quarta-feira, 31 de março de 2004

O que foi para ti o 25 de Abril?

Para mim o 25 de Abril foi uma coisa muito importante.
Às vezes lembro-me do poder do Salazar que foi um grande fascista durante 48 anos.
Quem fez esta revolução foram os militares, que agora se dizem MFA..
No dia em que se deu a revolução eu vi muitas camionetas cheias de tropas e de homens que gritavam "viva o 25 de Abril" e depois as pessoas diziam "viva".
nesse dia todas as pessoas estavam contentes.
Quando se deu o 25 de Abril foi às 3h da manhã.

Pedro Mário Pimenta Lopes
(O 25 de Abril visto pelas crianças)

Liberdade

Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente

Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quanto não se teve nada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada

Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.


Sérgio Godinho
Canções de Sérgio Godinho
Assírio e Alvim

As Portas Que Abril Abriu

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais feliz
dos povos à beira-terra

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raíz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinhiero estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos dos passado
se chamava esse país
Portugal suicidado

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas tabém tinha a seu lado
muitos homens na prisão

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação

uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com a que a força da vida
seja maior do que a morte

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão

Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
- é a força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena

E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados "páras"
que não queriam o degredo
de um povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma razão
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer

E em Lisboa capital
dos nosvos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis

Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua prórpia pobreza

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo de mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas era olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que desbobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideias
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio faziam
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.

Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
- cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabrões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os genarais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.

Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.

E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
apenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opões àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
- Não havia estado novo
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

Em em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalhos crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
de um país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pédo Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua prórpia grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viesses ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povro soberano e total
e ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisa em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser reoubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!


Lisboa, Julho-Agosto de 1975
José Carlos Ari dos Santos - "Obra poética"
Edições Avante

Mulheres de Abril

Mulheres quotidianas
são aquelas
que ao porem no mundo os filhos
sossegam o sorriso

indo de sol a sol

colhendo fazendo o que é preciso

O riso dobram em silêncio
à mistura na tábua
com os lençóis...

Mulheres quotidianas
são aquelas
que as horas percorrem
devagar

a tactear no escuro
à mistura com os tachos
e as panelas

Silenciosamente...dão a vida ao mundo
sem nunca ninguém
reparar nelas

Mulher - Bordadora

Secretamente teces
as lágrimas com que bordas
a solidão laqueada
em que adormeces

Com que vida?

Que silêncio
foi bordado
fio a fio - na secular solidão
das horas repetidas?

Em que pano
brando
desenharam teus dedos a partida
o fundo penumbroso dos teus dias?

Com que agulha
puxada à altura do peito,
mulher?
Com que vida?

MARIA

Apresento-me
Maria

36 anos
seis filhos
Trabalhando desde
os 15
criada todos os dias

Apresento-me
Maria

dobrada sobre
o soalho

na tábua a passar
os dias

Apresento-me
Maria

A noite dentro
do peito

Profissão:
mulher-a-dias

Maria Teresa Horta

Custodio Joaquim da Silva

....................................................................11 anos

...............................Herdades

................................Redacção

-----------Como eu vejo o
----------------25 de Abril

O 25 de Abril tem cravos
vermelhos, nas espingardas.
Não ouvi tiros.
Toda a gente estava
contente.
Eu não quero que
se acabe o 25
de Abril!.

(O 25 de Abril visto pelas crianças)
Mil Dias Editora

terça-feira, 30 de março de 2004

http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2004/03/276121.shtml

Folha de S.Paulo - Por que o sr. já disse que "Ensaio..." é o seu testamento?

Saramago - Não penso em morrer nestes próximos dias. Se chamei testamento ao "Ensaio sobre a Lucidez" foi por nele ter escrito algumas coisas que nunca havia dito antes. Quando terminei o "Ensaio sobre a Cegueira" também me recordo de dizer: "Agora já posso morrer". Como se vê, não morri. Ainda.

segunda-feira, 29 de março de 2004

O SUAR DA PREPOTENCIA

...era verão!
o suor vergava
com o peso
da hipocrisia
renitente
das delicias repetitivas
do homem azul
as veias
saltitavam
em compassos
de música rock
ela...
...já vomitava
as "finesses"
do que é ser alto...

o coração
vermelho
assobiava raivas
esperando
coágulos do não

o vento poluído do cansaço
martelava
pregos ferrugentos
na cabeça
do observar
... - vou sair
deste tempo
guloso de dias
do reaparecer

tirar as sapatilhas
sujas
do recalcar...

...chego ao café...
- por favor:

----------------------------um fino, amendoins

...............................e
......................................tremoços


apetitosos
os olhos de polvo
que se espantam!...
olham o tecto de ventoinhas
que sujam moscas
que pousam nos laços
dos empregados

que espanto!

...pegou
a caneta
e no guardanapo macio
escreveu:

PS. "um segredinho..."
vou tentar
embalar o meu
perfume
em odores de querer
e querer...
...................muitas vezes...

deixou na mesa redonda
o dinheiro
que reluzia bocadinhos
de todo o poderoso...

...saiu...
a consciência
abarrotava
consolos espirituais...
e a alma
sorria
luas cheias

...a noite em sereno
abria-lhe os braços
em espiral

(AMERICANA - rita ariz)

ler novamente os Trabalhadores do mar...

"TRABALHADORES DO MAR" este livro foi dado por um amigo há vários anos...e basta a dedicatória...para o apetecer...

Victor Hugo

Prosador atraente e uma pessoa singularmente imaginativa. - Páginas maravilhosas cinzeladas com alma, empolgantes.
A autenticidade, a sinceridade, a realidade dão origem, muitas vezes, no domínio intelectual, a espantosos paradoxos. Romântico e idealista, admirável!

A.F.

domingo, 28 de março de 2004

gavetas em sintonias com dores...e delícias...para diminuir as dores...do estar aqui desta forma...e o não saber estar de outra...

...muito pouca gente me conhece...pouca me conheceu...mas tu...albertina que descobri em papelinhos nas gavetas...meus tesouros...de ternuras...e que ainda hoje...me telefonavas com tanto mimo...pura concidência...ou talvez não...dizia eu...lia em dois pequenos papeis...um nem era postal ... era um simples guardanapo...: à maria papoila...que não gosta de "traições" e deste momento perdurará a luz desta vela verde (jantávamos na foz...) e um outro com um milhão de flores e "...enquanto "ouço"... o tejo....lembro-me de ti e dos teus desencontros...deliciosa e doce papoila..."e eu faço uma leve competição...com as pequenas coisas humanas... em palavras...que me transcendem...e me baralham por tanta incoerência... me magoam e com as quais tantas vezes não sei lidar...naif?...obrigado pelo maria papoila...obrigado pelo doce...obrigado pela tua deliciosa forma de me entender...e não me fazer sentir aquelas coisas que sabes...para não ter de me disfarçar...e ser sempre eu própria...mesmo que seja difícil de acreditar...

Encontro imaginário entre um grego antigo e um padre

Encontro imaginário entre um grego antigo e um padre
Extraído da obra The Truth about Jesus -- Is He a Myth?, parte I (A Parable, de 1909),
de M. M. Mangasarian.

Eu tenho hoje vinte e cinco séculos de idade, e estive morto por quase todos esses anos. Meu local de nascimento era Atenas; minha tumba não ficava longe das de Xenofonte e Platão, com vista para a glória alva de Atenas e as águas tremulantes da Mar Egeu.

