quinta-feira, 30 de junho de 2005

Luiz Achutti

PS: Lolita vai uma parte do As multidões de Baudelaire, que eu traduzi, espero que bem traduzido.

As multidões


(...)

Multidão, solidão: termos iguais e convertíveis para o poeta fecundo e ativo. Aquele que não sabe povoar a sua solidão, também não sabe estar só em meio a uma multidão de pessoas ocupadas.



O poeta goza deste incomparável privilégio, o de poder ser, segundo sua vontade, ele próprio ou o outro. Como as almas errantes que procuram um corpo, ele entra, quando quer, no personagem de cada um. Apenas para ele, tudo é desocupado, livre; e se certos lugares parecem estar fechados para ele, é porque aos seus olhos eles não valem a pena ser visitados.(...)



O que os homens chamam amor é muito pequeno, bem restrito e bem fraco, se comparado a esta inefável orgia, a esta santa prostituição da alma que se dá por inteira, poesia e caridade, ao imprevisto que se mostra, ao desconhecido que passa.(...)



Baudelaire, Le Spleen de Paris.

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Homenagem Depoimento sobre o Prof. Doutor Emídio Guerreiro António Almeida Santos
O século que o Prof. Doutor Emídio Guerreiro fez caber na sua vida - sem felizmente a esgotar!- é desde logo um século de coragem. Sem descontar a infância. Quando a coragem é tão prolongada e tanta, é seguro que já se nasceu corajoso. Mas é também um século de convicçõe ideais, inconformismo, revoltas. Podia ter optado por uma prestigiante e tranquila vida universitária, à sombra do mais alto galardão académico que a sua invulgar inteligência lhe conquistou. Mas não! Como viver, para ele, foi sempre lutar e combater por causas justas, preferiu provocar o ditador e ser por ele demitido. Escolheu cedo a sua barricada. Foi a dos injustiçados, dos oprimidos, dos sedentos de justiça, dos «bem-aventurados» do Sermão da Montanha. A opressão, as discriminações e exclusões injustas e o espezinhamento das liberdades sempre o encontraram de lança em riste. Não a lança quixotesca para ficar na fotografia. Mas uma genuína declaração de guerra contra os déspotas e os tiranos. Muitos outros deram-se por satisfeitos com o protesto. Ele não! Exigiu sempre de si mesmo, em todos os dias da vida, e em todas as horas da alma, uma atitude revolucionária. Activa e não romanticamente revolucionária. Por isso aceitou ? e poucos aceitaram! - opor a violência justa à violência injusta. É exemplo disso a sua participação na LUAR, a organização da resistência que tão duramente flagelou os flancos da odiosa ditadura de Salazar e Caetano. Dele se pode dizer que «esteve em todas». No interesse do País, quando lhe foi consentido viver na sua própria Pátria, ou no estrangeiro, sempre que experimentou - e muitas vezes experimentou! - a amargura do exílio, o ditador recebeu sempre os seus recados. O próprio 25 de Abril, quando iam decorridos três quartos da sua vida, encontrou-o em Paris, seu refúgio preferido, a lutar. Depois, a sua luta experimentou, enfim, a legalidade. Mas nem por isso o "Guerreiro" de nome e de carácter repousou. E chegou, como se sabe, a liderar o PSD, quando do que se tratava era de defender as liberdades conquistadas, e de construir o Estado Democrático de Direito que hoje somos. Sou, desde há muito, admirador e amigo do Prof. Doutor Emídio Guerreiro. Foi e continua a ser uma das referências do homem de esquerda que sempre fui e sou. A homenagem nacional que no dia 6 lhe foi prestada, tem o sabor de um jubileu da verticalidade, da coragem, do idealismo e do espírito revolucionário ao serviço das causas justas. Lá estarei a agradecer-lhe o exemplo que nos deu. E a pedir-lhe que continue a não ter pressa em repousar. O seu sonho perene de um Mundo justo e livre continua por acabar. In «100 Anos de História»
Homenagem Uma vida lutando pela liberdade Vasco Lourenço
