quarta-feira, 27 de julho de 2005

a Mãe comigo na barriga (continuação)



óleo de pikonera
(desenho de Renata - 5 anos)

A Materna Doçura

Para a Mãe mais doce...
Mais amiga, corajosa e eternamente amada.:))
Amo-te

Zézé
Natal 2002

.................

"Falar de Materna Doçura não é fácil. O livro não se lê, devora-se avidamente. Mas o embate inicial tem um efeito no mínimo paralisante, que vai do arrepio das primeiras páginas à emoção em crescendo."


Expresso



Possidónio Cachapa
Assírio & Alvim




...concordo...

a Mãe comigo na barriga (continuação)



óleo de pikonera
(desenho de Inês - 3 anos)

sexta-feira, 22 de julho de 2005

a Mãe comigo na barriga


óleo de pikonera
(desenho da Lara- 5 anos)

terça-feira, 19 de julho de 2005

estar aqui...3


óleo e texto de pikonera - 1993

segunda-feira, 18 de julho de 2005

...entrar em mim...

...mergulhando...
em mim
silêncio em mim
sob coral
assente no fundo
...borbulhar
bolinhas de sabão...
flutuando
no sonho
sonho de mim
atracar
em barcos afundados
velhos monstros
monstros de mim
e
chegando em mim
ancoras
que saltam
salpicam areias
que se desprendem
desprendem de mim
bracejando
entre sereias


a ternura
em sorrisos

para mim
e tudo de mim
é verde...
eu sou verde...
aureola de mim
minha luz...
e adormeço
dentro de mim
e tudo de mim
..............mim
.................mim
.................mim


P.S. despertei

- sou uma mulher feliz!


pikonera

sábado, 16 de julho de 2005

AO MAR

este respirar o mar
quando as ondas estão fortes de maresia
este respirar o sal
quando a espuma se encontra poluída!

- ai barcos malditos...vapores modernos...

eu quero mar com sabor
mesmo com ondas fortes
mesmo que derrubem o impulso mais pacato
do peixe aranha...

quero sempre o mar
com ondas brancas de espuma
e com muito sal de amor

quero sempre o mar
com muitas baleias remexendo as algas

eu pequenina...quero sempre o mar
com pedras transparentes
para apanhar descalça
na areia carpete dos meus pensamentos

eu quero o mar a cantar
hinos de ternura a imensidão

eu quero ver as gaivotas em bandos de música
a tocar no eu do meu sentir

eu quero ver os pescadores
de ilusões
de multidões
de calça arregaçada e muita escama
pescarem montes e montes de
peixes saltitando por respirar

eu quero ver as redes cheias de pão...

eu quero ver o grito de alegria
porque a rede vem carregada não só de ilusões

eu quero ver o sol pratear a lua
a namorar a noite
e a fazer amor ao som das estrelas
vivinhas de frescura

eu quero sentir o murmúrio do bater
do coração na água nas rochas na terra...

eu quero viver sentindo o arder
da vida a bater no arco-íris do sonho

eu quero ver muitas dunas para esconder
as conchas que quero apanhar
para muita gente

eu quero ouvir o mar no búzio
grande e torto...

eu quero sentir as pegadas na areia
do desconhecido

eu quero adormecer
com a maré vaza
e sonhar com rochas carregadas com lapas
agarradas à vida...



1981 - pikonera

sexta-feira, 15 de julho de 2005

girassois




óleo s/ tela - pikonera

...loucura...minha...divinamente selvagem....

...no momento...
encontrei-mecomaloucura
abri
a janela para
......................................o imprevisto...

o
acontecer
d
e
s
l
i
z
a

tomo café...comoacontecer...

e
s
p
e
r
o

..........................continuo............

à

e
s
p
e
r
a
...

....................da...loucura...

o
ruído'''''''''''''??????==))(/&%$$$##$#"!$$%&&/()
que acontece"##%/&%())//===??`=)(**ª*ª4$##%

incomoda...

a

.....................minha...
e
s
p
e
r
a
...

tenho
medo
que

.......................a..........loucura...
não...........chegue.......................

mais...

.......................a espera..........
incomoda-me...

quero
abrir
as
portas
da loucura
................à loucura...

ouvir or grilos...àconversacomaloucura...

pintar
a
loucura

esquecer...

o

normal

....................entrar

em
ritual
com
a
tela
os
pinceis
e
as
tintas...

esperar...

..............................a

............................................OBRA...