Após dormir em minha tumba por tantos séculos eu despertei subitamente -- não posso dizer como ou por quê -- e fui transportado por uma força além de meu controle par este novo dia e esta nova cidade. Cheguei aqui ao romper do dia, quando o céu ainda estava entorpecido e sonolento. E ao me aproximar da cidade comecei a ouvir o tocar de sinos, e um pouco depois encontrei as ruas agitadas com multidões de pessoas bem vestidas em grupos familiares seguindo seu caminho para lá e para cá. Evidentemente elas não estavam indo para o trabalho, pois eram acompanhadas por suas crianças nos seus melhores rtajes, e uma expressão de alegria lhes adornava o rosto.

"Este deve ser um dia de festa e adoração, devotado a um dos seus deuses", murmurei para mim mesmo.

Olhando ao meu redor eu vi um senhor em uma elegante roupa preta, sorrindo, e sua mão se estendeu a mim com grande cordialidade. Ele deve ter percebido que eu era um estranho e quis me oferecer sua hospitalidade. E eu aceitei com gratidão. Apertei sua mão. Ele apertou a minha. Fitamos por um momento os olhos um do outro. Ele compreendeu a confusão que me tomava em meu novo ambiente, e se ofereceu para me esclarecer. Ele explicou a razão do toque dos sinos e o significado das multidões em festa andando pelas ruas. Era um domingo -- um domingo antes do Natal, e o povo estava indo para "a Casa de Deus".

"Certamente você está indo para lá também", disse eu ao meu amistoso guia.

"Sim", ele respondeu, "Eu conduzo o culto. Sou um sacerdote."

"Um sacerdote de Apolo?", perguntei.

"Não, não", replicou ele, levantando sua mão como que ordenando silêncio, "Apolo não é um deus; ele era apenas um ídolo."

"Um ídolo?", sussurrei, tomado pela surpresa.

"Percebo que você é grego", disse-me ele, "e os gregos", continuou, "apesar de suas notáveis realizações, eram um povo idólatra. Eles adoravam deuses que não existiam. Eles construíram templos para divindades que eram meramente nomes vazios -- nomes vazios", repetiu. "Apolo e Atena -- bem como todo o panteão olímpico -- não eram mais do que invenções da fantasia."

"Mas os gregos amavam seus deuses", protestei, com meu coração clamando no peito.

"Eles não eram deuses, eram ídolos, e a diferença entre um deus e um ídolo é esta: um ídolo é uma coisa; Deus é um ser vivo. Quando não se pode provar a existência de seu deus, não nunca se o viu, nem se ouviu sua voz, nem se o tocou -- quando não se tem nada provado sobre ele, ele é um ídolo. Você já viu Apolo? Já o ouviu? Já o tocou?"

"Não", disse eu, em voz baixa.

"Você sabe de alguém que o tenha feito?"

Tive de admitir que não.

"Ele era um ídolo, portanto, e não um deus."

"Mas muitos de nós, gregos, sentimos Apolo em nossos corações e fomos inspirados por ele."

"Vocês imaginam que foram", replicou meu guia. "Se ele fosse realmente divino, que estivesse vivo até hoje."

"Então ele está morto?", perguntei.

"Ele nunca viveu; e nos últimos dois mil anos ou mais o seu templo tem sido apenas um monte de ruínas."

Eu senti as lágrimas escorrerem ao ouvir que Apolo, o deus da luz e da música, não mais existia -- que o seu belo templo tinha sido arruinado e que o fogo sobre seu altar fora extinto; então, secando uma lágrima em meus olhos, eu disse, "Oh, mas nossos deuses eram justos e belos; nossa religião era rica e pitoresca. Ela fez dos gregos uma nação de poetas, oradores, artistas, guerreiros, pensadores. Ela fez de Atenas uma cidade de luz; criou o belo, o verdadeiro, o bom -- sim, nossa religião era divina."t;

"Ela possuía apenas um defeito", interrompeu meu guia.

"E qual era?", inquiri, sem saber qual seria a sua resposta.

"Não era verdadeira."

"Mas eu ainda acredito em Apolo", exclamei, "ele não está morto, eu sei que está vivo."

"Prove", disse ele para mim; então, pausando por um momento, "Se você o mostrar", disse, "nós nos prostraremos e o adoraremos. Mostre-nos Apolo e ele será nosso deus."

"Mostrá-lo!", sussurrei para mim mesmo. "Que blasfêmia!" Então, criando coragem, eu contei ao meu guia como mais de uma vez eu sentira a presença radiosa de Apolo em meu coração, e falei-lhe das linhas imortais de Homero a respeito do divino Apolo. "Você duvida de Homero?", eu disse a ele; "Homero, o bardo inspirado? Homero, cuja fonte de tinta [ink-well] era grande como o mar; cuja página imperecível era o Tempo? Homero, de quem cada palavra era uma gota de luz?" Então eu comecei a citar a Ilíada de Homero, a Bíblia Grega, adorada por todos os helenos como o mais raro manuscrito entre o céu e a terra. Citei sua descrição de Apolo, que cuja lira nada era mais musical, que cujo discurso mesmo o mel não era mais doce. Recitei como sua mãe foi de cidade em cidade procurar um lugar digno para dar à luz o jovem deus, filho de Zeus, o Ser Supremo, e como ele nasceu e teve seu berço em meio às vistas de todas as deusas, que o banharam em água corrente e o alimentaram com o néctar e a ambrosia do Olimpo. Então eu recitei as linhas que retratam Apolo rompendo suas ataduras, pulando do berço, e abrindo suas asas como um cisne, planando rumo ao sol, declarando que ele tinha vindo anunciar aos mortais a vontade de Deus. "É possível", perguntei, "que tudo isso seja pura invenção, uma fantasia do cérebro, tão insubstancial quanto o ar? Não, não, Apolo não é um ídolo. Ele é um deus, e o filho de um deus. Todo o mundo grego dará testemunho de que o que digo é verdade." Então eu olha para o meu guia para ver qual a impressão que este arrebatamento de entusiasmo sincero tinha provocado nele, e vi um sorriso frio em seus lábios que me cortaram o coração. Parecia que ele queria me dizer, "Seu pobre pagão iludido! Você não é inteligente o bastante para saber que Homero era, enfim, apenas um mortal, e que ele estava compondo uma peça na qual criou os deuses sobre quem cantava -- que estes deuses existiam somente em sua imaginação, e que hoje eles estão tão mortos quanto seu criador -- o poeta."

Por esta hora chegamos à entrada de um grande edifício que meu guia dissera ser a "Casa de Deus". Ao entrarmos vi luzinhas inumeráveis piscando em todo o seu espaçoso interior. Havia também pinturas, altares e imagens em todo o meu redor. O ar pesava com o incenso; um número de homens em vistosas vestimentas passava para lá e para cá, curvando-se e ajoelhando-se diante das várias luzes e imagens. A audiência estava de joelhos, envolvida em silêncio -- um silêncio tão solene que me deixou aterrado. Observando minha ansiedade para entender o significado de tudo isso, meu guia me pôs à parte e num susurro me disse que as pessoas estavam celebrando o aniversário do nascimento de seu lindo Salvador -- Jesus, o Filho de Deus.

"Apolo também era o filho de Deus", repliquei, pensando que talvez pudéssemos, afinal, chegar a um acordo.