Falar de Emídio Guerreiro é-me extraordinariamente gratificante. Com militar de Abril, costumo afirmar que o 25 de Abril só foi possível, como acção libertadora de Portugal e dos portugueses, porque muitos mantiveram acesa a chama da esperança na liberdade. Ainda que para isso tivessem que arriscar não só a sua liberdade mas também a própria vida. Foi a luta desses homens e dessas mulheres, organizados em partidos ou grupos políticos, ou radicalmente independentes procurando teimosamente a unidade na acção, que criou as condições para que o caduco regime de ditadura fascista encontrasse o seu fim, em 25 de Abril de 74. A grande virtude dos capitães de Abril consistiu no saber aproveitar a oportunidade. Com coragem, com decisão, com determinação, mas aproveitando as condições que muitos democratas e antifascistas conseguiram criar. Emídio Guerreiro é bem o exemplo dos lutadores independentes, que nunca hesitaram, nunca viraram a cara à luta e tudo fizeram para que a liberdade e a democracia fossem uma realidade em Portugal. Com a feliz particularidade de viver em três séculos diferentes, tem uma vida repleta de emoções, de lutas, de alegrias e tristezas, de vitórias e derrotas. Vida intensa, como o século XX que ele viveu inteiro, não passou ao lado das revoluções, contra-revoluções e das guerras de diversos matizes que se verificaram nestes últimos cem anos. É assim que o vemos nascer na Monarquia, assistir à implantação da República democrática, a que aderiu, apanhar com o Estado Novo fascista que o perseguirá, o expulsará da universidade e o obrigará ao exílio. Que o leva a novas lutas, sempre do lado da liberdade, primeiro na guerra civil de Espanha, depois na luta contra a ocupação nazi em França. Foi assim que, mesmo exilado, o vemos na organização da luta contra a ditadura em Portugal, nunca abdicando dos valores cívicos e éticos, que o transformaram num exemplo vivo para as novas gerações. Envolvendo-se com a LUAR, pugna por uma luta com ética e sem aventureirismos, ainda que tenha de arrostar com ataques soezes que procuraram lançar na lama o seu bom nome. Tendo sido o primeiro a denunciar o assassinato de Humberto Delgado pela PIDE, tudo fazendo para procurar a verdade desse crime, ganha com isso lugar de destaque nos inimigos de estimação dessa política tenebrosa, que lhe passa a dedicar o consequente ódio. É por isso que só pode voltar a Portugal depois do 25 de Abril de 1974. A idade de 75 anos não o impede de se lançar pela consolidação da democracia em Portugal, pela construção do país com que sempre sonhara e pelo qual lutara. Não aceitando ficar a ver a marcha da História, volta a empenhar-se na sua construção e é tempo de o vermos envolvido, pela primeira vez, na luta partidária. Militante do PPD não hesita em assumir a sua liderança, quando outros abandonaram a cena, convencidos de que a derrota era inevitável. Sempre fiel à social - democracia, envolveu-se na luta do inesquecível Verão Quente de 1975, participa na autêntica trincheira em que a Assembleia Constituinte se transforma, consegue que o seu partido se mantenha firme e ganha jus a um lugar na galeria dos que nesses conturbados tempos defenderam e salvaguardaram a liberdade e a democracia em Portugal. Passados os tempos mais conturbados e, portanto, mais perigosos, logo os oportunistas os haviam de pôr em causa, o procuraram engolir e o forçaram a abandonar o partido que, na fase mais difícil da sua existência, soubera liderar. Para trás ficava a experiência partidária, tal como a actividade política concreta, mas para trás não ficou uma prática cívica e política sempre na defesa e no apoio a acções de democratas das gerações mais jovens, a que empresta um permanente e jovem entusiasmo de velho lutador. Todas estas acções são ainda mais relevantes, porque Emídio Guerreiro nunca abdicou da sua vocação de intelectual e de professor. Homem de enorme cultura, com conhecimentos científicos e filosóficos permanentemente actualizados, grande matemático, também aqui pode orgulhar-se o seu passado, onde, depois da expulsão de assistente da Faculdade de Ciências do Porto, sobressai o facto de ter leccionado em Espanha e em França e de, nos liceus deste país, ter sido o introdutor das matemáticas modernas. Verdadeiro exemplo para as novas gerações, homem de enorme coragem, total coerência e integridade cívica e intelectual, é com grande orgulho que me vejo no grupo dos seus admiradores e amigos. In «100 Anos de História»

terça-feira, 28 de junho de 2005

DORMIDEIRA


No simbolismo eleusiano, a dormideira que se oferece a Deméter simboliza a terra, mas representa tb a força do sono e do esquecimento que se apodera dos homens depois da morte e antes do renascimento (MAGE, 136). Com efeito, a terra é o lugar onde se operam as transmutações: nascimento, morte e esquecimento, ressurgência. Compreende-se que a dormideira seja o atributo de Deméter, com quem se identifica simbolicamente...Na Rússia, diz.se de uma jovem que ela é bela como uma flor de dormideira e ficar em dormideira significa ficar solteirona...

quarta-feira, 22 de junho de 2005

SAFIRO

...faltava o safiro!...