1991-Pikonera

quinta-feira, 14 de julho de 2005

A RIBEIRA EM DIA DE SOL

Levei a passear
A minha parceira

"Amiga do peito"

Aprendiz de solidão...

...o rio deslizava
em corrente frenética
e com ramos verdes

p a s s e a v a o b a r c o



d
o imagi
nar

que

p
e
s
c
a
v
a

as nossas atenções
do diferente

Os sentidos
adormeciam
em cestos de fruta
com gostinho
a gaivotas
e o sol
escaldava
nos rostos
ávidos de ternura.

1983 - pikonera

quarta-feira, 13 de julho de 2005

OUTONO

E as folhas levemente
começaram a cair
embaladas pelo vento

Desciam
Faziam pequenas ondas
- música suave -
devagar
devagarinho
-às vezes molhadas

A chuva
essa também
triste monotonia
ondas de loucura
pensamentos
de OUTONO

Quem dera adormecer
voando, numa folha
amarela, rosada
com nervuras
do quero...

Os pássaros
esses, já quase sem abrigo
(e paro de sonhar...)

Mas continuo

Talvez seguir a sua rota
embriagar o espírito
nas suas asas
até ao infinito
e acordar
baloiçando
em risos de criança
com gosto a mar

(1983)-pikonera

Naif...


...as minhas flores do monte...por entre gaivotas...a bater asas de poesia...
....//...



Espontaneidade Pública Inexistente

O público não é crítico, não pensa espontaneamente. Na escolha do que lê, na própria disposição do seu bom gosto, é guiado por influências externas. Este fenómeno vê-se com particular clareza no caso das modas, mormente nas do vestuário, em que determinadas casas de criações do género determinam o que há de ser de bom gosto, e efectivamente todo o público segue o critério que lhe é assim imposto. É frequente, anos mais tarde, o homem ou a mulher que se teve por vestindo com o melhor gosto em tal época, pasmar, ante um seu retrato e vendo-o à luz de novas modas e novos tipos de gosto, de como algum dia considerou de bom gosto ou de qualquer espécie de elegância o desastrado fato ou vestido que relembra.

Temos, pois, que para o público apreciar um pintor, um poeta, um músico, que não seja banal, tem que haver quem chame a atenção do público para ele. O espírito humano espontaneamente aceita só o que já conhece; e como o valor, em qualquer secção da actividade humana superior, reside essencialmente na originalidade, resulta que não há aceitação espontânea, nem a pode haver, de um autor ou artista, que seja espontaneamente aceite pelo público. O que há é nações e épocas em que o meio culto é influente e perspicaz, e rapidamente impõe um autor novo ao público geral.

Fernando Pessoa, in 'Correspondência'

quinta-feira, 7 de julho de 2005

...Formula 1 no twin`s


...

O Porto em festa...com as corridas


...

terça-feira, 5 de julho de 2005

a não perder-circuito da Boavista-

...novidades no Porto...em pedais...

...a hipertensão...o veneno silencioso...
o coração...e o colesterol...têm agora uma possibilidade... sem custos...de olhar... o Porto..pedalando...em fins de tarde a cheirar a maresia...com o sol encostadinho às ondas...ou a namorar o rio....sem precisar de chapéu...


"a pedalar é que a gente se entende"

cmp

domingo, 3 de julho de 2005

Objectos



Busto de uma mulher
Dali
1933

Se Porém Fosse Portanto

Se trezentos fosse trinta
o fracasso era um portento
se bobeira fosse finta
e o pecado sacramento
se cuíca fosse banjo
água fresca era absinto
se centauro fosse anjo
e atalho labirinto
Se pernil fosse presunto
armadilha era ornamento
se rochedo fosse vento
cabra vivo era defunto
se porém fosse portanto
vinho branco era tinto
se marreco fosse pinto
alegria era quebranto
se projeto fosse planta
simpatia era instrumento
se almoço fosse janta
e descuido fosse tento
se punhado fosse penca
se duzentos fosse vinte
se tulipa fosse avenca
e assistente fosse ouvinte
se pudim fosse polenta
se São Bento fosse santo
dona Benta fosse benta
e o capeta sacrossanto
se a dezena fosse um cento
se cutia fosse anta
se São Bento fosse bento
e dona Benta fosse santa.


Cacáso (Antônio Carlos de Brito)

sábado, 2 de julho de 2005

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


(C. Drummond de Andrade)

...hoje o Porto...esteve mais bonito...vestido de saudades..em desfile....


foto do encapuzado