"Esqueça Apolo", disse ele, com uma sugestão de severidade em sua voz. "Tal pessoa não existe. Ele era apenas um ídolo. Se você fosse procurar por Apolo em todo o universo, você jamais encontraria alguém que respondesse por esse nome ou descrição. Jesus", ele prosseguiu, "é o Filho de Deus. Ele veio à nossa Terra e nasceu de uma virgem." Novamente fui tentado a dizer ao meu guia que foi assim que Apolo se encarnou, mas eu me contive.

"Então Jesus cresceu e se tornou um homem", continuou meu guia, "realizando maravilhas nunca vistas, tais como andar sobre os mares, dar a visão, a audição e a fala aos cogos, surdos e mudos, converter água em vinho, alimentar miraculosamente as multidões, prever eventos futuros e ressuscitar os mortos."

"Claro, de seus deuses também é dito", acrescentou, "que eles faziam milagres, e de seus oráculos, que eles previam o futuro, mas há esta diferença -- as coisas que se contam de seus deuses são uma ficção, as coisas que se contam de Jesus são um fato, e a diferença entre o Paganismo e o Cristianismo é a difernça entre a ficção e o fato."

Só então eu ouvi uma onda de murmúrios, como o das folhas numa floresta, passar pela audiência prostrada. Em me virei e, inconscientemente, com minha curiosidade grega me impelindo, me dirigi aonde o maior número de velas ardia. Senti que talvez a comoção na casa fosse o anúncio de que o Deus Jesus estava prestes a fazer sua aparição, e eu queria vê-lo. Queria tocá-lo ou, se a multidão fosse grande demais que me impedisse de ter esse privilégio, eu queria, pelo menos, ouvir sua voz. Eu, que nunca tinha visto um deus, nunca tocado um, nunca ouvido um falar, eu que tinha acreditado em Apolo sem jamais ter visto algo provado a seu respeito, queria ver o verdadeiro deus, Jesus.

Mas meu guia pôs sua mão sobre meu ombro, e me puxou para trás.

"Eu quero ver Jesus", precipitei-me, virando-me para ele. E disse isso com reverência e boa-fé. "Ele nao estará aqui esta manhã? Não falará aos seus adoradores?", perguntei novamente. "Ele não os deixará tocarem-no, acariciarem sua mão, tocarem seus divinos pés, inalarem a fragrância de ambrosia de seu hálito, aquecerem-se na luz dourada de seus olhos, ouvirem a música de sua inflexão imaculada? DEixe que eu, também, veja Jesus", supliquei.

"Você não pode vê-lo", respondeu meu guia, com um traço de embaraço na sua voz. "Ele não se mostra mais."

Eu estava surpreso demais para fazer qualquer réplica imediata.

"Nos últimos dois mil anos", continuou meu guia, "não foi da vontade de Jesus se mostrar a quem quer que fosse; nem ele quis ser ouvido pelo mesmo número de anos."

"Por dois mil anos ninguém tem visto ou ouvido Jesus?", perguntei, meus olhos repletos de espanto e minha voz tremendo de excitação.

"Não", ele respondeu.

"Isso não torna, então," aventurei-me a perguntar, impacientemente, "Jesus um ídolo tanto quanto Apolo? E não são essas pessoas de joelhos diante de um deus sobre cuja existência ele estão nas trevas da mesma forma que os gregos com o belo Apolo, e de cujo passado elas só ouviram rumores com os que Homero conta de nossos deuses olímpicos -- tão idólatras quanto os atenienses? O que você diria", interroguei meu guia,"se eu exigisse que você mostrasse Jesus e o provasse aos meus olhos e ouvidos da forma como você me pediu para mostrar e provar Apolo? Qual é a diferença entre uma cerimônia em honra de Apolo e uma em honra de Jesus, já que é tão impossível dar uma demonstração oracular de um quanto de outro? Se Jesus está vivo e é um deus, e Apolo é um ídolo e está morto, qual é a evidência, já que um é tão invisível, inacessível e indemonstrável quanto o outro? E, se a fé de que Jesus é um deus o prova como um deus, por que a fé em Apolo não fará dele um deus? Mas se adorar Jesus, que pela maior parte dos últimos dois mil anos ninguém tem visto, ouvido ou tocado; se construir templos para ele, queimar incenso em seus altares, curvar-se perante seu relicário e chamá-lo de 'Deus' não é idolatria, também não é idolatria acender o fogo sobre os altares luminosos do Apolo grego, --Deus do alvorecer, mestre da lira encantada -- ele que com o arco e a flecha dobra o próprio fogo! Não estou negando", disse eu, "que Jesus já tenha vivido. Ele pode ter estado vivo dois mil anos atrás, mas se ele não tem sido ouvido desde então, se a mesma coisa que aconteceu às pessoas vivendo naquela época aconteceu com ele, ou seja -- se ele está morto, então você está adorando um morto, o que classifica sua religião como idólatra."

E então, lembrando o que ele me dissera sobre a mitologia grega ser bela mas não verdadeira, disse-lhe: "Seus templos são realmente magníficos e custosos; sua música é grandiosa e seus altares soberbos; sua litania é formidável; seus cantos são comoventes; seus incensos, sinos e lores, seu ouro e seus vasos de prata são todos de um gosto raro, e me atrevo a dizer que seus dogmas são sutis e seus pregadores são eloqüentes, mas sua religião só tem um defeito -- não é verdadeira."

sexta-feira, 26 de março de 2004

...alguns pensamentos do meu Pai - Joaquim Pinto

Pobre - compartilha a tua
riqueza...
O pobre será rico
O rico será pobre...

25/12/81

Meus Filhos:
meu espírito vai desfalecendo
Compreendei-o e amparai-o

27/12/81

Prefiro viver!...
enquanto viver!...

27/12/81

"Nosso Jornal"




Nosso Jornal faz uma homenagem ao tocador de feira URBANO MEDEIROS. Ao músico místico, nordestino-mineiro, ao homem que do seu sopro divino manda um alento aos doentes, um mantra a nos conduzir pelos mistérios da vida.

O SAX RURAL DE URBANO MEDEIROS

Celebrado como um dos maiores saxofonistas da atualidade, Urbano Medeiros vive com sua família na bucólica Pará de Minas, cidade com cheiro de terra e de ruralidade. Aliás, acho mesmo que o seu nome encerra uma grande contradição: de urbano, ele só tem o nome. Um dia sugeri que ele acrescentasse o Rural. Algo como URBANO MEDEIROS RURAL. Eu sei que ficaria risível, mas, pelo menos, não seria tão contraditório, posto haver optado por viver sempre no interior do Brasil: de São João do Sabugy (RN) a São Gabriel da cachoeira (AM), com passagens por Campos do Jordão (SP), Paracatu (MG) e tantas outras cidades. Ele é tão urbano e igualmente tão rural.

Essa ruralidade aproxima Urbano de pessoas como Adélia Prado e Elomar, que escolheram a vida tranqüila do interior não somente para morar, mas para, principalmente, a partir dela, produzirem uma obra igualmente monumental.