..era a safira...de olhos azuis...
...veio com uma semana cá para casa...
..bebia o leite em biberão e a horas...
...nunca se tinha visto nada assim!...
...pegava com as duas patinhas no biberão...
...ajudado pela minha mão...

um dia...descobri que era um macho...:))

...SAFIRO...o meu companheiro..o meu confidente....o meu ronron de fins de tarde em sons de música a mimar...o passo seguinte...o leitor dos meus pensamentos...em lamber às vezes de lágrimas a cheirar a lua...

P.S. ..há muitos mais...que não estão ainda gravados aqui nesta máquina..mas em fotos e na minha alma...até sempre...

CINCO REIS

(óleo de pikonera-desenho de criança)

Na noite de S. João, atiram-se cinco reis para uma fogueira. Depois, a pessoa que os atira passa duas vezes por cima da chama e diz:

S. João de Deus amado,
S. João de Deus querido,
Deparai-me a minha sorte
Que Deus me tem prometido

No dia seguinte, dão-se aqueles 5 reis a um pobre do sexo contrário, pede-se-lhe o nome: o nome do pobre é o da pessoa com quem tem de casar o que lhe pergunta.


(Costumes e tradições)
Noite de S. João

domingo, 19 de junho de 2005

Tal como as grandes esfinges sobre
a areia do deserto, postadas para a eternidade
em atitudes nobres, eles olham com curiosidade
para nada em especial, serenos e sábios.

CHARLES BAUDELAIRE

Conheci muitos pensadores e muitos gatos,

mas a sabedoria dos gatos é infinitamente superior.

HIPPOLYTE TAINE

ATOSSA

Cruel, mas impassível e meigo,
Silencioso, inescrutável e nobre,
Assim se sentiria Tibério
Se tivesse sido um gato.

MATTHEW ARNOLD

...Somos aparentados com os gatos. Eles sentem-se
infelizes com a sujidade, os maus cheiros
e a corrupção. Será porque também nós conseguimos
imaginar-nos condenados ao infortúnio, submetidos
a uma sobrevivência que nos obriga a foçar por entre
os caixotes do lixo à procura de restos? Ninguém está tão alto
que não possa cair, e os desamparados
dão-nos bem essa imagem das profundezas.

PAUL GALLICO, IN HONOURABLE CAT

ol..~´a


o







olá~~

o


o
l
á

o
l
á

o
l
á

olá...olá...olá...


olá...olá...olá...

olá...olá...


olá...olá...

olá...


olá

quarta-feira, 15 de junho de 2005

circuito

Sabiam que:

O II GRANDE PRÉMIO DO PORTO
EMPOLGOU A ASSISTÊNCIA E TERMINOU
COM A VITÓRIA DO MARQUÊS DE PORTAGO
/FERRARI/ À MÉDIA DE 155,02 K/H?

Recorte da Revista ACP, de 1956, dando notícia sobre o II Grande Prémio do Porto.
Nesta década o rescente mercado de automóveis impulsionam as empresas construtoras
de veículos motorizados começam a participar oficialmente e a patrocinar estas competições como forma de de aumentar o seu prestígio e consequentemente as vendas dos seus produtos. Notabilizaram-se neste período alguns condutores excepcionais como James Stewart e Fangio, e criam-se alguns mitos sobre as marcas como por exemplo a Ferrari.



(O BRINQUEDO EM PORTUGAL)
100 anos do Brinquedo Português
Editora Civilização

terça-feira, 14 de junho de 2005

...gatos..meus...


...ao lembrar o Eugénio...lembro os meus gatos...até os pintados por mim...

segunda-feira, 13 de junho de 2005

NOCTURNO

Coaxar de rãs é toda a melodia
que a noite tem no seio
- versos dos charcos
e dos juncos podres,
casualmente, com luar no meio.


