do vício e da desgraça

(Maria Teresa Horta)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

arrumando papeis....divinamente...doces...para o eu mulher...

...ando a arrumar papeis...importantes para mim...fazem parte de memórias...e não resisto...a passar para aqui tres poemas que fazem parte de vários....que o Filipe (um querido amigo) e poeta um dia escreveu para mim e a que deu o nome de NOSSA SENHORA DO PORTO LÁ PARA AS BANDAS DA TERNURA, e me aquecem a alma...e também fazem parte do seu espólio de poesia.

A TI FILIPE!

V
Tenho uma lua de palavras
cheia de ti
Porque neste luar
se fez a mais clara noite
neste meu querer

Tenho a luz
que não sei se me alumia
ou se me incendeia
Porque me aqueço
nas tuas palavras
neste tempo
em que o sol
dorme
mas ferve
nas minhas veias.

XVI

Tu dás a música
Que o teu corpo
me dá
nesta memória
das coisas importantes
que desencantas
por mim adentro.
E danço!

VIII

Não há esquinas
quando os receios
já navegam
na crista das ondas.

O mar, sempre o mar
mesmo num qualquer quadro
Desde que seja teu

Não há engulhos
Ainda que haja humidades
que se entranham nos ossos
O mar sempre o mar
Porque nele vou ao infinito
que és.

...história de uma noite ...divinamente selvagem...

...esta noite foi dura...não teve a ver com ecos...com silêncios...nada disso!

...acordei...já me tinha apercebido que os biscoitos da PIKO desapareciam com uma velocidade fora do comum...e nem vou dizer o preço...são especiais...fazem bem a tudo...intestinos...e até ao pelo...menos ao meu bolso...mas isso não é agora o importante...levantei-me e fui à casa de banho...vi uma coisa ou pareceu-me ver uma coisa a correr muito....também muito pequenina...não estava a dormir...mexi com o pé e vi a correr mesmo....era um ratinho minúsculo...muito preto...com um rabo nojento...dei um grito...e gritei novamente pela PIKO....que veio logo tipo segurança e entendeu logo o meu pedido de socorro...não saltei para cima da sanita...estou mais forte...(um dia saltei para cima de uma secretária...estava no emprego...)...deitei-me com as luzes acesas...e a gata ficou atrás do inimigo...passados uns tempos...começou com uns aahaaaa...aahaaaa...ahaaahaaa...muito continuados...desesperados mesmo...aquela linguagem gatal que só os amantes de gatos conhecem...toca a levantar novamente...pé ante pé e quase a morrer...lá estava a presa morta à sua frente...e era isso que me mostrava toda contente!...e para isso me chamava...pois é já não se pode morar no r/c e deixar os vidrinhos da marquise abertos...mesmo numa urbanização nova...o inimigo ataca...será que esta história terminou?...ou este terá mais filhinhos?...eu não quero acreditar!...

QUIM (também conhecido... e apelidado muito carinhosamente de bandido...)


...
...Não que me orgulhe dele ou tenha vergonha dele!...Aceitei-o....mas muito terei para te contar....um dia num poema que escrevi quando já não era muito menino dizia: EU SOU UM CAVALO DE TRES PATAS QUE JULGA TER QUATRO APENAS PORQUE ANDA...

continua :))

quinta-feira, 4 de dezembro de 2003

O Sonho Dum Homem Ridículo

"...Tornou-se claro que então sou um ser humano e não um zero, e enquanto ainda não sou um zero,eu vivo, e, consequentemente, posso sofrer, enfurecer-me e envergonhar-me dos meus actos..."

Dostoiesvski

quarta-feira, 3 de dezembro de 2003

gatos...a apanhar sol em telhados cobertos de ecos...divinamente selvagens...

...às vezes o sono corre mal...há eco de voz...que ultrapassa o silêncio...e toca a maturidade do sentir...a maturidade do só ser... do basta ser...e arrasta uma dor d`alma...talvez o barulho do silêncio
interrompido...tenha um outro nome...e o sentido de o transformar em eco...não passe de algo a que não se consegue resistir...qual história de brincar...o profundo de um perfume...só tem a ver com a cumplicidade da pele...

QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)


...
Não sei o que pensei…talvez em deixar brincar a solidão….

e então fiz uma grande bolinha e respondi:



OLÁ PIKO LINDA,



Sou o QUIM!

Estou muito longe! Mas não te vou dizer onde, porque tenho medo que deixes de me enviar bolinhas…

…este mundo onde vivo é o mundo dos homens…e com o tempo poderei falar-te do “meu” mundo!....



continua :))

The arrow of time passing by

Todos os anos, no dia 17 de Junho, Diego Golberg e a sua família perpetuam um ritual: fotografam-se em sua casa, desde 1976. O resultado é surpreendente e vale a pena assistir como passam 27 anos na vida de uma família. A flecha do tempo a passar...


terça-feira, 2 de dezembro de 2003

sensações ...divinamente selvagens....

...às vezes quando o silêncio se prolonga...até ao infinito...do descontentamento...até arranhar as paredes do não querer pensar...surge...um toque...uma voz...algo inexplicável...que torna a deixar no ar um silêncio... com perfume...

ENCALÇO



sigo
no encalço
da força
que me torna
fraco

hibernado
ofuscado
na tua luz
que me cega
e domina


texto e foto: encapuzado extrovertido

O grande Eurico A. Cebolo

Venho por este meio tornar (ainda mais) pública a existência do grandioso artista português Eurico A. Cebolo. Esta magnânime estrela foi recentemente alvo de uma homenagem sentida dos seus fãs, materializada no Eurico Cebolo Fan Club. A iniciativa partiu da sua fã número um desde sempre, Xobineski Patruska , com a companhia de muitos outros belugueiros, entre os quais o vosso amigo Katraponga.

Vão lá, deliciem-se e viciem-se no Cebolo!