Urbano optou, também, por um trabalho voltado para doentes depressivos, viciados, terminais... Sai de casa em casa tocando sax, pondo em prática o seu sacerdócio. Um sacerdócio na acepção mais profunda do termo. Faz um trabalho grandioso. Sem holofotes. Sem câmeras. Sem alardes. Ser um dos melhores saxofonistas do mundo não o torna orgulhoso. Pelo contrário, deixa-o “o menos de todos”. Sua música não se enquadra em nenhum esquema, em nenhuma tendência, muito embora seja perceptível uma for influência jazzística e armorial. Faz a músico do coração. Hesicasta. Vez por outra vemo-lo todo vestido de preto, qual monge saído do legendário Monte Athos, a República Monástica do Oriente. A música do Santo Efrém Sírio é-lhe tão familiar quanto a do potiguar Felinto Dantas, o músico agricultor que tem sua obra executada na Capela Sixtina, no Vaticano. Tem cheiro de terra. Lembra o canto dos pássaros; o vento que uiva na copa das árvores ou nas montanhas de Minas; o tilintar dos chocalhos. São sons extraídos da natureza, primeiro livro escrito pelo Criador. O som que flui do seu saxofone é brisa suave. Sua música santifica o mundo. Sacraliza-o . Mora em Pará de Minas, mas poderia ser em Ipueira (RN), Buritis (MG), Parintins (AM), perto da Casa Velha da Ponte, em Goiás (GO) ... Poderia ser aqui, ou aí. Não importa. Onde houver um cheiro de terra, de natureza, aí estará sua música, sua inspiração.

Vive correndo mundo, levando a todos a sua arte. Argentina. Itália, incluindo a Sardenha. França. Portugal. Inglaterra. Suiça .... é ouvido na Lituânia. Na Ucrânia. Na Rússia. Em Israel. Na Síria. No Líbano. Suas gravações viajam pelos quatro canto do mundo. Quem o ouve logo viaja junto com ele. Mas suas raízes estão sempre presentes. Mas não são raízes cultivadas no alto dos edifícios. São raízes crescidas às margens do rio Sabugy, na encosta da Serra do Mulungu. Raízes caatingueiras, sertanejas. Urbano Medeiros rural. O místico. O semita. O pai de Beth, de Paulo Misael e de Júlio. O descendente de Marrano misturado com Mouro. O viageiro. Um filho de Abraão apenas.

O PEREGRINO DO SAXOFONE

O artista cristão é um entre tantos ministros da Sagrada Liturgia e está a serviço do Reino de Deus. Por isso a arte nasce como fruto da mais pura contemplação. Assim é que dizemos que, o músico deve desaparecer para, nos sons, o Mistério se manifestar segundo sua vontade.
Urbano Medeiros, músico místico, pertencente à antiga estirpe dos músicos bíblicos, tocadores de trombetas de chifres de carneiro, é um artista singular. Ouví-lo é poder entrar em contato com a música das antigas sinagogas, com o canto gregoriano primitivo, com a música despojada dos “staretz”. Urbano é mais que um músico, é um Louco de Cristo, um eremita citadino com mulher e filhos, um mansageiro da paz e um pesquisador infatigável. E foi em suas pesquisas que ele teve um encontro com Santo Efrém Sirus, místico, poeta e músico, que marcou definitivamente sua vida e , consequentemente, seu trabalho artístico. Fez a grande viagem interior ao encontro de Santo Efrém , atravessando o árduo deserto do coração humano. Urbano é antigo, é desse tipo de homem que atravessou séculos, sempre à procura de Deus ... sua grande paixão.

Ah, como são poucas as palavras para expressar tão profundo sentimento, quão pequeno é o nosso coração para acolher a mensagem vivificante do Cristo, que tudo transforma, que tudo renova. E porque Urbano fala a linguagem dos anjos, a música, é que ele nos diz que, “quando toco, naquele momento eu estou conectado com Deus”, Senhor e Criador nosso. Talvez seja por isto que, ao ouví-lo, também nós nos sentimos, através de seu canto, intimamente ligados ao Pai de Amor.Sua música nos ajuda a melhor compreender o cosmo, a Ter ujma visão holística do universo, a sermos mais completos, a vivermos segundo o espírito. É a essa nova vida que nos levam os “ensinamentos do Mestre”, a um conhecimento mais profundo do nosso próprio ser-no-mundo, do nosso próprio “deserto interior”. Abençoado seja o ouvido que deixou-se nutrir por seus acordes, por sua divinal melodia.

Toque Urbano, acompanha-nos nessa maravilhosa “viagem” que faremos ao encontro do que existe de mais profundo em nosso ser-humano. Porque tudo converge para Ele ... para o mais profundo Amor! Deus seja louvado.

Tarzan Leão de Sousa
Da Academia de Letras do Noroeste de Minas, secretário de cultura de Paracatu, MG

A melhor música do mundo

Urariano Mota
La Insignia. Brasil, dezembro de 2003.

Esse título deveria ser o de um conto. Nele se narraria a história dos habitantes de uma ilha que conhecesse o mundo pelos limites do alcance da própria visão. O seu conhecimento da flora, da fauna, do céu, da terra, dos costumes, da história, da cultura, da gente de todo o mundo seria o conhecimento acumulado sobre a gente de todo o mundo da ilha. Gente portanto dotada de seis sentidos, pois devemos incluir o sexto, o da estupidez. Os nativos desse lugar não se julgavam - e, portanto, em seu sexto sentido não eram - nativos. Eles eram a própria e única e definitiva e possível e imaginável gente de toda a história do planeta. Nessa gente - e é fatal, pois com os seis sentidos era humana - surgiria um compositor, que, também é fatal, compunha, músicas de preferência.
Estava escrito, é natural, para não dizer mais uma vez, é fatal, que esses nativos gostariam de música. Pois que eram dotados da mesma carne, sangue e gênese de outras espécies que, apesar de à margem do conhecimento ilhéu, teimavam em existir. E por assim gostarem de música, como toda a gente, de tempos em tempos elegiam a melhor música que algum dia já houve, ou mesmo poderia haver. E, é natural, é fatal, a melhor música do mundo acabava por ser aquela que os seus civilizadíssimos ouvidos ouviam, pois tais civilizados ouviam, todos os dias. Era natural. Os nossos sentidos são sempre a nossa primeira experiência do mundo. E quando essa primeira é a última, é sempre natural a estupidez. O sexto, não, o primeiro e fundamental sentido, dos que vêem até onde a vista alcança.

Que bom fosse apenas ficção. Essa ilha existe, é um pena, amigos. O mapa-múndi exibe-a entre as águas do Oceano Atlântico e do Mar do Norte. As enciclopédias acrescentam-lhe uma linha: Estado insular da Europa ocidental. E para que não se sintam feridos os seus nativos, acrescentemos a tão econômica e modesta linha: essa ilha fala inglês como outra, a Jamaica. Perdão, que terrível analogia, compará-la a um pedaço de terra nas Antilhas. Queremos dizer: essa ilha colonizou o mundo com a civilização das suas armas. Sim, agora estamos mais próximos da sua grandeza. É a própria Inglaterra!!! O antigo império onde o sol não se punha, a terra onde até hoje Deus sempre salva a Rainha. De quê, por favor não nos perguntem. Queremos ser respeitosos. Todos amamos Shakespeare e o idoso mais lúcido a quem chamamos de Hobsbawn. Mas é justamente esse amor à humanidade que se fez à margem e apesar do império inglês que nos impele a continuar.

Aos fatos, aos fatos, grita-nos um Lord com um chicote. Aos fatos, Sir. E eles são de uma eloqüência que exigem uma mudança de guarda, de fonte, com trombetas e destaque, em negrito, pois destaques em branco ainda não há, Sir. Aos fatos:

LEITORES DO THE SUN ELEGEM BOHEMIAN RHAPSODY A MELHOR MÚSICA DA HISTÓRIA.