ANTOLOGIA BREVE
Eugénio de Andrade

A hora do silêncio

..."A hora do silêncio tem uma existência física. Anuncia-se, avança, alastra e invade as celas trazendo consigo uma angústia húmida, pesada sepulcral. Recolhidos os presos, fechados ruidosamente uma a uma as portas chapeadas das celas no lúgubre cadência de fechaduras e ferrolhos, ainda nos primeiros minutos do acomodar de cada um no seu catre se ouve o clamor de vozes gritadas aqui e além e os monólogos de alguns falando por si próprios"...


A ESTRELA DE SEIS PONTAS

MANUEL TIAGO

...hoje lembro um cravo vermelho...

domingo, 12 de junho de 2005

Tenho um Santo António preso no poço do meu jardim:a ver se agora caso e o meu pai diz que sim.

(cancioneiro popular)


desenho de criança pintado por pikonera

...o culpado desta merda toda está ali.............................ailialialia...ali

lialialoai...............

O Porto a quatro cores...

http://www.portocarago.blogspot.com

sábado, 11 de junho de 2005

...indomável até à morte...


...afirmo desde já...

...quando morrer não quero levar aquelas medalhas... todas com que fui condecorada ao longo deste tempo. ..em todos os 10 de junhooooooooooooooooooooooosmuitos....................................... da minha vida ...


por favor cumpram este meu desejo


deixem-me ir nua sem lençóis mesmo de linho e sem madeiras com rendas de plásticos estufadas com faz de conta de cetim


só quero pampilhos...se tiverem um tempinho apanhem para mim

quarta-feira, 8 de junho de 2005

selvajariase aranhas a saltitar no sistema e a esburacar a minha mente do não

querer ser papalagui...


...não sei se é do calor da temperatura fora de lei que transtorna os miolos ou se de facto é o bruto peso da aranha défice a querer estacionar a teia na minha cabeça...

segunda-feira, 6 de junho de 2005

para lá de ti

Wenn Du dies nicht hast dieses Sterben und Werden,
Bist du nur ein trübe Gast auf der dunklen Erder.

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Quando a morte não for para ti um começo,
Apenas serás, na Terra escura, um triste hóspede.

Goethe

quarta-feira, 1 de junho de 2005

...a mãe comigo na barriga... (era o tema)


pintura de pikonera (desenho de criança)

A individualidade do brinquedo português é essencialmente dada pela utilização da folha de flandres no seu fabrico. O depauperamento económico agravado pela 2ª Guerra Mundial , não fizeram parar a criatividade dos nossos artesãos é visivel em alguns destes objectos a recuperação das latas de sardinha e mesmo de azeite. E para amenizar a frialdade e agressividade da lata, tintas caleidoscópicas salpicam carros, camionetas, aviões, barcos, máquinas de costura, lavatórios...Noutros, vindos da região do Porto a folha de flandres aparece litografada: baldes de praia, serviços de chá, carros...

O gosto, a sensibilidade, os acasos transformaram os modelos importados em brinquedos multicolores que percorriam feiras e encenavam montras. Os olhos infantis cobiçavam, os dedos espetavam-se, os narizes esborrachavam-se nos vidros e, por vezes, a boca murmurava /choramingava um pedido - quero aquele!

E quando a bolsa era muito magra , a criatividade, a ingenuidade , o desejo, o sonho transformava um pau retocado com um canivete num avião, num carro, numa boneca...

É este mundo maravilhoso do faz-de-conta que aumenta o comportamento cooperativo das crianças e reflecte as noções que a criança tem do mundo:

jogo - trabalho

brincadeira - oficina

brinquedo - instrumento

eis a trilogia lúdico - séria da vida de uma criança

Ao copiar do adulto, só ela sabe transpor a rigidez da vida, os seus instrumentos de trabalho, o dia-a-dia caseiros, as atitudes. ELA diverte-se a brincar a sério. É o prazer lúdico das coisas, das situações que a maturidade cristaliza.

O adulto tem cada vez mais consciência que o brinquedo não é um objecto para "ocupar" ou "divertir" a criança mas um meio de a educar e tornar feliz.

BRINCAR É BRINCAR
CRIANÇA (re)ensina-nos a brincar com as regras do" faz-de-conta"
ADULTO, brinca com os olhos da tua infância
(Re)cria na OFICINA DO SONHO

(EXPOSIÇÃO DE BRINQUEDOS - BRAGA 1990)

criança