quarta-feira, 31 de março de 2004

Mulheres de Abril

Mulheres quotidianas
são aquelas
que ao porem no mundo os filhos
sossegam o sorriso

indo de sol a sol

colhendo fazendo o que é preciso

O riso dobram em silêncio
à mistura na tábua
com os lençóis...

Mulheres quotidianas
são aquelas
que as horas percorrem
devagar

a tactear no escuro
à mistura com os tachos
e as panelas

Silenciosamente...dão a vida ao mundo
sem nunca ninguém
reparar nelas

Mulher - Bordadora

Secretamente teces
as lágrimas com que bordas
a solidão laqueada
em que adormeces

Com que vida?

Que silêncio
foi bordado
fio a fio - na secular solidão
das horas repetidas?

Em que pano
brando
desenharam teus dedos a partida
o fundo penumbroso dos teus dias?

Com que agulha
puxada à altura do peito,
mulher?
Com que vida?

MARIA

Apresento-me
Maria

36 anos
seis filhos
Trabalhando desde
os 15
criada todos os dias

Apresento-me
Maria

dobrada sobre
o soalho

na tábua a passar
os dias

Apresento-me
Maria

A noite dentro
do peito

Profissão:
mulher-a-dias

Maria Teresa Horta

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