REVISTA Q ELEGE ONE, DO U2, A MELHOR MÚSICA JÁ GRAVADA.

O que salta aos olhos, e àquele sentido que não alcança o sexto, não é nem a contradição entre o primeiro e o segundo destaque, nem tampouco a criação de duas categorias: melhor música da história e melhor música já gravada. A primeira coisa que pula para dentro da nossa retina e perfura o nosso cérebro é a leviandade. Na imprensa inglesa elege-se o melhor, o maior e o mais com a superficialidade e leveza com que se escolhe entre duas marcas de cerveja num pub. A segunda coisa que revolve em nossas circunvoluções é a ampliação desmesurada, na vertical, na horizontal, no tempo, no espaço, na profundidade da noite da ignorância. Como é que se elege a melhor música da história na base de uma simples coleta de opiniões na esquina? Ainda que essa esquina seja a melhor e maior e a mais do mundo, pois que se dá no cruzamento de duas ruas de Londres, como pode tal eleita possuir algum valor, digamos, estético?

Dissemos ignorância, mas não queremos cair na mesma vala rasa dos tablóides londrinos. Para criticar com liberdade a estupidez não precisamos mentir. Basta-nos a eloqüência extraordinária da verdade. Pois a eleição na revista Q não foi um apanhado rápido na esquina. Ela se deu entre escritores (quais, não perguntem) e uma equipe de músicos profissionais (quais, por favor, esqueçam), que escolheram a One, do U2, dentre as 1001 melhores músicas já gravadas. Por que 1001, e não simplesmente 100, ou 1000, mais uma vez esqueçam. Importa saber que a eleição se deu entre gente especializada, que nos limites, ou melhor, nos infinitos da sua petulância escolheu com soberania e poder a melhor música já gravada em todos os tempos. Dá vontade de perguntar: Edison, para que inventaste o gramofone? Edison, para que passaste tantas noites em claro, em que empregaste tanto a tua vida, se ela resulta num resultado tão pífio? Será que em algum momento sobrevoou como uma sombra de condor, de um condor que passa nos Andes, o cérebro dos eleitores alguma dúvida?

Todos sabemos que a ignorância não tem dúvidas. A ignorância só possui certezas. Mas parece que tal eleição é mais funda que uma ação ignorante - ela atinge um núcleo mais substancioso, pois vive e ondula no cerne de um bem robusto e assentado preconceito. Porque vejam, leiam, meditem: dizer que esta música, inglesa, ou aquela, inglesa, sem dúvida, é a melhor da história ou das já gravadas, não é outra coisa se não dizer que: a) os outros povos não têm música; b) outros povos até que têm, mas nada que se compare à canção inglesa. Para melhor falar do tamanho dessa aberração muito gostaria de não ser brasileiro. Gostaria muito de conhecer Jobim, Pixinguinha, Noel Rosa, Paulinho da Viola, como se fosse um nascido em lugar diferente do Brasil. Até para ter a graça da revelação que deve sentir um estrangeiro diante da música desses gênios. Gostaria de não ser brasileiro, para falar mais isento. Esforcemo-nos. Digamos que eu seja um latino de fala espanhola.

Por Deus, que dizer de boleros inolvidáveis? Que crime devemos cometer para ocultar dos olhos da sensibilidade do mundo Violeta Parra, Mercedes Sosa, Piazzola? Como olvidar Bienvenido en la orilla del mar? Digamos que sim, e para continuar nesse exercício, digamos que somos um falante inglês. Ah, seria mesmo terrível o crime que cometeríamos para esquecer Stardust com Nat King Cole, ou aquela árvore de estranhos frutos dependurados dos negros americanos mortos pela Ku Klux Klan! Se a música, se a arte é algo vital, e por ser vital, é portanto algo mortal, letal, ela não comporta atitudes e beicinhos e bem ou malquerenças fúteis. Que dizer então do preconceito que é em si mesmo o oposto de todo e qualquer conhecimento? É palmar, é tedioso dizer que todos os povos têm um gênio de ser, um modo de estar e agir no mundo que é o seu destino e seu caráter. E tão universais atingem a natureza que deixam de ser particulares, que deixam de ser a sua nacionalidade contra a de outros. Em vez de versus abraçam. Em vez de se oporem a nós, conquistam-nos pela qualidade de possuírem os nossos melhores talentos. Que importa mesmo que Cervantes seja espanhol, Shakespeare inglês, Goethe alemão, Tolstoi russo, Baudelaire francês, Pixinguinha brasileiro? Eles são o melhor de nós numa vida de sonho e insônia.

Mas nada disso ficará claro, nenhum argumento restará em pé se não contarmos dois pequeninos casos sobre a arrogância colonial de alguns ingleses. No primeiro que me acode à memória, um estudante brasileiro fazia o doutorado em Londres. O que já é, em si, uma dupla manifestação de espírito e mentalidade colonialista. Tanto de quem vai buscar reconhecimento quanto de quem concede. O fato é que um belo dia, em estado de inocência, o estudante brasileiro perguntou a seu orientador se ele conhecia outro idioma. Resposta: - "Eu não preciso. Todo o mundo fala a minha língua". Isto é ou não é exemplar, um modelo de bendita ignorância, preconceito e auto-satisfação?

Em outra, o autor destas mal traçadas conversava com uma jornalista inglesa. A certa altura do Alto da Sé em Olinda, comentou que era inútil lamentar o que está perdido, pois que "não adiantava chorar o leite derramado". Ao que lhe observou a jornalista: - "Existe isto aqui, esse ' não adianta chorar o leite derramado'? Incrível. Pois isto é a tradução literal de um ditado inglês". Mais tarde, anos depois, ao saber dessa observação, assim comentou um espanhol, ilustre editor de La Insígnia:

- Vai ver que esse ditado é latino em sua origem. Os ingleses sempre acham que a sua tradução é a origem do mundo.

No que volto a ser brasileiro. Tiro o som de U2, sem pesar esqueço a Bohemian Rhapsody, e ponho em seu merecido lugar Pixinguinha. Dele falo uma frase que é redundante, pois que se compõe somente de sinônimos em todas palavras: Pixinguinha, o imortal anjo negro autor de Carinhoso. Dito este óbvio, dou-lhe um descanso e vou para o genial choro 1 x 0, ele no sax e Benedito Lacerda na flauta. Depois ouço Copacabana, levado pela voz do senhor Dick Farney: "existem praias tão lindas cheias de luz, nenhuma tem o encanto que tu possuis....". E sem álcool, sem ufanismo me digo: Copacabana continuará pelos séculos, a ondular pelas esferas no infinito. Até mesmo quando a minúscula gente deste grão de Terra não mais existir. Quando todo o imperialismo não for nem lembrança.

Encantos de mulher madura

A verdadeira beleza da mulher,

Aquela beleza que perdura,

É sem duvida, a da mulher madura...

Pois é a mulher que sabe o que quer...

Já viveu amores...

Já teve alegrias, já sofreu dores...

Por ser experiente...

Torna-se exigente...

Não quer sofrer novamente...

Não se deixa levar por um repente...

Quer saber-se amada,

Quer ser bem conquistada...

Ainda que seja um amor de momento...

Que talvez, vire um tormento...

Tem que ser sincero... tem que haver sentimento...

Mesmo que não perdure,

Que seja eterno enquanto dure...

Não quer aquele amor apressado...

Tem que ser controlado...

O antes, em preliminares, bem demorado...

O durante... que seja delirante...

O depois, que dure bastante...

Nada daquilo de virar para o lado... é frustrante...

Tem que ser com bastante carinho...

Muito beijinho muito denguinho...

O antes, o durante e o depois... tem que ser com amor...

Com bastante calor...

Tem que saber amar,

Para uma mulher madura conquistar...

Ela quer companhia... com muita harmonia,

Quer vida compartilhada... é mulher atuante...

Ter seu espaço respeitado... pois foi conquistado...

Quer amor... quer carinho... e também consideração...

Enfim... quer ser tratada como mulher,

Que soube seu caminho escolher...

Que sempre soube viver...

Quer apenas ter o direito de escolher

Como o fazer...

Quem tiver a felicidade de a ter a seu lado,

Considere-se privilegiado...

Pois foi por ela conquistado...

É a melhor idade... é a idade da razão...

É amor que faz bem ao coração...

É aquele amadurecimento,

Que aprimora o sentimento...

Saibam conservar o amor, o carinho da mulher madura...

Porque este sim, fica... e perdura...

(Marcial Salaverry)

quinta-feira, 25 de março de 2004

...pirataria do sentimento...

...usar mundo e não construir...mundo...idealismo...selvagem...divino...naif?...construir mundo e usar mundo?...
...pikonera a mendigar no pensamento...o querer acreditar...

A IDADE DE SER FELIZ

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa em que é
possível sonhar e fazer planos e ter energia
bastante para realizá-los a despeito de todas as
dificuldades e obstáculos.
Uma só idade para a gente se encantar com a vida
e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda
intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar
a vida à nossa própria imagem e semelhança e
vestir-se com todas as cores e experimentar todos
os sabores e entregar-se a todos os amores sem
preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio
é mais um convite à luta que a gente enfrenta com
toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de
NOVO, e quantas vezes for preciso.
Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se
PRESENTE e tem a duração do instante que passa.

(Mário Quintana)

NOCTURNO


Coaxar de rãs é toda a melodia
que a noite tem no seio
-- versos dos charcos
e dos juncos podres,
casualmente, com luar no meio.

EUGÉNIO DE ANDRADE

2 OCTOBRE 1869

Les vérités différentes en apparence sont comme dìnnombrables feuilles qui pacaissente différentes et qui sont sur un même. arbre.

Mahatma Ghandhi

domingo, 21 de março de 2004

Poema do Homem Só

Sós,

irremediavelmente sós,

como um astro perdido que arrefece.

Todos passam por nós

e ninguém nos conhece.



Os que passam e os que ficam.

Todos se desconhecem.

Os astros nada explicam:

Arrefecem



Nesta envolvente solidão compacta,

quer se grite ou não se grite,

nenhum dar-se de outro se refracta,

nehum ser nós se transmite.



Quem sente o meu sentimento

sou eu só, e mais ninguém.

Quem sofre o meu sofrimento

sou eu só, e mais ninguém.

Quem estremece este meu estremecimento

sou eu só, e mais ninguém.



Dão-se os lábios, dão-se os braços

dão-se os olhos, dão-se os dedos,

bocetas de mil segredos

dão-se em pasmados compassos;

dão-se as noites, e dão-se os dias,

dão-se aflitivas esmolas,

abrem-se e dão-se as corolas

breves das carnes macias;

dão-se os nervos, dá-se a vida,

dá-se o sangue gota a gota,

como uma braçada rota

dá-se tudo e nada fica.



Mas este íntimo secreto

que no silêncio concreto,

este oferecer-se de dentro

num esgotamento completo,

este ser-se sem disfarçe,

virgem de mal e de bem,

este dar-se, este entregar-se,

descobrir-se, e desflorar-se,

é nosso de mais ninguém.

António Gedeão

Neruda

“ Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.”

Sou Marujo, Mestre e Monge

Sou marujo, mestre e monge

marujo de águas paradas

mas que levam os navios

às terras por mim sonhadas



Também sou mestre de escola

em que toda a gente cabe

se depois de estudar tudo

sentir bem que nada sabe



Mas nem terra ou mar me prendem

e para voar mais longe

do mosteiro que não houve

e não haja, me fiz monge


Agostinho da Silva






O HOMEM E A MULHER

O homem é a mais elevada das criaturas.
A mulher o mais sublime dos ideais.

Deus fez para o homem um trono; para a mulher um altar.
O trono exalta; o altar santifica.

O homem é o cérebro; a mulher o coração.
O cérebro produz a luz; o coração o Amor.
A luz fecunda; o amor ressuscita.

O homem é um gênio; a mulher um anjo.
O gênio é imensurável; o anjo indefinível.

A aspiração do homem é a suprema glória; a aspiração da mulher a virtude extrema.
A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade.

O homem tem a supremacia; a mulher a preferência.
A supremacia representa a força; a preferência o direito.

O homem é forte pela razão; a mulher é invencível pela lágrima.
A razão convence, a lágrima comove.

O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher de todos os martírios.
O heroísmo enobrece; o martírio sublima.

O homem é o código; a mulher o evangelho.
O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.

O homem é um templo; a mulher um sacrário.
Ante o templo, nós nos descobrimos; ante o sacrário, ajoelhamo-nos.

O homem pensa; a mulher sonha.
Pensar é ter cérebro; sonhar é ter na fronte uma auréola.

O homem é um oceano; a mulher um lago.
O oceano tem pérola que o embeleza; o lago tem a poesia que o deslumbra.

O homem é uma águia que voa; a mulher um rouxinol que canta.
Voar é dominar os espaços; cantar é conquistar a alma.

O homem tem um fanal: a consciência.
A mulher tem uma estrela: a esperança.
O fanal guia e a esperança salva.

Enfim, o homem está colocado onde termina a Terra.
A mulher onde começa o Céu.

Victor Hugo


ANUNCIO DE PRIMAVERA




Mi vida está hecha de noches,
de lágrimas de estrellas, de lunas
frías y silenciosas.
Como un ángel de las tinieblas
se acostumbraron mis ojos a las calles
oscuras, a la penumbra de los bares,
a la luz, de neón, artificial.
Gentes, recién llegadas de la tarde,
aseguran que volvió la Primavera
y en mi ropero sólo hay trajes negros,
presentimientos negros,
máscaras de amargura.
Señora de los Cielos Luminosos,
cuando no sea un maldito
me haré unas alas
-como Ícaro-
e intentaré volar al sol.

Javier Salgado

sexta-feira, 19 de março de 2004

...depois de 5 anos de contrato a prazo...

Hoje
gostava de me apertar a ti
gostava que as minhas lágrimas
tocassem o teu rosto ténue

hoje
quem dera
ver-te pestanejando alegrias

hoje
quem dera ouvir:
- chegou o teu dia minha filha!
todos temos uma cruz…
hoje a tua está mais leve!

quem dera
ver-te
tocar-te
--------------------------------dizer-to pessoalmente

oh Pai
como eu gostava

como eu gostava
que hoje enxugasses o meu pranto

sabes
senti
senti muito
que me faltavas…

é com tudo não estivesse completo…

é um vazio
uma amargura
é a tristeza de não ver…
é a tristeza de não olhar…

hoje
Pai
mando-te um ramo
das minhas flores preferidas

malmequeres
envolvidos em ternura…
envolvidos em querer

vou desfolha-los ao vento

…talvez uma folhinha te acaricie algures…
…talvez ela te sussurre ao ouvido:

gosto muito de ti…

eu espero pela resposta…
…acredito na resposta…

(1996)

cantina

neste lugar
onde tantas vezes
subia a preocupação
são 2 horas
e já não sobe ninguém...
não mais sobes
Pai!
jamais
os meus problemas
te vão rosar o rosto
e fazer brilhar o olhar...
agora
agora
só os meus olhos vêem
só os meus olhos ficam
molhados
e
sozinhos
a enfrentar...

(1984)

O Brincador

"O Brincador"

Quando for grande,não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande, quero ser um brincador.

Ficam portanto a saber:

não vou para a escola aprender a ser médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador,
muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imagina, como
imagina um imaginador...

A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gentecrescida.
E depois acrescenta, a suspirar: "assim é a vida".
Custa tanto a acreditar.
Pessoas que são capazes,
que um dia também foram raparigas e rapazes,
mas que já não podem brincar.

A via é assim? Não para mim...
Quando for grande quero ser um brincador.

Brincar e crescer, crescer e brincar,
até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar
mesmo depois de morta.

Na minha sepultura vão escrever:
" Aqui jaz um brincador.
Era um homem simples e dedicado,
muito dado,
que se levantava cedo todas as manhãs
para ir brincar
...com as palavras".

quinta-feira, 18 de março de 2004

A morte

A morte é sossego e flores
Eu acho que ela é um homem amarelo.
Eu, se visse a morte ao pé de mim, atirava-me
duma janela abaixo: antes queria morrer sózinho.

Victor Pinho Moreira
8 anos

quarta-feira, 17 de março de 2004

Imaginar

Acordada!
Voando

com asas...
do imaginar...

Evocando

Hinos

À chuva
que começa
devagarinho
a cair
não interrompendo
o meu voar
que vens
acompanhando

no sonho

que quero

acontecer

rodeada
de mar
com cheirinho
a maresia
e a luar

Poisando
na espuma branca

perto
do areal

carregado
.........................de...........

“excessos de emoção”....
(palavras tuas...)

de que afinal
até(?)
nem tens medo de abordar...

Sentir
o
aconchego
do teu
peito
num aperto

não só com a chuva
mas também
com o teu olhar...

Enlaçar-me
no teu
ceder

rodopiando
no infinito
do teu abraço

Deixar-me
desfalecer
nesse imanar

rir

rir

e não ter medo

...do teu exprimir...

AMO-TE!

É só
isso


simples


como a chuva
que cada vez
cai
mais forte
e arrepia
só de pensar...

no ardor

no só

de pensar

Dançar
a ouvir
a bater
neste agitar-se
de dois

EMUM

Contar
as estrelas
que aparecem
quando
a chuva
deixa
devagarinho...



o espaço
onde se encontra
a escalada
que dilui
com o medo
do finito...

Amanhece!

mais um cigarro

e

Onde estás?

Não vês?

Não sentes?


Estás a sentir?
Sem pensar!?

Então

não te esqueças
que estou

aqui



e

a



esperar....


AMERICANA
1998-Rita Ariz



domingo, 14 de março de 2004

PEACE ON EARTH



Heaven on Earth
We need it now
I'm sick of all of this
Hanging around

Sick of sorrow
I'm sick of the pain
I'm sick of hearing
Again and again
That there's gonna be
Peace on Earth

Where I grew up
There weren't many trees
Where there was we'd tear them down
And use them on our enemies

They say that what you mock
Will surely overtake you
And you become a monster
So the monster will not break you

And it's already gone too far
Who said that if you go in hard
You won't get hurt

Jesus can you take the time
To throw a drowning man a line
Peace on Earth

Tell the ones who hear no sound
Whose sons are living in the ground
Peace on Earth

No whos or whys
No one cries like a mother cries
For peace on Earth

She never got to say goodbye
To see the color in his eyes
Now he's in the dirt
Peace on Earth

They're reading names out
Over the radio
All the folks the rest of us
Won't get to know

Sean and Julia
Gareth, Ann, and Breda
Their lives are bigger than
Any big idea

Jesus can you take the time
To throw a drowning man a line
Peace on Earth

To tell the ones who hear no sound
Whose sons are living in the ground
Peace on Earth

Jesus in this song you wrote
The words are sticking in my throat
Peace on Earth

Hear it every Christmas time
But hope and history won't rhyme
So what's it worth

This peace on Earth
Peace on Earth
Peace on Earth
Peace on Earth

U2

CADA DIA

Cada dia é mais evidente que partimos,
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudade nem terror que baste.

Sophia de Mello Breyner Andressen

Pensamentos escolhidos

Os maliciosos são aqueles que conhecem a verdade mas só a sustentam enquanto coincide com os seus interesses; mas, fora disso, abandonam-na.

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O homem não é anjo nem besta, e por desgraça quem quer que seja anjo acaba por ser besta.

Pascal

sábado, 13 de março de 2004

GRANDE PAZ

...Há-de vir o tempo em que se compreenda universalmente a necessidade imperiosa de se convocar uma assembleia de homens, vasta e mundialmente abrangente. Os governantes e reis da terra devem, forçosamente, estar prsentes nela e, participando nas suas deliberações, devem considerar tais meios e modos que possibilitem o lançamento entre os homens dos alicerces da Grande Paz do mundo.Tal paz exige que as Grandes Potências resolvam, a bem da tranquilidade dos povos da terra, reconciliar-se totalmente entre si.Se algum rei levantar armas contra outro, todos unidos, deverão levantar-se e impedi-lo.Se isto for feito, as nações do mundo não mais precisarão de armamentos, salvo a fim de preservarem a segurança dos seus domínios e de manterem a ordem interna dentro dos seus territórios...Aproxima-se o dia em que todos os povos do mundo terão adoptado um idioma universal e uma escrita comum. Quando isto for realizado, não importa a que cidade um homem viaje, será como se estivesse entrando em sua própria casa...É homem, verdadeiramente, quem hoje se dedica ao serviço de toda a humanidade...Que não se vanglorie quem ama o seu próprio país, mas sim quem ama o mundo inteiro.A terra é um só país e a humanidade os seus cidadãos.

BAHÁ´U´LLÁH

PAZ MUNDIAL

...À luz dos acontecimentos subsequentes, os avisos e apêlos das escrituras de Bahá`u`lláh ao longo deste período assumem uma terrível agudeza:

Ó vós, os representantes eleitos do povo em todas as terras!...Vede o mundo como o corpo humano, o qual, embora inteiro e perfeito no tempo da sua criação, tem sido afligido, por causas diversas, com graves males e doenças. Nem por um só dia obteve sossego; ao contrário, a sua enfermidade tornou-se ainda mais grave ao ter sido tratado por médicos ignorantes, que deram rédea solta aos seus desejos pessoais...

Nós o vemos, neste dia embriagados de orgulho que não conseguem distinguir claramente a sua própria melhor vantagem, muito menos reconhecer uma Revelação tão deslumbrante e desafiadora quanto esta...

Este é o dia em que a terra fará ressoar as suas novas. Os obreiros da iniquidade são o seu fardo - pudesseis apenas percebê-lo...


Todos os homens foram criados a fim de levarem avante uma civilização em contínua evolução. O Todo-Poderoso dá-Me testemunho: agir como os animais do campo é indigno do homem. Aquelas virtudes que convêm à sua dignidade são a tolerância, a misericórdia, a compaixão e a benevolência para com todos os povos e raças da terra...

Em todos os assuntos, a moderação é desejável. Se uma coisa for levada ao excesso provará ser fonte do mal... Coisas estranhas e espantosas, existem na terra, mas estão ocultas nas mentes da compreensão dos homens. estas coisas têm a capacidade de mudar toda a atmosfera da terra, e a sua contaminação provar-se-á letal...

Bahá`u`lláh

NANA, NANA, MEU MENINO (cantiga de embalar)

...ESTA ERA A CANÇÃO SIMPLES QUE A MÃE ME CANTAVA E ENCANTAVA QUANDO ERA PEQUENINA...e que repeti milhares de vezes ao encapuzado extrovertido...que gritava mal eu parava....pois queria a continuação do embalar...

Nana, nana, meu menino,
Qu`a tua mãe logo vem,
Foi lavar os teus paninhos
À fontinha de Belém.

O meu menino é dòuro,
Dòuro é o meu menino;
Hei-de entregá-lo aos anjos.
Se ele morrer pequenino.

(Cancioneiro de Resende)

terça-feira, 9 de março de 2004

O OLHAR

...o olhar carrega todas as paixões da alma e é dotado de um poder mágico que lhe confere uma terrível eficácia....é o instrumento das ordens interiores: mata, fascina, fulmina, seduz do mesmo modo que exprime. Jean Paris tentou fundar uma crítica das artes visuais no olhar, sobre os modos como ele se impõe, se troca, se recusa...ora o olho também se pinta. Ora a obra também nos considera... é curioso observar as reacções do olhado sob o olhar de outrem...o olhar é como o mar, sempre a mudar e a brilhar, reflexo ao mesmo tempo das profundezas submarinas e do céu...Se a face divina se torna a epifania do teu olhar, diz ainda o poeta, não há qualquer dúvida: tu és então o possuidor do olhar...

SOBRANCELHAS

As sobrancelhas são comparadas, na poesia iraniana, ora com um arco que lança as flechas dos cílios, ora com o arco do templo da visão...
...os movimentos das sobrancelhas simbolizam as aproximações da declaração de amor, o lançamento das flechas e os prelúdios da união...

PESTANAS

Na poesia árabe e persa, as pestanas são consideradas como as armas do amor, ele próprio instilado nos olhos.São comparadas a lanças, espadas, a flechas; as pestanas são flechas no arco formado pelas sobrancelhas, e que todas atingem o alvo.São não só as armas, mas também o exército do amor: as tuas pestanas são duas filas de cavaleiros ordenados pacificamente uns frente aos outros; mas o sangue corre de cada vez que chocam, isto é quando se aproximam para lançar uma olhadela...

segunda-feira, 8 de março de 2004

Deambulações DIVINAS E SELVAGENS COM UMA ASA PARA FORMAR UM eU PÁSSARO...

...meu dia é todos os dias... a minha asa não pode voar só...embora haja pássaros que teimem em tentar voar... só com uma...E AÍ... entortam o ar furam as nuvens esbarram no vento estampam-se contra as estrelas e não cintilam em poesia... para um pássaro voar e fazer ninho para a humanidade em cima de uma frondosa árvore é necessário duas asas...uma a mulher outra o homem...e só assim é uma verdadeira ave consegue voar no SOL... e é um ser perfeito em harmonia de construção sublime...

Dia Internacional da mulher



PORQUÊ O DIA 8 DE MARÇO


Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". De então para cá o movimento a favor da emancipação da mulher tem tomado forma, tanto em Portugal como no resto do mundo.



O QUE SE PRETENDE COM A CELEBRAÇÃO DESTE DIA

Pretende-se chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher e levar a uma tomada de consciência do valor da pessoa, perceber o seu papel na sociedade, contestar e rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher.



MARCOS DE UM PERCURSO

EM PORTUGAL NO MUNDO

1691 -Estados Unidos
As mulheres votam no Estado do Massachussetts. Perdem este direito em 1789.

1788 - França
Condorcet, filósofo e homem político francês, reclama para as mulheres o direito à educação, à participação na vida política e ao acesso ao emprego.


1792 - Reino Unido
Mary Wollstpnecraft pioneira da acção feminista, publica uma vindicta das Mulheres.



1822 - Primeira Constituição Liberal. Tanto esta Constituição como as seguintes afirmam. que a lei é igual para todos, sem referência especial às mulheres. 1840 - Estados Unidos
Lucrécia Mott lança as bases de Equal Rights Association pedindo a igualdade de direitos para as mulheres e para os negros.

1857 - Estados Unidos
No dia 8 de Março, em Nova Iorque, greve das opcrárias têxteis para obter a igualdade de salários e a redução das horas dc trabalho, para 10 horas por dia.

1859 - Rússia
Aparecimento de um movimento feminino em St. Pctersburgo para a emancipação da mulher.

1862 - Suécia
As mulheres votam nas eleições municipais.

1865 - Alemanha
Louise Otto funda a Associação Geral das Mulheres AIemãs.

1866 - Reino Unido
John Stuart MIII, filósofo e economista inglês, reclama o direito de voto para as mulheres.

1868 - Reino Unido
Criação da Sociedade Nacional para o Sufrágio Feminino.

1869 - Estados Unidos
Nascimento da Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres. O estado dc Wyoming concede o direito de voto às mulheres para atingir o número de eleitores necessário para entrar na União.

1870 - França e Suécia
As mulheres têm acesso aos estudos médicos. - Turquia
Inauguração de urna Escola Normal destinada a formar professoras para as escolas prirnárias e secundárias para raparigas.

1874 - Japão
Abertura da primeira Escola Normal para raparigas.

1878 - Rússia
Abertura da primeira Universidade feminina em St. Petersburgo.

1882 -. Estados Unidos
Susan B. Anthony funda o Conselho Nacional de Mulheres, tendo como patrono Victor Hugo; o célebre escritor era então um dos chefes do Partido Republicano.

1893 - Nova Zelândia
Concedido o direito de voto às mulheres.

1901.- França
O deputado socialista René Viviani, sustenta pela primeira vez um debate sobre o direito de voto das mulheres.

segunda-feira, 1 de março de 2004

O prêmiohttp://br.yahoo.com/oscar/especiais/curiosidades2.php

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi fundada em 11 de janeiro de 1927, quando 36 pessoas se reuniram no Ambassador Hotel, em Los Angeles, para formar a primeira organização do mundo dedicada exclusivamente a filmes.


Ninguém sabe ao certo o motivo pelo qual o cobiçado prêmio foi batizado de Oscar. Diz a lenda que uma funcionária da Academia, quando o viu, disse que ele se parecia muito com um tio dela, chamado Oscar. O apelido foi oficialmente usado a partir de 1939.


A primeira transmissão da festa de entrega dos prêmios da Academia pela TV ocorreu em 1953. Nesse ano, o Oscar já estava comemorando sua 25ª versão – e só os norte-americanos tiveram o privilégio de assisti-la.


O público só pode ver a grandeza da cerimônia do Oscar em cores no ano de 1966. A partir dali, a transmissão televisionada passou a ser colorida, e não em preto-e-branco.


A cerimônia de entrega dos prêmios da Academia só foi adiada três vezes em sua história: em 1938, por conta de uma inundação; em 1968, como luto pelo funeral de Martin Luther King; em 1981, devido à tentativa de assassinato do então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.


O elemento surpresa foi levado às cerimônias do Oscar apenas em 1941, quando os nomes dos vencedores passaram a ser guardados num envelope e revelados apenas no momento da apresentação. Até aquela data, os felizardos já sabiam de suas vitórias antes do evento.